Entrevista | Pedro Martinelli
“Alexandre, tudo bem? Vou tentar responder com o tempo e a boa vontade da linha que tenho à disposicão. Estou em viagem”.
Pedro Martinelli começou assim o e-mail que continha as respostas para as entrevista, enviada dias antes. Isto é Pedro Martinelli: “Estou em viagem”.
Pedro estava em Manaus e respondeu umas poucas perguntas para o blog do 5º Paraty em Foco. No festival, ele irá ministrar o workshop “Projeto Pessoal: Processo de Criação e Produção”.
Esta entrevista deve está com cheiro de “jaraqui com baião de dois”.
Aproveitem!

Fotos: Pedro Martinelli
Aldeia Kuikuro (MT), 2000 e Rio Içãna (AM), 2002
O workshop que você ministrará em Paraty é “Projeto Pessoal: Processo de Criação e Produção”. Quando você sentiu que deveria partir para um projeto pessoal e se afastar da grande imprensa ou do dia-a-dia de uma redação?
A intenção de documentar a Amazônia começou na expedição de contato com os índios gigantes e as conversas com Claudio Villas Boas de 1970 a 1973. O projeto começou a ser elaborado em 84, logo depois que sai de Veja. Onze anos depois, eu sai do Estúdio Abril e fui para a Amazônia fazer o livro “Amazônia O Povo das Águas”.
Você tem um projeto fotográfico que se confunde com a sua vida: a Amazônia. O fotógrafo ter um projeto tão “grande e longo” como o seu é mais fácil para a criação e o relacionamento com o assunto? Ou projetos fragmentados são mais fáceis para conceber?
Eu não sei. Mas no meu caso as coisas estão totalmente atreladas. Acho que projeto longo não é garantia de conforto, mas levei em consideração o prazer de estar no mato, de gostar de estar lá, de poder falar com o caboclo que vive dentro do mato e eu tenho grande admiração. Independente de fotografia, é com quem eu gosto de conversar. A outra coisa é que eu me conheço dentro do mato, sei como viver lá.
Qual a importância de um Festival como o Paraty em Foco para o desenvolvimento e fomento da Fotografia Brasileira?
Além do encontro em si, sempre bastante saudável, conhecer gente nova e rever os velhos amigos, serve também para rediscutir a relação.
O seu blog se destaca muito pela contação de histórias e pelo resgate da memória. O ato de escrever faz parte do amadurecimento da criação fotográfica?
Eu não conseguiria escrever se não fosse para publicar. É um bom jeito de relembrar os fechamentos das redações. É um veículo de comunicação próprio que pode ser tratado como uma revista ou como um jornal.
Pedro, no Brasil, qual a maior dificuldade para um fotógrafo publicar um livro?
Receber o orçamento da gráfica, falar com diretor de marketing, com editor, com distribuidor e com as livrarias. Esta é parte desgosto. Prazer é fotografar com o dinheiro do próprio bolso para ter liberdade e independência.

Fotos: Pedro Martinelli
Parintins (AM), 2005 e Rio Iriri (MT), 2000

Fotos: Pedro Martinelli
Ilha do Marajó (PA), 2005 e Rio Içãna (AM), 1999
Veja mais posts de Alexandre Belém






Conhecemos Pedro Martinelli em 97, numa atividade do Curso Abril de Jornalismo.
Naquela época vinha uma idealização , meio clichê: "Quando crescermos queremos ser que nem ele"
Hoje o nosso Blog fica melhor! E a vontade de amadurecermos, para termos uma relação como essa de Pedro com a fotografia, continua…
Referência!!!!!!
[...] uma entrevista com Pedro Martinelli para o blog do 5º Paraty em [...]
É Pedrão, mato é vida. Que seja longa essa estrada ….abraços, paula sampaio
Fantástico Pedrão, o conheci nos anos 70 ~ 80…. Espero que se lembre, pois estarei no Paraty.
É uma Honra encontrar com esse " Mestre " da Fotografia .
Um gde abç André Santiago – Fotógrafo
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