Serrote #2, por Juan Esteves
Foto: Carlos Moskovics

Foto: Richard Avedon
Charlie Chaplin (1889-1977)
Serrote #2 | Para ler e ver-ver e ler…
por Juan Esteves
No segundo volume da revista Serrote, uma publicação quadrimestral de ensaios editada pelo IMS-Instituto Moreira Salles, a fotografia está presente de diferentes maneiras, seja na sua expressão mais objetiva, com um pequeno ensaio fotográfico; seja no caráter de apropriação, no uso da mídia para uma obra artística e também no desenvolvimento literário, num ensaio ficcional a partir de uma única imagem. De quebra, uma imagem inédita de Richard Avedon(1923-2004), um retrato do diretor e ator Charlie Chaplin (1889-1977).
O jornalista e premiado escritor carioca Bernardo Carvalho inaugura uma seção chamada “Contraluz”. A idéia é simples e ótima: A partir de uma imagem do acervo do IMS um convidado escreverá sobre ela. Atenção! Não é uma análise da mesma, ou uma digressão teórica sobre seus alcances semióticos, carregados de performances acadêmicas. É um texto solto, onde o autor parte da imagem escolhida para gerar sua ficção. A primeira imagem escolhida é do fotógrafo Carlos Moskovics (1916-1988) e o título do conto é “Um homem de letras”.
Moskovics nasceu em Budapeste, na Hungria e veio para o Brasil ainda criança, em 1927. Aos 15 anos começou a trabalhar como assistente de fotógrafo no Rio de Janeiro. Na década de 40 trabalhou para revistas como Sombra e Rio Magazine. Em belas imagens, Moskovics registrou ícones da vida fluminense como o Cassino da Urca e o Hotel Quitandinha, em Petrópolis. O IMS incorporou seu acervo de mais de 150 mil imagens e no ano passado publicou um belo livro intitulado “Cara de Artista”, uma coletânea de 50 retratos da arte moderna brasileira, com ensaio do escritor Sergio Micelli.
Richard Avedon fez vários retratos do cineasta Chaplin em diferentes fases de sua vida. Nesta edição, um inédito feito em Los Angeles, em 1972. A imagem foi produzida numa série que Avedon fez sobre o mundo do cinema para revista Vogue. Nos dias 11 e 12 de março ele fotografou Jean Renoir, Fritz Lang e John Ford. Entre 9 e 12 de abril, Charlie Chaplin e Groucho Marx, Oscar Levant e Lewis Milestone. A imagem publicada na Serrote até então era inédita. Na revista, também um belo retrato de Groucho, que serve de alavanca para o texto exemplar de Antonio Candido “O grouchismo” escrito em 1941 quando o autor tinha apenas 23 anos.
Na seção “Ensaio Visual” a revista reproduz a polêmica série do pintor alemão Gerhard Richter, baseada na morte de Andreas Baader, Gudrun Ensslin e Jan-Carl Raspe, do grupo terrorista alemão Baader-Meinhof (ligado a RAF, fração do Exército Vermelho). A obra leva o título de “18 de outubro de 1977”. Dia em que os três foram encontrados mortos em suas celas da prisão de segurança máxima de Stammehein. Oficialmente eles se suicidaram, contudo a idéia não foi comprada pela imprensa.
A série de pinturas (hiper-realistas como uma fotografia) é baseada nas fotos publicadas nos jornais da época, e foi exposta em 1989 na Haus Esters, projetada por Mies van der Rohe e convertida no Museu Municipal de Krefeld. Para quem quiser expandir a idéia, vale uma visita ao belo livro de Rosangela Rennó (O arquivo universal e outros arquivos). O link é inevitável e tremendamente construtivo.
A seção “Visão Periférica 1” traz um ensaio delicadíssimo do fotógrafo Jonathan Torgovnik. Retratos de mães com seus filhos. Detalhe: elas são vítimas de estupro e seus filhos a consequência. Estima-se que cerca de 20 mil crianças tenham nascido em Ruanda depois do genocídio de 1994. Os pais eram homens da etnia “hutu” que estupravam mulheres “tútsis”, enquanto matavam, a golde de facão, seus maridos.
As imagens de Torgovnik estão impressas num papel couchê, diferente do papel que traz textos, dando mais qualidade as imagens. Estas estão impressas impecavelmente, como poucas vezes se vê em edições de livros de fotografia. Também, aproveitando o embalo, quem quiser ver este trabalho mais completo intitulado “Intended Consequences” pode acessar o site “MediaStorm” que traz uma versão multimídia, com depoimentos das mulheres. É de arrepiar!!
© Gerhard Richter
© Gerhard Richter
Foto: Jonathan Torgovnik
Foto: Jonathan Torgovnik
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Juan, Belém,
SHOW de bola!
Que trabalho difícil o do Jonathan Torgovnik … Mas delivered!
Belo registro Juan.
Leva uma delas para vermos na reunião no Madalena?
Quero muito ver as telas do Gerhard Richter na impressão da Serrote.
Dificílimo Clicio! No Storm temos os depoimentos das mulheres contando como aconteceu, realmente uma beleza trágica que no movimento multimídia aumenta a sensibilidade pelas imagens.
Levarei sim, meu caro Leo, são mais de dez páginas do Richter! Realmente faz tempo que não vejo uma impressão tão boa.
As imagens do Torgovnik, fazem parte de seu livro Intendend Consequences, Rwandan Children Born of Rape. Um título que é uma porrada (e que só escrevi o começo). Foi publicado este ano pela Aperture. Sempre…A grande Aperture!
Melhor ainda é que a Serrote não comove com aqueles tamanhos enormes de revistas que não sabemos nem mesmo como guardar. Tem o formato da Nat Geo, ótimo!prático! No primeiro número, um ensaio também esclusivo do Gautherout com o pintor José Pancetti na Lagoa do Abaeté, em Salvador. Texto delicioso da Heloisa Espada.
Realmente é muito bem vinda! Em meio as publicações amorfas brasileiras que não dizem nada é realmente um oasis para quem gosta de ler ( e ver). O jornalista responsável é o Matinas Suzukii!
Estamos visualizando uma tendência ainda maior do IMS para fotografia, que já alcança a fase contemporânea. Exposição maravilhosa de Paul Strand no Lasar Segall em SP, A do Robert Polidori no Rio, também impecável, e em breve um novo livro sobre o nosso querido e inesquecível Otto Stupakoff. Não percam!
Escrever correndo é ruim! Desxulpem-me! . Marcel Gautherot ! e exclusivo! Nossa! é ruim!
É…….Desculpem-me!! Este celular tá difícil mesmo!!
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