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Entrevista | Claudio Feijó

[ Fernando Rabelo | 16 set 2009 | 5 Comments | 1.430 visitas ]
 O workshop “Descondicionamento do Olhar”, de Claudio Feijó.

O workshop “Descondicionamento do Olhar”, de Claudio Feijó.

O 5º Festival Internacional de Fotografia de Paraty recebe no sábado, dia (26/09), o workshop “Descondicionamento do Olhar”, de Claudio Feijó. Realizado com sucesso há muitos anos, busca desenvolver o olhar do participante, ampliando o seu repertório de produção e leitura da imagem. Exercita as diferentes formas de “olhar, ver e enxergar”, refletindo sobre as diferentes possibilidades numa abordagem fotográfica. A proposta é discutir a relação do fotógrafo com o seu processo criativo, instigar os participantes a conhecerem-se mais profundamente através da leitura simbólica que a linguagem visual proporciona.

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Claudio Feijó

 

O fotógrafo Fernando Rabelo e a professora de fotografia da ECO/UFRJ Teresa Bastos entrevistaram Claudio Feijó.

O workshop que você vai oferecer no Paraty em foco é fruto do trabalho que vem desenvolvendo há quase 20 anos para os mais variados públicos. Qual a relevância dele especificamente para quem trabalha com fotografia?

Somos criativos… mas muitas vezes caímos no criativo automatizado, isto já não é mais ser criativo. Ser criativo é descobrir-se a todo momento – é estar presente. A fotografia, como meio nos permite expressar o que não temos claro para nós mesmos. Muitas pessoas se equivocam ao tentar, através de um rigoroso domínio técnico, expressar seus pensamentos, com a suposição de levar o recado o mundo. Esse posicionamento exclui o outro, espera que ele faça um papel de um mero observador – sem opinião ou repertório. O criativo fotografa e tem os limites do seu conhecimento técnico e do seu equipamento os co-autores do seu trabalho. O observador também é um co-autor de nossos trabalhos.

Às vezes vemos as coisas, mas não as enxergamos. Como desenvolver essa capacidade perceptiva de olhar e realmente ver?

O trabalho do Descondicionamento do Olhar não contempla somente o olhar… esta é a nossa metáfora. Não se faz uma foto expressiva que tenha saído somente de um olhar, atento ou não. É preciso fotografar por completo, é preciso estar impregnado com tudo que está a nossa volta. Somos seres em desenvolvimento, nunca estaremos prontos. Somos criaturas-criadoras e não o Criador.

Estamos vivendo hoje numa sociedade cada vez mais midiática e simulada em que não só concebemos o mundo com imagens, mas nos metamorfoseamos em imagens. Essa “realidade” de certa forma não promove uma interação entre as pessoas. Na sua opinião, como tentar resgatar essa conexão de proximidade entre os indivíduos justamente a partir da fotografia?

Essa questão que vocês colocam é fundamental. A idéia pré-socrática da Essência X Aparência está ai… nosso mundo está virando uma imagem dele mesmo e, dentro disso estamos perdidos – o que na verdade: não aparentamos ser, somos! Nossa sociedade se encantou com o espelho – narcisou-se. E o mal do Narciso é que ele, quando olha para o espelho (lago), não fica apaixonado por si mesmo (aqui poderíamos dizer que se formaria a idéia de amor próprio) e sim pela sua imagem. Estamos doentes. Mas como tudo, eu como ser esperançoso, acho que podemos, ainda, ter cura. Cabe aqui dizer que estamos caminhando para um fenômeno curioso… as fotografias é que nos fotografarão. É o espelho olhando para o Narciso. Pense nessa idéia.

Com a grande acessibilidade à fotografia a partir do processo digital a valorização do fotógrafo está sendo ameaçada, mas o “olhar” dele ainda é percebido e diferenciado. Você acredita que essa prerrogativa prevalecerá no futuro? E como desenvolver um olhar?

Gostaria que o leitor desse artigo pensasse qual é a diferença de um escrivão para um escritor. Penso que esse exemplo responde bem a questão. E em segundo lugar, o desenvolvimento do olhar é o desenvolvimento do ser… as técnicas são simples: leia, ouça músicas, desenhe, pule, converse, beije e ame bastante. Ou para complementar dê-se o presente de fazer a oficina do Descondicionamento do Olhar.

Fotos: Claudio Feijó

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5 Comments »

  • Cintia Sanchez said:

    Adorei a entrevista. O Claudio é fantástico!
    Fiz seu workshop no ano passado e recomendo pra todo mundo. Maravilhoso!

  • Fred said:

    Salve o Claudio! Descondicionando olhares por este Brasil há tantos anos. A fotografia deve muito a este desconcertante homen do bem! Quem não fez, tem que fazer!

  • Patrícia Carmo said:

    Também recomendo!

  • Marcelo said:

    Farei o WS dele mês que vem.

  • workshop “Descondicionamento do olhar” « Oficina de Photographia said:

    [...] Entrevista de Cláudio Feijó no blog Paraty em Foco [...]

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