Georgia Quintas e a noite de Pernambuco
Com a aproximação do 5º Paraty em Foco e a significativa representação da fotografia pernambucana neste evento, um ponto que subliminarmente perpassa esse fato é a questão do regionalismo. É importante refletirmos a respeito. Sempre acreditei que no âmbito da arte ou da estética, nas quais a fotografia se integra, há proposições delicadas, fronteiriças e, muitas vezes, empregada de forma pejorativa ou de entropia demagoga. Para estimularmos um pensamento crítico sobre esta realidade, é preciso sim, discorrer que o regionalismo, não em que pese à retórica, mas a localização espacial, define de certo a visibilidade do segmento fotográfico do nosso Estado.
Faz-se necessário enfatizar que a fotografia realizada em Pernambuco não é regional pelo seu estilo, escola ou movimentos artísticos. O que nos une – e é isso que estamos a celebrar – é que os esforços de vários (os pernambucanos daqui e os de lá) venham a reverberar nos outros. A maneira vigorosa com que isso ocorre é o fio condutor de um porvir. E que assim se transite, articule-se, apresente-se além da nossa região territorial. Cada um, portanto, trilhará sua visibilidade com suas criações. Discursos de comiseração, derrotismo e inconformismo não põem à mesa a expressividade, força, talento, criação e história da fotografia pernambucana. Esse é o ponto crucial.
Prefiro enquadrar o termo regionalismo dentro de uma perspectiva que negue o que possa vir a denotar noções como exotismo, margem, isolamento, falta de fluxo… A expectativa é que o Paraty em Foco seja mais uma oportunidade de circularmos pelo Brasil. Já pensaram se a cada ano este evento venha a nos brindar com a produção fotográfica de outros tantos cantos de nosso imenso Brasil? Fico a pensar, nessa sensação que certamente não é apenas de quem faz (no sentido lato) a fotografia em Pernambuco.
Relembro da grande historiadora da arte brasileira Aracy Amaral que cita um texto de Jean Cassou em apresentação sobre Vicente do Rêgo Monteiro (Galeria Debret, Paris, s.d.) que reflete o olhar estrangeiro e uma delicada alteridade que alude ao processo que estamos vivendo:
“O que é o Brasil? É a energia poderosa e nova, o sopro de um gigantesco continente cuja natureza é selvagem e são infinitas as possibilidades criadoras. Esta dupla característica nos inspira admiração e confiança, nos comunica seu prodigioso vigor. Pensar o Brasil é se sentir imediatamente situado em um imenso espaço. Novas dimensões acrescentam-se imediatamente ao alcance de nossa respiração”.
Será também a construção crítica desta ida ao Paraty em Foco que nos fará intensificar nossa mirada em relação aos outros. E assim nos conhecermos ainda mais… Esse é o jogo essencial da alteridade na fotografia: ir mais além de nós mesmos.
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Ótimas colocações da Georgia que nos fazem pensar realmente no caráter entrópico de nossa avaliação com relação ao regionalismo na imagem brasileira.
Particularmente acredito que não exista uma imagem genuinamente brasileira até este momento, seja lá o que este termo signifique. Longe então, pensar que o estereótipo alardeado por ai a fora seja representativo de uma fotografia tão ampla.
Venho assistindo, e com um enorme prazer, uma expansão que está além das nossas fronteiras geográficas. E, imagino, não caracterizam uma tendência à qualquer unificação, diante de um universo tão vasto quanto o brasileiro.
Se na imagem européia não conseguimos este amálgama, e estamos tratando de países que cabem dentro do nosso território, o que dizer então de um espectro cuja amplidão é fenomenal.
Como Aracy Amaral – que Georgia cita com muita propriedade – diz, no Brasil temos uma energia poderosa, e nova! Estamos engatinhando diante de uma estética européia já consagrada, para citá-la novamente, Somos bebês diante dos séculos cuja arte se desenvolveu e vem desenvolvendo.
O que Georgia aponta, com muita categoria, é que se aqueles que representam o regionalismo de suas estâncias não se movimentarem para que possam se impor diante da massificação comum a globalização, estarão sim chovendo no molhado, e reverberando sobre si mesmos. Isso vale para qualquer região.
Por isso, um fórum como o Paraty, onde a expansão da discussão seja ampla, todos nós, produtores de norte a sul, estaremos sim , contribuindo, quem sabe, para uma verdadeira imagem brasileira.
[...] mais afetiva do que factual, elegemos o Projeto Lambe Lambe como uma ilustração da origem desse movimento celebrado pelo Paraty em [...]
[...] renomados, como Daniel Klajmic, se misturam com amadores, ou com quem se inicia na profisão, como Priscila Buhr, acho que atingimos o [...]
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