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Projeto Lambe Lambe, foi assim que começou?

[ Cia de Foto | 26 ago 2009 | 32 Comments | 9.976 visitas ]

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Fotos do projeto Lambe Lambe

Oi Georgia, estávamos, aqui na Cia, tentando lembrar um pouco a história recente da fotografia em Pernambuco. Como toda lembrança é muito mais afetiva do que factual, elegemos o Projeto Lambe Lambe como uma ilustração da origem desse movimento celebrado pelo Paraty em Foco.

Durante anos, ser fotografado virou o programa de todo mundo no carnaval de Olinda. O sábado de Zé Pereira amanhecia cheio de pessoas fantasiadas pelas ruas a caminho do MAC, (Museu de Arte Contemporânea de Olinda). Era nas escadarias em frente a esse museu que o pessoal da Imago fotografava com Polaroids, incessantemente, todos os foliões que posavam, durante os quatro dias de carnaval. Foi a primeira vez que Pernambuco experimentou uma fotografia de entretenimento, uma realização que saia do meio fotográfico e mobilizava o Carnaval de Olinda. Ser fotografado passou a ser um dos principais programas e ganhou a força que tinham as tradições do Carnaval. Passar pelo Lambe-Lambe era tão essencial quanto sair a tarde no bloco Eu Acho é Pouco.

Daí vieram outras realizações  com essa característica de movimento, como o Blog Olha,vê. Ou, o recente, porém super dinâmico e instigante, curso de fotografia da AESO ou, ainda mais recentemente, a Galeria Arte Plural. Esse espaço atual, bem no bairro antigo de Recife, que é o sucessor da mais importante  escola para todos daí, a Galeria Observatório, criada por Gleide Selma, que tem o mérito de ter sido a mestra de quem faz a  atual fotografia de Pernambuco. Foi da escola de Gleide que saiu grande parte da energia que faz toda essa movimentação.

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Foi a escola Observatório que formou Mateus Sá, Beto Figueiroa, Bárbara Wagner, Flávio Lamenha entre outros tantos. Aliás, quase todos passaram por lá, não é mesmo? Quase todos que agitam esse Recife de Deus!

Além de escola, era uma Galeria. Para termos uma ideia, a exposição que cerrou as portas do Observatório foi a de Claudia Andujar. Antes disso, tivemos Miguel Rio Branco, Celso Oliveira, Pierre Devin, o cubano Mario Diaz, Eustáquio Neves, Chikaoka e mais um monte de gente.

Aliás, nos permita lembrar de Luiz Santos, que agitou uma primeira semana de fotografia em 2000, e que assumiu a gerência de Fotografia criada pela Secretária de Cultura da Cidade do Recife. Gerência, atualmente, conduzida por Mateus, e que resultou em grupos de estudo, projeções pela cidade, no projeto Linguagens e em mais duas edições de uma Semana de Fotografia para lá de instigantes.

E ainda, devemos falar da época em que Breno Laprovítera fotografava para o jornal, que também foi uma escola. Aliás a primeira, a precursora. Breno fez um trabalho que foi traduzido por a gente como repertório. Ele fez, somente fotografando, a gente querer ser fotógrafo.

Nos permita, Georgia, mais um nome nesse post, resumitivo e portanto injusto, o de Daniel Berisson. Recife, a própria Imago e também o Observatório tiveram Daniel Berisson. Será que a gente deve acreditar em talento? Bem, Daniel Berisson é real, sua fotografia existiu.

Nós tivemos alguns fotógrafos para além do mérito de metier. Daniel era esse além. Para quem o conhece, basta falar seu nome que se faz, tacitamente, toda conclusão afetiva de um trabalho de fotografia. Falar de Dani inspira.

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Rodrigo Braga
tem também uma função importante em todo esse processo, não tem?

E mais um, o grande trabalho de Geyson Magno, Encourados. Aqui, a fotografia foi ser maior. Um ensaio que se definiu em equipe. Além de Geyson, um time de jornalista, designer, músico e artistas plásticos, se uniram em torno de um argumento fotográfico. Pernambuco assitiu uma exposição de parar a cidade, reverberada por todo tipo de rádio, jornal, tv ou veículo de impressa possível. Encourados foi o blockbuster (o arrasa quarteirão!) da fotografia de PE. O mais bem sucedido ensaio de fotografia.

E Geyson, foi da Lumiar. Outra escola que ensinou Pernambuco a trabalhar. A Lumiar fez a independência de sermos fotógrafos para além dos jornais. Criou referências de banco de imagens e organização coletiva. A Lumiar foi uma empresa de fotografia! E de lá também foram Leo Caldas, Belém e Eduardo Queiroga, curador dessa mostra que teremos em Paraty.

Mas, para elegermos o que pode ser chamado de origem, para falarmos de Imago, Lumiar, Canal 03, Observatório, Gerência de Fotografia da Prefeitura, Blog Olha, vê e Arte Plural, para falarmos de seu trabalho, Georgia, frente a  AESO e, por fim, para celebrarmos uma produção crescente e jovem, que se faz em PE, pedimos licença para dizer que o Lambe-Lambe foi o bloco que empurrou todos até aqui.

Quem um dia for para Pernambuco, saiba que o carnaval é a data mais importante.

O Estado se faz em festa. E saiba que dentro dessa festa, existe fotografia proliferada como diversão, pela turma que faz o Lambe-Lambe.

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32 Comments »

  • Geyson Magno said:

    Eu acredito que foi sim e acrescentaria nessa linha do tempo os nomes de; Vlademir Barbosa, Jarbas Jr., Roberta Guimarães e Fred Jordão. O primeiro que foi na minha opinião um Telê Santana no comando de uma equipe e os outros três que também carregaram e carregam o estandarte do Lambe-Lambe nos sábados de carnaval.

  • Cia de Foto said:

    Oi Geyson, obrigado por compartilhar as lembraças. Jarbinhas,Fred e Roberta, fazem também e muito parte de nossa história fotográfica, que no Post são representados pela Imago e Lambe-Lambe, não são? Eles eram um time, e foram creditados assim.

    Vlademir Barbosa, linda lembrança. Merecida, claro. E temos outras grandes figuras.Heitor Cunha e Otávio, pelo Diário de Pernambuco. O grande Pedro Luís, Arruda e, com todo carinho desse mundo, o querido João Bitta. Figura inesquecível e fundamental para gente, não foi?
    Aliás, dia desses estávamos com Orlando Brito, dividindo uma mesa de palestra, e sabe de quem ele falou? Mariana Guerra. É muita gente boa de lembrar, né não?

  • Arnaldo said:

    João Bita, figura fundamental para todos. Bela lembrança. Muita gente boa passou pelas suas mãos. A carreira de laboratorista se encerrou no jornal devido ao digital, mas agora exerce a profissão de fotógrafo graças a Breno e Jarbas. Logo no fim de uma profissão ele conseguiu justamente aquilo que queria à vida inteira, ganhar o seu tirando fotos e não somente revelando e ampliando as fotos dos outros… O mundo dá muitas voltas…. Grande mestre. Imortal, Imortal.

  • Georgia Quintas said:

    Cheguei…
    E que bom compartilhar essas memórias com Geyson e Arnaldo também.
    Sim, o Lambe-Lambe é fato. Importante em sua proposta de iniciação, de vibração de um grupo de fotógrafos e de conquistas enquanto realização sistemática do registro (até diria, lúdico) do Carnaval. O livro é fonte para nós e para os que virão, não é mesmo?
    Sempre falo que gosto do tempo. Daí, também gosto de dizer que somos de uma geração que vimos coisas lindas. E o melhor de tudo, pessoas que a fotografia nos "trouxe". Todos da Imago fazem parte do meu repertório. Lembro-me, adolescentes, estávamos lá num curso noturno naquela bela casa nas Graças realizado pela Imago. Lembras disso, Pio?

    Segue…

  • Georgia Quintas said:

    As imagens que conheci ali eram fortes, deliciosamente distintas. Nem sei se ocorreram outros cursos… Mas aí, cruza-se uma outra história importantíssima e pergunto: "O Jornal não foi o início de tudo?". A Imago é prova disso – um pessoal que trabalhava em jornal – e a Lumiar também!
    Acho que o fotojornalismo, leia-se neste caso trabalhar no jornal efetivamente, foi a escola da vida e da formação para muita gente. Geyson e Arnaldo lembraram de profissionais significativos. Mariana, talentosa… E Vládia… Michael, Alcione, Lobo, Porto, Severo… E o grande Alex Braga? O jornal é uma iniciação. Quase que um batismo, rito de passagem. Ainda hoje, fetiche para jovens fotógrafos. De fato, aprende-se muito.
    Não há como não rever o passado (lá se vão quase duas décadas) sem ser memorialista.
    Não tenho a polaroid do Lambe-Lambe, nem estou no livro. Mas, todos eles estão na minha formação. Impregnaram meu olhar.

  • Arnaldo said:

    Oi Georgia, como sempre suas importantes colocações e excelente memória.
    Acho que Jornal foi e ainda continua sendo uma bela escola da vida e de formação para muita gente, e assim vai continuar sendo pra quem resolver trilhar esse caminho, mas também é evidente que pelas bandas de cá isso já começa mudar, outras janelas se abriram. Basta ver a movimentação que está rolando no Estado (Formação na AESO, APG catalisando e expondo, fotógrafos lutando pela categoria nos poderes públicos municipais e estaduais, projetos sociais como o Fotolibras, Grupo de discussão na Internet, muita figurinha sendo trocada, Belém mesmo trabalhando no JC conduzindo com maestria o Olha Vê e editando esse excelente espaço…)
    E só para não se ficar falando no Projeto Lambe Lambe como algo do passado, Jarbinhas e Breno ainda continuam a frente do Projeto Lambe Lambe que há quase dez anos se mudou das escadarias do MAC, em Olinda, onde "tudo começou" (com Roberta, Fred, Jarbas e Breno) como a CIA falou no post, para as ruas do Recife Antigo. Olinda já não dava mais pelo mela-mela, prejudicando os equipamentos.
    Um rico acervo capturado nos últimos anos continua inédito, um livro novo deve vir por ai, não sei quando. Breno ou Jarbas podem responder.
    Quanto a você não ter a Polaroid do Lambe Lambe, quem sabe neste próximo Carnaval você não aparece lá pela lona pra ser clicada junto com Belém e a bela Sofia, ai poderá guardar uma de lembrança também. Estou tomando a iniciativa de te convidar porque nos ultimos 6 anos participo, junto com Xirumba como fotógrafo convidado e nem Breno nem Jarbas se pronunciaram.
    P.S. Roger (na primeira foto do post), Joelson ( na segunda foto) e Márcio Markman (na útlima foto) aparecem todos os anos com suas fantasias. Algum dos meninos da CIA se não me engano ( desculpem mas é que memória de pernambucano costuma ser curta), já passou por lá, no Recife Antigo, em carnavais recentes e foram registrados.

  • Pio said:

    Oi Georgia, o jornal foi sim um começo: "E ainda, devemos falar da época em que Breno Laprovítera fotografava para o jornal, que também foi uma escola. Aliás a primeira, a precursora. Breno fez um trabalho que foi traduzido por a gente como repertório. Ele fez, somente fotografando, a gente querer ser fotógrafo."

    Oi Arnaldo, vc não se engana! Aliás eu particulamente tenho mais de seis caranavais fotografados pelo Lambe-Lambe! E mantenho guardadas e com muito carinho essa coleção de fotos que considero uma história. Uma das fotos desse post, por exemplo é de Juliana, mãe de meus filhos, que nessa imagem tinha 15 anos! Vc pode imaginar o quanto temos afetividade por esse projeto.
    Bem, e o Lambe-Lambe continua vivo sim: "Quem um dia for para Pernambuco, saiba que o carnaval é a data mais importante. O Estado se faz em festa. E saiba que dentro dessa festa, existe fotografia proliferada como diversão, pela turma que faz o Lambe-Lambe".

    bjs!

  • Arnaldo said:

    Pio, por falar rm lembranças, citei acima Xirumba, você o conhece, mas boa parte da galera de fora de PE não.. Taí um cara que merecia uma atenção especial. Acho muito bom do trabaho dele, despretensioso e me que encanta. Ele é a cara do povo e fotografa o povo. É roots.
    Belém, fica aqui uma sugestão de um post. Não sei se Xirumba mandou algo para o PEF, mas pra mim ele também é referência Tanto nas maluquices quanto na fotografia, não somente na música Xirumba-ba-ba gerê gererê…. cantada por Alceu.
    abraço.

  • pio said:

    Poxa, claro! Xirumba.

    Tem tbm um trabalho super legal de iconografia na Fundaj, Não tem? Eu lembro de ter ido algumas vezes a esse acervo. Vcs sabem detalhes?

    abs

  • cristiano said:

    detalhes sobre o que exatamente, Pio? sobre o que tem no acervo iconográfico da Fundaj em geral? ou algum trabalho específico dentro dele?

  • pio said:

    Oi Cristiano, sobre todo o acervo..
    Quem cuidou um tempo foi a filha de Alcir Lacerda, não foi isso? Lembro que a primeira vez que entrei lá senti um profundo respeito pelo lugar, quase religioso(rs). Emocionante.

    É que agente costuma falar de fotografias, mas esquecemos um pouco as realizações de instituições como essa.

  • cristiano said:

    bem… o acervo é enorme e continua crescendo, aberto não só a consultas como também a receber doações – e agora, mais do que nunca, muito bem preparado pra lidar com o suporte digital.
    a filha de Alcir (Albertina), é coordenadora de todo o setor de acervo documental histórico da Fundaj (iconografia, som, cinema, a pinacoteca…).
    de fato, é um tesouro.
    se quiseres saber de algo mais sobre esse assunto, dá o toque. posso procurar responder.
    abraço.

  • flavia said:

    que delicia de registro. enxurrada de imagens brotando da memoria. obrigada, piolo !

  • dokstra said:

    oxi!, titio ganso pintou o cabelo?

  • Georgia Quintas said:

    O acervo iconográfico da Fundaj é valiosíssimo. E tem sim uma aura sacra. É bem cuidado, mantido e conta com profissionais muito especiais. Sempre prestativos e gentis. Albertina Malta (nossa querida Betty, filha de seu Alcir) é coordenadora geral do Centro de Documentação e Estudos da História Brasileira da Fundaj. Durante anos, esteve diretamente gerindo o departamento iconográfico. A história de Pernambuco, a vida cotidiana, a história social e cultural, entre tantos aspectos “vivem” lá. É uma coleção formada substancialmente por doações. A Fundaj figura entre os mais importantes acervos iconográficos do Brasil. Tenho carinho especial…Passei uma das fases de maior imersão fotográfica da minha vida lá, ao investigar para o doutorado.
    Abraços.

  • cristiano said:

    gostei da idéia da "aura sacra", Georgia. é sempre bom destacar o papel do Cehibra como templo maior de documentação dos nossos registros fotográficos. é algo do qual devemos realmente nos orgulhar.
    esse valor foi reconhecido oficialmente até pela Unesco recentemente, mas nem sempre é muito lembrado fora do meio acadêmico.
    pessoalmente, foi um ambiente que também teve (e tem) papel primordial em despertar meu gosto pela fotografia. hoje conheço ele "de dentro", e o deslumbramento é ainda maior.
    lembrando, inclusive, de tudo que tem por lá (os autores, as coleções), acho até difícil descolar a história recente da fotografia em Pernambuco de tudo que já vinha sendo feito antes. enxergo tudo muito mais como continuidade do que como ruptura. será que não foi assim que de fato começou?

  • Maria Chaves said:

    Que coisa boa lembrar do Lambe-lambe em Olinda! Eu, particularmente, bato meu ponto lá todo carnaval até hoje, mas como boa olindense, nada se compara à época do MAC.

  • Márknol said:

    Não sou fotógrafo, mas acompanho tudo isso de perto, desde um pouco antes do Lambe-Lambe ganhar as escadarias do MAC e se tornar uma referência para a fotografia, a cultura e o próprio Carnaval de Pernambuco. Entendo o que Pio quis dizer. Jornal existiu a vida toda e o fotojornalismo idem. Uma puta escola, sem dúvida, da qual eu, como editor, acompanhei ainda mais de perto. Mas o Lambe-Lambe elevou a fotografia a algo além do jornal. E aí a Imago vai ter sempre esse mérito de precussora dessa história. Pio e outra rapaziada passaram pela Imago, não? Depois a Lumiar, que revelou um outro mercado, fora do jornal. E Luiz, Matheus e agora Geyson, na Fundarpe, lutando pela fotografia como área cultural, sem as amarras de quem é considerado uma subdivisão de outra área. A fotografia pernambucana é foda… Consegue até deixar o cabelo de um ganso grisalho mais escuro. Ou será isso efeito da alucinação?

  • Marknol said:

    Tem outra coisa importante e que não foi falado sobre a fotografia pernambucana. Sem reverência babaca. É claro que Pio não ia citar isso, ia parecer pedante. Mas, como estamos longe do centro nervoso do País, a ida de Pio, Gilvan Barreto, Ricardo Borba e outros caras para São Paulo, Rio e Brasília foi importante para que o povo de outros estados descobrissem que aqui se produz "de com força" e com qualidade. Ou não foi? Infelizmente, o espaço para projetos como o Encourados ainda é incipiente em Pernambuco e o próprio Encourados ainda carece de rodar mais pelo País e para fora dele.

  • Alexandre BElém said:

    Márcio,

    Você tem toda razão. Por sinal, Ricardo Labastier (ex Borba) foi selecionado para o Pirelli/Masp desse ano e pouca gente sabe: http://site.pirelli.14bits.com.br/autores/270

    "Encourados" é muito pouco conhecido, até aqui na Veneza Brasileira. Trouxe ele para o blog do Paraty: http://www.paratyemfoco.com/blog/2009/07/encourad…

    Por sinal, Geyson é o próximo convidado do Foto em Pauta em Belo Horizonte. Um dos eventos mais legais da fotografia brasileira.

    Legal ver gente que não é fotógrafo colocar a opinião. No seu caso, um cara "de dentro".

  • Alexandre Belém said:

    "Breno fez um trabalho que foi traduzido por a gente como repertório. Ele fez, somente fotografando, a gente querer ser fotógrafo."

    Eu me encaixo nisso totalmente.

  • Pio said:

    Quanta gente massa por aqui!

    Oi Cristiano, concordo com você, acho que se culmina de uma continuidade. O lance é que quando a gente comemora um processo, como anda acontecendo nesse Blog, tomamos cosciência, e isso fabrica percepções mais fortes. Movimentos assim até mudam a rota, mas não perdem a continuídade.

    Márcio, a foto do AC(alucinação carnavalesca!) ainda hj decora minha casa.

  • queiroga said:

    Geyson, colocaste um ponto interessante e que talvez junte um monte de conexões levantadas nesse post (e comentários). Não gosto muito de tentar achar num ou noutro ponto a origem das coisas, mas sim de entender tudo isso como uma rede, formada por esse emaranhado de nós.

    Vlademir Barbosa juntou essa galera (Breno, Daniel, Roberta, Fred e Jarbinhas), que foi referência para toda uma geração e formaram a Imago e formaram o Lambe-lambe e… e… e…

    Esses cinco renovavam, diariamente, a instigação pela fotografia, nas páginas de jornal. Fez muita gente se empolgar pela fotografia. Eu juntaria também o já citado Otávio de Souza, neste time de referências.

  • dani lacerda said:

    eita, cheguei atrasada, né… mas tá valendo… pio, rapaz, quanta lembrança boa… eu, que nem era tanto de carnaval, tenho minhas fotos do lambe-lambe, lá no mac… claro… como não? e o jornal, pense… faltou heudes nessa enxurrada de nomes que foram referência pra gente… quanta pauta boa surgindo a partir das conversas sobre fotografia, das tuas ideias lindas e das dos meninos, né… pra minha geração, vocês foram o começo… e que começo tão bom…

    falando de jornal… tem uma foto bela de severo na capa do jc hoje (domingo), que faz parte de uma matéria linda, linda que ele fez com joão… dá uma olhada… beijos pra vocês…

  • Arnaldo said:

    Galera, deem uma olhada nesse link, é justamente sobre o que Dani falou. Essa matéria nasceu de uma foto que Severo trouxe da rua durante uma outra pauta. A foto que originou a matéria que João escreveu é justamente essa que abre no link. Depois que lerem a matéria, cliquem na foto pra ver o slideshow. Nós que fazemos jornal no dia a dia, ficamos muito contente quando se tem uma oportunidade de fazer um jornalismo social, engajado, que rende frutos, diante de pautas tão corriqueiras e repetitivas que nos são colocadas.
    http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/pernambuco/n…
    espero que gostem.
    ab

  • Georgia Quintas said:

    De certo, para alguns não foi assim que começou. Esta história aqui contada e reverberada em tantos comentários não é a História da Fotografia enquanto marco na linha do tempo, exposta de maneira didática. Até porque o que para um é a referência de um começo para o outro pode não ser. O que torna muito significativo aqui é que as fotografias feitas pela Imago mexeram com o curso da memória. Comentários de quem não são fotógrafos, mas que "testemunharam" aquele tempo formam coro às lembranças. Passa por aqui, veladamente, a força do retrato fotográfico. A imagem – que não tenho do Lambe-Lambe – é emblemática do meu passado. É Daniela, a imagem que guardas é afetividade pura. Lembro de uma passagem de Bergson que diz que não há percepção que não seja impregnada de lembranças. Percepção muda tudo numa imagem.

  • Pio said:

    Oi Georgia, oi Dani, oi que é gente!

    Uma vez Beto Azoubel, que assina aqui como Dokstra(http://doktorestranho.blogspot.com/) indicou um livro que leio há um ano, "Comunidades Imaginadas", de Benedict Anderson. Um estudo sobre nacionalismo que trata do que se define uma comunidade: a imaginação.
    Como diz Lilia Moritz Schwarcz na introdução, "Nações são imaginadas mas não é fácil imaginar. Não se imagina no vazio e com base em nada…o uso de "nós"…faz com que o sentimento de pertença se sobreponha a ideia de individalidade."

    Partindo desse "nós", esse post foi se refazendo justamente pelas percepções de quem foi entrando. A gente aqui se lembrou, não foi mesmo? Aliás, lembrar é uma habilidade de quem esquece. E é assim que se forma uma cosciência sobre alguma história: vem a memória, um monte de fantasia em cima, muita afetivade, e ei-la!

    Esse Post falou foi de gente, não foi mesmo? De Beto, de Márcio, de Dani, de Mariana Guerra, Gilvanzinho, Ricardo, Betty e Alcir Lacerda, de Bita, Juliana, Joelson, Geyson, Mateus, Dani Berison, Belém… Vixe, dá para imaginar uma Festa!

  • Arnaldo said:

    pra ver se agora vai….

    matéria:
    http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/
    pernambuco/noticia/2009/08/29/
    irmaos-sem-direito-a-brincadeiras-
    a-luz-do-dia-198084.php

    slideshow:
    www2.uol.com.br/JC/soundslide
    /flordapele/

  • Breno said:

    Alô,alô pessoal, entro neste cruzamento de lembranças totalmente fora de tempo e de espaço para os padrões atuais de discussões virtuais. Mas é que fiquei meio que egoisticamente curtindo cada post, meio que sem coragem de me colocar pra não estragar aquele momento solto, de sentimentos e reflexões, sobre o Lambe Lambe e a fotografia Pernambucana.
    Valeu Pio, pelo carinho em relação ao nosso trabalho. As vezes é preciso o olhar de fora para valorizar as coisas por aqui.
    Onde começou? Aí depende do referencial de lembranças de cada um, mas nos idos anos oitenta, quando não tínhamos cursos de fotografia por aqui, a não ser o de Firmo Neto na Casa da Cultura, o fotografo Pedro Ribeiro, nos fez viajar em num curso sobre linguagem fotográfica, onde nos apresentava os mestres como Bresson, Kertez…que influenciaram minha geração. Fazíamos, noitadas de projeções de slides entre amigos, tinham as semanas de fotografia da Funarte, que juntava gente do brasil todo, workshops em Sampa, Revista Íris, livros de foto…
    Sem escola adotávamos mestres, o que mais me instigou foi Tadeu Lubambo, que voltava de décadas na Manchete e foi um Farol, com grandes reportagens publicadas e uma linguagem muito pessoal. Alcir Lacerda, com a sua exposição permanente de fotos na ACÊ FILMES, e portas sempre abertas para orientar e ajudar pessoas interessadas. Fritz Simon e seu estúdio-casa em Casa Caiada. Vlademir Barbosa com o seu faro para fotógrafos e generosidade para olhar e lidar com novo.
    A lista de pessoas é grande mas o local de aprendizado foi nos jornais. O fotojornalismo foi sim a grande escola da minha geração .
    Foi no dia-dia das pautas e na fugacidade da noticia que foram afinados olhares e luzes, e foi negando também esse dia-dia e a falta de espaço que nasceram projetos especiais e as agencias como Imago e Lumiar com trabalhos mais autorais. A falta de editoras e espaços alternativos jogou esta geração nos jornais, vitrine onde podia-se mostrar uma produção e criar uma relação com um público. Não tínhamos a internet e nossa história ficou por aqui. Fora do eixo e mergulhadas somente nas nossa lembranças
    Além do que já foi dito e todos que foram indicados nos posts durante a semana, é importante destacar o que Jarbinhas e Arnaldo tem feito através de iniciativas como o JC Imagem. Trabalhos importantes tem sido alavancados pra fora daqui. Parte do que sonhávamos como organização tem sido conquistada ali, beneficiando com aquele modelo de agencia, o fotógrafos e convidados.
    Apesar da burocracia da UFPE, o prof. José Afonso e o grupo F1 vem pesquisando e mapeando a produção da fotografia Pernambucana, com palestras e entrevistas gravadas, criando assim alguns pilares do nosso ofício.Afonso, que comanda o blog AF, de AutoFoco. (por sinal Afonso pisou na bola e publicou no blog do Paraty uma foto de Roger de Zé pilintra, no Lambe Lambe, sem referencia ao projeto nem a foto polaroide que é nossa.)
    Quanto ao Projeto Lambe Lambe, foi gerado no fértil clima dos anos noventa, fazendo parte da geração do movimento mangue, que teve na musica o seu foco, mas que influenciou e trouxe os holofotes da mídia para o cinema, artes plásticas e fotografia. Atraindo assim o interesse de alguns editores, para a produção que vinha de Pe. Bons tempos dos coletivos em forma de atelier como a Quarta Zona de Arte, os Carasparanambuco, e dos memoráveis shows do Abril Pro Rock.
    O Projeto hoje conta com a participação especial de Xirumba e Arnaldo, convidados para somarem novos olhares e idéias. Graças a organização estrutural que Peixe imprimiu no Carnaval do Recife e a visão de Beto Rezende o Lambe Lambe tem endereço certo no carnaval da cidade, onde foi criado um pólo da fantasia ancorando o Lambe Lambe e o projeto de Charges do cartunista Samuca.
    O Lambe Lambe segue nessa terra difícil, contribuindo na criação de um grande acervo visual personagens da festa de Momo, e como desde o inicio, trabalha devolvendo para o público-co-autor das mais diversas formas expositivas.
    Convergimos fotógrafos, artistas plásticos, diversão e a loucura dos personagens do nosso carnaval, neste palco-estúdio-ao-ar-livre que segundo Arnaldo Carvalho, é o menor teatro ao ar livre do mundo.
    Fora as projeções que são de praxe e atualmente passam a contar com pequenos ensaios em movimento, super-engraçados, fizemos diferentes formas de exposição adesivando imagens grandes de personagens em todo piso do Tacaruna, nos juntamos com italianos na Fundaj para mostra, sobre carnaval, mas estamos devendo ainda o novo livro e DVD do projeto, que em breve terá sua versão móvel e ampliada na Kombi do Lambe Lambe.
    O bacana do Projeto é que muitas das pessoas retratadas voltam com fantasias cada vez mais criativas, trazem seus filhos, cobram a continuidade e realmente começam a encarar o projeto como um bloco. Fico imaginando como não deve ser por exemplo para as filhas de Geyson que tem polaroides desde a barriga e todo ano batem o ponto por lá. Que relação afetiva terão no futuro com o retrato de família no carnaval. Vou parando por aqui. Abraços Breno

  • Pio said:

    Oi Breno, que massa!

    "O Menor Teatro ao Ar Livre do Mundo", O Lambe Lambe, é muito especial por tudo. E seu comentário abre mais um tanto de memória dessa história recente de nossa fotografia, né?
    O que estamos felizes em afirmar, é que ela não começa agora, o Paraty em Foco apenas comemora o que vem de longe, com muita entrega e criatividade por parte dessa trupe toda citada no conjunto desse Post.
    E mais carnavais virão!

  • Com a Lorota e o Itau Cultural | | CIA DE FOTO | said:

    [...] Aliás responsáveis por grande parte do resultado da foto! Essa lona faz referência a um projeto fotográfico lá de Pernambuco, o Lambe-Lambe. [...]

  • Paraty em Foco 2009 » Blog Archive » Com a Lorota e o Itau Cultural said:

    [...] Aliás responsáveis por grande parte do resultado da foto! Essa lona faz referência a um projeto fotográfico lá de Pernambuco, o Lambe-Lambe. [...]

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