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Magnum no Brasil

[ Garapa | 4 ago 2009 | 4 Comments | 2.352 visitas ]
foto: Elliott Erwitt

foto: Elliott Erwitt

Uma das galerias que estará presente no Paraty em Foco deste ano é a Babel. Coordenada pela jovem galerista Jully Fernandes a Babel conta com um belo mix de nomes conhecidos pelo mercado e novos talentos. Como se a descoberta desses novos trabalhos já não fosse o bastante, Jully também passa a representar a lendária agência Magnum no país. Mais detalhes no site do Estadão.

A partir de agora palestras, fotos e exposições na América Latina envolvendo fotógrafos da agência, passarão por suas mãos. Com isso a fotografia brasileira e seu público se beneficiam de maneira enorme com as possibilidades amplificadas da presença do staff da Magnum aqui no país. Para se ter uma idéia do que isso representa, conversei há pouco com um desses novos taletos da galeria, o fotógrafo e amigo gUi Mohallem (que terá obras na exposição do PEF desse ano) e um dos nossos assuntos foi exatamente sobre o que é essa parceria e como ela deve se desenrolar.

gUi contou que o contato com a Magnum dentro da Babel já era existente por representarem obras de membros como Thomas Hoepker, Elliott Erwitt e Martin Parr e aqui o fotógrafo destaca a atenção dada por Jully aos autores de suas coleções, como em uma viagem a Nova Iorque quando na casa de Thomas Hoepker a galerista pediu sua permissão para revirar os arquivos de fotos inéditas e catalogou com post its as séries que queria ampliadas. Hoepker relatou que poucas vezes uma pessoa teve tanto cuidado e atenção com suas obras e assim Jully foi conquistando a agência e consolidando a Babel como uma das principais galerias do país.

foto: Thomas Hoepker

foto: Thomas Hoepker

“É como se, a partir de agora tivessemos uma ponte direta entre a Magnum e uma galeria do Brasil… uma via expressa mesmo por onde se possibilitam exposições, palestras, festivais… enfim, uma aproximação de verdade!”, relata gUi.

Para ele, estar no time da mesma galeria representa uma oportunidade de conhecer esses “fotógrafos-heróis”, segundo ele mesmo. Além do contato gUi Mohallem também ressalta o quanto essa oportunidade de encontros mais frequentes poderá se afirmar como um diálogo de troca de experiências entre o que acontece em fotografia aqui e como isso se se deu, se dá e se dará em mercados como europa e américa do norte, dois dos grandes filões da cooperativada Magnum.

Seguindo o papo e pulando a agência, aproveitei o contato com o fotógrafo para falarmos das séries que ele tem feito para a Babel. gUi começou narrando a própria entrada na galeria:

“Conheci a Jully por acaso, através de amigos. Trocamos cartões e ela acabou conhecendo meu flickr. Depois de um tempo ela me disse que uma das coisas que chamou a atenção dela para o meu trabalho foi que as galerias do flickr eram todas bem separadas, com séries que eu julgava mais definidas, embora naquele momento fosse mais uma reunião de best of de portfólio”.

Nesso ponto gUi conta que ter entrado para a galeria foi um grande aprendizado de processo para ele, especialmente na elaboração de conceito de séries:

“Até então eu tinha um apanhado de fotos que eu gostava, mas que não tinham um linha narrativa bem deifinida. Dentro da galeria a gente aprende a fechar séries mesmo, compôr, pensar, editar… enfim. Foi assim que eu comecei a desenvolver a série sobre a loucura, que é um encontro de tema (loucuras pessoais de cada um dos fotografados), técnica (pinhole digital) e personagens, já que é a partir da conversa que tenho com cada um dos fotografados que surge esse trecho de fala que acompanha cada imagem. Já a série de abandonos é um trabalho pesado de edição, de encontrar as melhores relações, as que narram melhor uma história”.

“eles  nunca  conversaram  comigo  sobre  essas  coisas.   eu  tava  viajando  quando  eles  decidiram  se  separar,   tava  longe  quando  minha  mãe  foi  morar  com  outra  mulher.   todo  mundo  age  como  se  estivesse  tudo  bem,  quer  dizer…  tá  tudo  bem…  tá  tudo  bem…" foto: gUi Mohallem

“eles nunca conversaram comigo sobre essas coisas. eu tava viajando quando eles decidiram se separar, tava longe quando minha mãe foi morar com outra mulher. todo mundo age como se estivesse tudo bem, quer dizer… tá tudo bem… tá tudo bem…" foto: gUi Mohallem

Aqui o fotógrafo ressalta outra das características desse trabalho de narrativas:

“Nem sempre a foto que mais contribui para um trabalho, a que mais fala mesmo… nem sempre ela é a mais bonita esteticamente… ou seja, muita coisa mudou do flickr de momentos ‘best of’ para um trabalho desenvolvido de narrativas mesmo”.

Então ficam aí as dicas: trabalhar bem as séries do flickr e começar a abrir espaço nas agendas pois teremos cada vez mais espaços de discussão e fotógrafos da Magnum envolvidos nelas aqui em terras tupiniquins!

Leo Caobelli

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4 Comments »

  • Fernando E. Aznar said:

    Até prova em contrário, parece que a Magnum segue um modelo de negócios diferente de outras agências que foram ou estão à caminho do brejo; quem sabe poderiam entregar o ouro dessa práticas de gerenciamento num futuro workshop… de toda forma, é bom ver que não vivem exclusivamente das glórias de outros carnavais.

  • iata said:

    Parabéns a Jully, é fruto de muito trabalho!
    Iatã

  • juan esteves said:

    Em primeiro lugar, a idéia da Babel representar a Magnum no Brasil é ótima. Jully Fernandes tem provado ser uma excelente business woman e conhecedora do metier e não derrapa na credibilidade como muitas outros galeristas brasileiros .Só temos que louvar a idéia! Viva!
    Em suas várias tentativas – há décadas – para atender o mercado brasileiro, a Magnum passou por várias mãos. Algumas ótimas e outras nem tanto. Tivemos um bom trabalho do Marcus Vinicius, na décadas de 80/90, através da Sigla, agência no país que não somente representou a Magnum mas outras grandes como Black Star e Gamma. Depois a Magnum adotou outros procedimentos e em 2004 haviam os jornais notíciado uma nova representante para a América Latina, Abigail Ramsey , instalada em Salvador, Bahia, que também, de uma hora para outra, não ouvimos mais falar, embora a imprensa especializada na época tenha badalado bastante a história.

    Em sua ótima palestra no Paraty em Foco de 2007 Thomas Hoepker, ex-presidente da Magnum já previa que o mercado de venda de arquivos, para as agências de fotografia estavam no sentido descendente, mesmo para a sua famosa Magnum, em parte pelas ações agressivas de empresas como a Corbis e outros bancos de imagens que estão vendendo arquivos a preço de bananas.

    Hopker, como pensam muitos fotógrafos hoje, colocou ao público presente que lotou o auditório, que seu grande negócio é mesmo vender imagens para parede. Ou melhor que este é o futuro da fotografia! . E, neste sentido, ilustrou com muitos prints seus o Centro de cultura de Paraty. A própria Jully é testemunha disso, pois tem vendido muitos dos seus prints no mercado brasileiro.
    Muitos dos cooperados da Magnum que já vieram ao Brasil dar workhops, e/ou palestras, ou fazer exposições, concordam com ele e seguem a mesma balada. Caso do Eliott Erwitt, René Burri, David Alan Harvey , Bruce Gilden, Alex Majoli, Susan Meiselas, Martin Parr, Martine Frank, Bruno Barbey e o atual presidente Alex Web, entre outros.
    A solução para Hopker e outros fotógrafos, está no mercado de arte fotográfica. E disso a Babel, com Jully a frente está entendo bem do assunto, e de certa forma de maneira pioneira, expandindo o mercado de arte fotográfica como raramente foi feito antes.
    Curiosamente um grande precursor deste mercado, até mesmo em caráter internacional – pois para nós não interessa somente ter prints de grandes fotógrafos sendo vendidos aqui no Brasil, e sim também vendermos nossa producão lá fora – é o espanhol Miguel Rio Branco, um cooperado de longa data da Magnum Photos.
    Rio Branco em sua bela obra, tem frequentado os leilões da Sotheby's e seu nome está difinitivamente atrelado mais a arte do que ao documental do inicio de sua carreira, pelo qual foi aceito como membro da Magnum.
    Nos últimos 10 anos, tivemos uma grande frequência de visitas de cooperados da Magnum, que já haviam aberto canais de relacionamento extremamente satisfatórios, com exposições antológicas como a de Eliott Erwitt, na Leica Gallery de São Paulo, do galerista Cliff Li, palestras de René Burri no Centro de Artes e Comunicação do SENAC, palestras de David Alan Harvey para a HP do Brasil, palestras de Martine Frank em Porto Alegre, exposição do Alan Harvey no MIS, em São Paulo, exposição de Antoine D'Agata na Pinacoteca do Estado e em Salvador agora, palestra (memorável) de Josef Kouldelka no MASP, Museu de Arte de São Paulo, e exposição de sua série CHAOS no mesmo museu, e além de tudo, uma belíssima mostra de Henri Cartier-Bresson também no MASP, em 1986, se não me engano…. (E falando, nisso, o mestre francês, terá mais uma mostra aqui em SP no SESC Pinheiros, agora em setembro.)
    Ou seja, estamos torcendo para que a administração Jully/Babel continue a nos brindar com essa frequência onde intercâmbio e aprendizado com grandes mestres seja numa aula ou numa exposição nos faz tão bem!
    Sucesso a querida July, longa vida a Magnum!

  • Luiz Marinho said:

    Parabéns Juan! Seu texto ficou ótimo! Uma "verdadeira" retrospectiva da presença da Magnum no Brasil nestes últimos anos…

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