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A agência GAMMA vai mal das pernas

[ Eduardo Muylaert | 26 jul 2009 | One Comment | 978 visitas ]

Quem se lembra do documentário Reporters, de Raymond Depardon? Nos anos 70, quando ainda não havia celulares ou câmeras digitais, vemos os fotógrafos da célebre agência GAMMA seguindo Richard Gere, então pouco conhecido, ou o presidente da França, Giscard d’Estaing,

Depardon e Gilles Caron fundaram a agência GAMMA em 1966 e a transformaram numa das glórias do fotografia francesa, num tempo em que Paris se tornou uma das capitais do fotojornalismo.

Ao meio dia em Paris, os fotógrafos sediados na Europa estavam muito na frente dos colegas americanos, pois ainda eram 6 da manhã em New York.

A agência GAMMA chegou a difundir o trabalho de mais de 6.000 fotógrafos antes de ser comprada,  no final dos anos 90, pelo grupo HACHETTE FILIPACHI, editor de PHOTO,  e depois vendida ao grupo GREEN RECOVERY.

Raymond Depardon (D.) filma a campanha de Giscard d’Estaing, França, 1974 ©David Burnett
Raymond Depardon (D.) filma a campanha de Giscard d’Estaing, França, 1974 ©David Burnett

O Figaro de sábado (25/07/09) relata que a importante agência deve pedir concordata nos próximos dias. A direção confirma que está em busca de investidores e que tem um projeto de continuação da empresa, mas há grandes dúvidas a respeito.

Embora presente no festival de Arles deste ano, a GAMMA não reservou lugar no Visa pour l’Image, a festa do fotojornalismo, que vai acontecer em Perpignan em setembro, mais ou menos na época do Paraty em Foco.

A GAMMA, que tem 14 fotógrafos atualmente,  não estaria agüentando a concorrência da France Presse e da Reuters e  teve uma perda de atividade de quase 50% este ano. Um possível caminho seria abandonar as hot news e procurar um trabalho de profundidade, seguindo o modelo da MAGNUM.

Comenta-se que os fotógrafos mais importantes, como Laurent Van Der Stockt e Jean-Luc Luyssen,  estariam prestes a deixar a GAMMA.

O fundo GREEN RECOVERY não conseguiu dar conta dos oito fundos ou agências comprados de HACHETTE FILIPACHI, entre os quais Keystone e Rapho, a também célebre agência fundada em 1933 por Charles Rado e que teve fotógrafos como Robert Doisneau, Willy Ronis, Sabine Weiss, Edouard Boubat, e Janine Niepce.

Uma lição a tirar das atuais dificuldades é que uma agência fotográfica não é um negócio como outro qualquer, que se possa comprar e vender impunemente. É difícil uma agência ir em frente sem a participação entusiasmada, a solidariedade, o sangue, o suor e as lágrimas dos fotógrafos que a compõem.

Será que o sonho acabou ?
Será que o sonho acabou ?

Para um quadro das atuais agências, fundos e coletivos fotográficos na França, clique aqui.

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