New York, seus fotógrafos e seu jornal
Embora a fotografia tenha nascido em Paris, sem dúvida é Nova York a cidade onde ocorreu o casamento mais perfeito entre a imagem da cidade, sua auto-estima, suas fotografias e seu grande jornal.
O New York Times fez a crônica quase completa do movimento fotográfico, não só nos Estados Unidos, mas em grande parte do mundo. Agora, acaba de recomendar a leitura do último livro de Phillip Gefter, editado pela Aperture: Photography after Frank. É verdade que se trata dos ensaios do escritor e ex-editor de fotografia do próprio New York Times, em sua maioria publicados no mesmo jornal.
Independente dessa circunstância, trata-se de deliciosas análises e reflexões, ricas em informação, sobre vários aspectos da fotografia contemporânea, a partir do revolucionário trabalho de Robert Frank nos anos 50. A interessante questão da fotografia documental é um dos temas centrais do livro, dividido em seções que abordam alguns dos mais importantes tópicos do questionamento atual: o documento, o documento encenado, fotojornalismo, o retrato, a coleção, o mercado.
O trabalho de Lee Friedlander, Stephen Shore, Richard Misrach, Avedon, Penn e Lorca di Corcia, por exemplo, é mostrado e discutido.
Esta semana o NYT, em artigo de Ken Johnson, nos conta que, no último inverno, quando a economia da arte parecia especialmente preocupante, um grupo de marchands da cidade se reuniu e resolveu montar um espetáculo para levantar os ânimos. Surgiu, assim, “New York Photographs”, “um tributo de verão à cidade mais bacana do mundo”.
Treze galerias montaram exposições, algumas focadas em artistas, outras em temas como sexo ou musica, formando um conjunto espetacular.
Entre as exposições, pode se ver tanto o branço e preto dos anos 40, como o que se faz de mais contemporâneo: Louis Stettner, Philip-Lorca di Coccia, Helen Levitt, Cindy Sherman, Richard Prince e Bruce Davidson, entre tantos outros.
Destaque para a Yossi Milo, a galeria que representa Loretta Lux, que mostra Diane Arbus, Nan Goldin e Ryan Weideman, com o sugestivo titulo “Sexy and the City”. E, no polo oposto, para a Laurence Miller, que apresenta trinta ampliações inéditas (proof prints) de Helen Levitt, feitas entre 1939 e 1942.
Na Yossi Milo, temos o beijo de Alfred Eisenstaedt, casal festejando o fim da guerra no Times Square em 1945, a drag queen de Nan Goldin numa rua da cidade em 1990, uma mulher em topless cercada por uma multidão no Central Park, de Garry Winogrand, e os casais homosexuais do West End Pier, por Alvin Baltrop. Uma bela celebração da diversidade.
Feliz a cidade que é celebrada pelos seus fotógrafos, que são celebrados por um grande jornal, que celebra uma grande cidade, que …
***Veja também o slideshow do New York Times.
Algumas recomendações do Times:
‘BILL JACOBSON: NEW YORK,’ Julie Saul Gallery, 535 West 22nd Street, Chelsea; (212) 627-2410, saulgallery.com.
‘FIRST PROOFS,’ Helen Levitt, Laurence Miller Gallery, 20 West 57th Street; (212) 397-3930, laurencemiller.com.
‘GLITZ & GRIME: PHOTOGRAPHS OF TIMES SQUARE,’ Yancey Richardson Gallery, 535 West 22nd Street, Chelsea; (646) 230-9610, yanceyrichardson.com.
‘LIVE FROM NEW YORK …,’ Bonni Benrubi Gallery, 41 East 57th Street; (212) 888-6007, bonnibenrubi.com. Through Sept. 5.
‘NEW YORK PHOTOGRAPHS … THE STATUE OF LIBERTY,’ Hasted Hunt Gallery, 529 West 20th Street, Chelsea; (212) 627-0006, hastedhunt.com.
‘SEXY AND THE CITY,’ Yossi Milo Gallery, 525 West 25th Street, Chelsea; (212) 414-0370, yossimilo.com
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