Home » Entrevistas

Entrevista | Gal Oppido

[ Eduardo Muylaert | 2 set 2009 | 7 Comments | 1.871 visitas ]

GAL OPPIDO em entrevista-ensaio de Eduardo Muylaert.

© Katia Kuwabara

O que é para você um workshop?

Workshop é uma experiência sintética dos princípios fundamentais que orientam minha visão fotográfica. Permite uma relação de igual para igual entre os participantes. A produção em tempo real permite a conferência dos conhecimentos gerados, da informação processada.

© Eduardo Muylaert

Como começou a se interessar por fotografia?

Minha primeira série fotográfica foi feita em 1969, com uma câmera PETRI de meu pai. Fotografei a família, o quintal, o gato, meu irmão. Comecei com o desenho, passando depois do papel gráfico ao fotográfico. No último ano do curso de arquitetura na FAU, 1975, já estava fotografando regularmente. E desde 73 dava aula de artes visuais no IAD.

© Angela Dissessa, You Tube

Qual o primeiro marco de sua carreira?

Meu primeiro ensaio de verdade foi sobre o apartamento da rua Japurá, onde eu morava, em 1981. Chamou-se VERACIDADE e foi feio em parceria com Carlos Fadon Vicente. Até hoje faço ensaios na Japurá.

© Eduardo Muylaert

Lá foi feito o ensaio TAXIDERMIA?

Taxidermia foi fotografado lá na Japurá, entre 89 e 94. Numa sala de mais ou menos 3 metros por 3, juntei perto de uma tonelada de objetos. Esse ensaio lida com o caos. Taxidermia é um processo usado para dar aparência de vida a animais mortos. Taxi, no grego, significa ir de um lugar para outro. E dermia tem a ver com a derme, a pele. Minha idéia era a de reanimar objetos abandonados. Esse trabalho é uma espécie de ponto de convergência dos meus ensaios intermediários.

© Eduardo Muylaert

O que é a tal Luz Marginal?

A luz não tem hierarquia nas suas manifestações. É preciso entender e trabalhar com todas as particularidades dela. Em Paraty, vamos trabalhar num espaço fechado, com várias fontes de luz, inclusive lanternas e outras formas de luz construída. No Ibirapuera, trabalhamos até com as luzes ácidas do Parque. Em Paraty, pretendo fotografar uma noite na praia, com modelo, talvez um light painting.

© Eduardo Muylaert

Porque você coleciona projetores de slides?

Acho um objeto interessante. Um olho retroativo da foto. Te devolve com luz uma imagem que você captou. Uso em alguns workshops, projetando imagens sobre pessoas antes de fotografá-las. Cheguei a usar imagens do Vaticano, compradas numa feirinha.

© Eduardo Muylaert

O que é Corpo Vago?

É o corpo vago para recepção da luz e que só adquire significado no momento em que a luz reveste esse corpo. Pode ser o corpo humano, mas também qualquer objeto ou corpo inerte.

© Eduardo Muylaert

Porque o interesse pelo corpo nu?

A sensação do corpo enquanto objeto de interesse vem desde que tive consciência da revelação de meu próprio corpo. Sempre tomo o corpo como uma folha de papel em branco que vai receber um desenho. Qualquer inscrição nesse papel vai revelar a relação desse sinal com o papel. A mesma coisa acontece com o corpo.

© Eduardo Muylaert, sobre foto de Gal Oppido

Como isso se traduz em fotografia?

Tenho uma série de trabalhos sobre as ações mais elementares no corpo. Em Vestes, trabalho com o cobrimento e descobrimento pelo tecido. Em Luciana e a Lei da Gravidade, com a ação da gravidade sobre o corpo humano.

© Eduardo Muylaert

Você se preocupa sempre com essa relação com o corpo?

Prata Sobre Pele Sobre Prata lida com a relação do homem com matérias que interferem, seja de maneira cosmética ou ornamental, seja cirúrgica. Em Alegorias Bíblicas, parto das passagens bíblicas sobre o tema do corpo. A Bíblia é uma espécie de tratado que orienta ética e esteticamente o comportamento do corpo para ter acesso à eternidade do próprio corpo.

© Eduardo Muylaert

No que você está trabalhando atualmente?

Estou começando um ensaio sobre o OURO. Meu último trabalho, que já tem algumas fotos publicadas, é sobre IEMANJÁ. Começou como um ensaio livre na rua Japurá, por proposta de uma atriz. Tem o mesmo encaminhamento sobre a questão do corpo. As primeiras fotos tinham um tom azul. Caiu nas minhas mãos o texto de uma revista jungiana falando sobre IEMANJÁ. Mesmo vestida de Maria, os dotes eróticos são muito evidentes, o decote, a cintura, o cenário. Minha IEMANJÁ pode ser considerada como uma santa viável.

Gal Oppido entrega o ouro

Seu trabalho já sofreu repressão em nome da moral ou da religião?

Meus ensaios são feitos por compulsão. Eles decorrem de um trabalho interno que vai do meu percurso humano como intelecto e como corpo. Procuro afastar os pré-conceitos. Você nunca lida com questões já resolvidas. O corpo humano é peça da maior importância. A sexualidade do corpo é um alimentador das histórias do corpo. O suporte fotográfico me permite uma revelação possível, a discussão e socialização de idéias. Quando divulgado, o trabalho deixa de ser apenas meu, pois permite uma espécie de multi-leitura.

© Eduardo Muylaert

O que Paraty representa para você? E o Paraty em Foco?

Paraty foi a cidade onde, aos 19 anos, celebrei meu primeiro rito sexual pleno. Foi em julho de 1971. Já o Paraty em Foco é uma taba onde a troca de  conhecimento se permite mais. Quase uma praça-cidade. E também um lindo cenário para o workshop Luz Marginal procura Corpo Vago. Paraty é uma cidade de descobertas. Trabalhar a luz de Paraty pode trazer resultados surpreendentes.

© Eduardo Muylaert

Veja mais posts de Eduardo Muylaert

Não gostei!Gostei! (Saldo de votos: +1, Total de votos: 1.)
Loading ... Loading ...




7 Comments »

  • marta said:

    Adorei intrevista e fotos! Parabens Gal e Eduardo.

    Marta Putz

  • João Noronha said:

    Parabéns ao Gal Oppido e Eduardo Muylaert pelo belo trabalho aqui apresentado. Clean!!!

  • isabel amado said:

    ´Ótima conversa e fotos.

  • Rubens Chaves said:

    Valeu, Gal. Muito boa esta retrospectiva sua.Tô cum saudades de você. Outro dia passei no seu estúdio, mas não te encontrei. Logo passo de novo. Abraço do Rubinho Chaves

  • iata said:

    Belas Fotos Edu, o Gal está Gal!

  • stela morato said:

    conversa a cores deliciosa.

  • Paraty em Foco » Blog Archive » Foto.doc: segunda temporada de documentários traz Gal Oppido e Rui Mendes said:

    [...] e 28 de agosto, a Caixa Cultural, em São Paulo (SP) apresenta projeções de filmes sobre Gal Oppido e Rui Mendes, respectivamente. Após a projeção, haverá um bate papo com o fotógrafo, os [...]

Leave your response!

Add your comment below, or trackback from your own site. You can also subscribe to these comments via RSS.

Be nice. Keep it clean. Stay on topic. No spam.

You can use these tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

This is a Gravatar-enabled weblog. To get your own globally-recognized-avatar, please register at Gravatar.

Realização

Patrocínio

Parceiros

Apoio