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Galeria da Gávea no Paraty em Foco

[ Fernando Rabelo | 5 set 2009 | No Comment | 1.598 visitas ]
©Foto de Alexandre Sant' Anna/ Acervo da Galeria da Gávea. Unicórnio azul, 2009.
© Foto de Alexandre Sant’ Anna/Acervo da Galeria da Gávea. Unicórnio azul, 2009.

A Galeria da Gávea, inaugurada dia 19 de agosto passado, no Rio, abriu um espaço permanente de exibição, produção e venda de fotografias.  Isabel Amado, que também é coordenadora de exposições do 5º Paraty em Foco, foi convidada para fazer a curadoria do espaço e da primeira mostra, “Convergências”, atualmente em cartaz na galeria, reunindo o acervo de 18 fotógrafos.

Este ano o 5º Paraty em Foco conta com a parceria de galerias de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, onde cada uma delas ocupa um espaço expositivo durante o evento. A Galeria da Gávea vai apresentar no Espaço O Cubo, obras de quatro fotógrafos cariocas que fazem parte do seu acervo: Alexandre Sant’ Anna, Ana Stewart, Bruno Veiga e Ricardo Fasanello.

Abaixo, uma entrevista com Isabel Amado:

A curadora Isabel Amado.

A curadora Isabel Amado

Recentemente você afirmou que a proposta da galeria é reunir uma coleção de trabalhos de profissionais de diferentes gerações representativa da produção brasileira das últimas décadas. Como esse processo está ocorrendo?

Partimos da idéia e do desejo de apresentar fotógrafos que tem a fotografia como o seu ofício, cujas áreas de atuação variam do fotojornalismo, da fotografia documental, do cinema e dos editoriais de moda. Esses trabalhos e experiências individuais lhes possibilitaram desenvolver uma linguagem visual, imprimir uma identidade em seus ensaios fotográficos que, muitas vezes, nasceram do ofício diário ou de encomendas. Nessa primeira mostra alguns nomes são a própria história da imagem, como o madrilenho Antonio Guerreiro, os cariocas Bina Fonyat (1945-1985), Ricardo Azoury e Rogério Reis; e os paraibanos Walter Carvalho e Antonio Augusto Fontes. Outra geração está representada pela paulista Marlene Bérgamo, pelo brasiliense Julio Bittencourt, pelo paraense Luiz Braga, pelo santista Marcos Piffer e pelos cariocas Bruno Veiga, Alexandre Sant’Anna, Ricardo Fasanello e Ana Stewart. A minha escolha foi baseada nas minhas experiências pessoais, ao longo de 20 anos, com alguns integrantes do elenco, bem como num conceito que busca uma imagem mais clássica, uma fotografia gerada pelo olhar e sentimento do fotógrafo.

Na construção do repertório, eu busquei um conjunto que fosse também representativo das diversas tendências da imagem ao longo dos últimos anos. A representação é da fotografia e não necessariamente do fotógrafo, o que sugere um caráter mais amplo, que ultrapassa o âmbito autoral na consagração de uma imagem genuinamente brasileira, contudo, de alcance internacional.

Alguns trabalhos já são bem conhecidos do público, mas ainda não foram representados dessa maneira. As paisagens documentais de Piffer, os retratos antológicos de Guerreiro e o carnaval de Rogério Reis, são extratos de uma vasta produção imagética. 

© Foto de Antonio Augusto Fontes/Acervo da Galeria da Gávea. Sem titulo, 1977.

© Foto de Antonio Augusto Fontes/Acervo da Galeria da Gávea. Sem titulo, 1977.

Como você vê esse momento em que a fotografia vem se inserindo de forma significativa no mercado da arte, participando cada vez mais de leilões, feiras e galerias?

Eu vejo com muita alegria e entusiasmo já que quando eu comecei a trabalhar com fotografia na galeria Fotoptica em 1988, que era uma iniciativa totalmente voltada ao fomento e divulgação da linguagem fotográfica brasileira, realizávamos 10 exposições por ano, a fotografia engatinhava no que se chama hoje de mercado de arte. Vendíamos no máximo quatro fotografias por ano. As pessoas ainda não consideravam fotografia como um instrumento artístico o que hoje já não é mais tabu. O mercado nacional está em pleno frenesi, com iniciativas pequenas e grandes derramando por todos os lados.

Qual é sua expectativa de apresentar em Paraty parte do acervo fotográfico adquirido pela Galeria da Gávea?

A nossa expectativa é muito positiva já que acabamos de inaugurar a galeria e estamos nos apresentando ao mercado e ao público em geral.  O Festival tem uma abrangência nacional e isso nos dará muita visibilidade. O espaço que ocuparemos, O Cubo, é literalmente um cubo e  tem um limite de área expositiva, mas apresentaremos 4 fotografias de 120 x 100 mt de 4 artistas e um monitor onde será possível conhecer todo o acervo da Galeria da Gávea.

www.galeriadagavea.com.br

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