5 perguntas para : Alexander Binder

Quais são as inspirações para a sua fotografia?
Quando eu era jovem, passei a maioria do meu tempo livre em locadoras de filmes e assisti a milhares de filmes. Especialmente todo tipo de filme de terror, thrillers, e de ficção científica. De “El Topo” do Jodorowsky a Massacre da Serra Elétrica de Tobe Hooper, isso formou a base da minha “biblioteca de referências visuais interna”. Muito do meu trabalho é fortemente inlfuenciado pela estética destes gêneros de filmes. Além disso, tenho uma forte fascinação pelas ciências ocultas e fenômenos paranormais, como possessão demoníaca e fantasmas. Responder sobre a minha motivação é mais difícil que citar minhas fontes de inspiração. Eu tenho essas imagens na minha cabeça, todos os dias, desde que me lembro. E eu acho que compartilha-las com outras pessoas é uma espécie de terapia para mim. Fico realmente curioso sobre a percepção de terceiros sobre o meu trabalho. Recebo muito feedback motivador, e é interessante ver como alguns observam uma forte moralidade enquanto outros se identificam totalmente com a atmosfera melancólica.
Você produz algumas das imagens mais assustadoras que já vi. As imagens tem este efeito em você?
Eu passo muito tempo com as minhas imagens. Fico procurando as locações ideais, criando as mascaras, e conheço as pessoas por trás delas. Por causa disso as imagens não tem este efeito em mim. Além disso eu gusto de arte obscura e sinistra.
Conte mais um pouco sobre Maleficium I & II, e também sobre o processo, na Floresta Negra. Como foi a experiência?
A criação de Maleficium foi o processo mais complexo para mim até agora, e tive muitas influências de contos medievais, subcultura do black metal ou do gênero horror gótico.
Faço tudo sozinho, e realmente demorei várias semanas para reunir as máscaras e roupas para os protagonistas. Passei dias incontáveis na Floresta Negra esperando a atmosfera correta. No final do dia, escutar música ritual ambiente ajudou muito para entrar no clima certo para a criação destas obras. Durante todo o processo tive algumas experiências realmente estranhas, como um grupo de porcos selvagens surgir na minha frente na floresta, enquanto eu estava trocando de objetiva. E acho que um grupo de pessoas de terceira idade na trilha teve o maior choque de suas vidas quando depararam-se com meu protagonista mascarado no meio da névoa da manhã.
Como você descreveria o seu trabalho?
Não é fácil para mim descrever o meu trabalho. O processo não é algo completamente racional como a produção de fotos editoriais. Tem muito a ver com meus humores e emoções. E acho que encontrar palavras para descrever estas sensações não é o meu maior talento.
Você fotografa tudo com uma pinhole? Você revela, amplia, processa suas próprias imagens?
Eu faço muitas das fotos com minha lente pinhole, porque ela cria esse efeito difuso e desfocado. Mas ao mesmo tempo tenho uma grande coleção de outras objetivas que eu fiz, feitas de brinquedos óticos, lixo de plástico, e silver tape. Adoro efeitos visuais psicodélicos e passo bastante tempo testando coisas novas como fresnéis ou lentes caleidoscópicas. No passado eu ampliava minhas próprias fotos, até que encontrei parceiros realmente bons, que revelam minhas fotos com uma qualidade realmente profissional, o que deixa meu tempo livre para criar novos trabalhos.
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