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Galeria de Babel no Paraty em Foco

[ Eduardo Muylaert | 21 set 2009 | One Comment | 769 visitas ]

Cada vez mais pessoas me perguntam sobre a Galeria de Babel. A importante revista Blind Spot, verdadeira referência, traz em todas as suas edições uma página divulgando os fotógrafos da Babel, cuja lista vem crescendo. Além do novo espaço permanente em São Paulo, a Babel está expondo também na Galeria 8 Rosas, na Associação Cultural Cecília, integra o SP Arte e vai estar no Paraty em Foco como convidada especial.

A Torre de Babel, por Pieter Brueghel

A Torre de Babel, por Pieter Brueghel

Como integrante do time, é difícil falar da Babel com isenção. É impossível também falar da Galeria sem falar de Jully Fernandes. Recorri, portanto, a Antonio Gonçalves Filho, que a definiu em imponente artigo como jovem paulistana, ex-comissária de bordo, ex-dublê de cinema e ex-funcionária do Palácio de Buckingham, que foi também atriz e produtora teatral de peças de Miguel Falabella e Wolf Maya.

Sempre segundo a prestigiada e insuspeita fonte, a Galeria especializada em fotografia e hoje representante exclusiva da Magnum Photos na America Latina “começa há cinco anos, quando a empresária, aos 30 anos, decidiu abrir uma galeria de fotografia virtual para vender fotos de profissionais amigos, como Dimitri Lee, Andreas Heiniger e Ricardo van Steen. Já, então, Jully era uma colecionadora com alguma experiência na área de produção – ela trabalhou no Departamento de Fotografia de revistas. Ousada, ela decidiu que iria divulgar a qualquer custo a fotografia brasileira em museus estrangeiros e aproveitou sua fluência no inglês – ela foi casada com um percussionista britânico – para impressionar os diretores de importantes instituições da Inglaterra.” (O Estado de São Paulo, 4 de agosto e 12 de setembro de 2009).

Será a Babel uma sombra da Jully? Será a Jully uma sombra da Babel? (Foto Eduardo Muylaert)

Será a Babel uma sombra da Jully? Será a Jully uma sombra da Babel? (Foto Eduardo Muylaert)

A Galeria, até agora virtual, acaba de abrir seu espaço permanente junto ao Centro Cultural b_arco, na Rua Virgílio de Carvalho Pinto 422/426, Pinheiros, em São Paulo (Tel : 11 3825-0507). É um fantástico galpão, digno de verdadeiro museu.

Lá se realizou o evento de abertura e lançamento da agência Magnum Photos no Brasil, que prossegue inclusive com filmes longa-metragem e curtas dos fotógrafos Elliott Erwitt, Martin Parr, Bruno Barbey e Stuart Franklin, além de trabalhos fotográficos de alguns integrantes da Magnum Photos.

A atual exposição mistura o ouro americano com a prata da casa: Elliott Erwitt, Thomas Hoepker, Martin Parr, Bruno Barbey, Joel Meyerowitz, Zak Powers e Mio Nakamura, de um lado. De outro, fotógrafos brasileiros e latino americanos como Andreas Heiniger, Ricardo van Steen, Eduardo Muylaert, Martin Gurfein, gUi Mohallem, Roberto Linsker, Dimitri Lee, Marcelo Brodsky, Vania Toledo, Pablo di Giulio, Monica Vendramini, Clemente Gauer, Iatã Cannabrava, Pedro Martinelli e Hilton Ribeiro.

Para o Paraty em Foco, Jully Fernandes selecionou trabalhos de três dos seus representados: gUi Mohallem, Martin Gurfein e Eduardo Muylaert.

gUi Mohallem apresenta seu Ensaio para a loucura e explica: Coisas que nos fazem únicos: singularidades ou insanidades?

“Com um índice alto de desequilíbrios no histórico familiar, a loucura sempre me pareceu uma possibilidade razoável. Eu achei que talvez se entrasse em contato com as singularidades das pessoas, isso poderia aplacar minha angustia. Essas imagens foram feitas em pinhole digital, que resumidamente consiste em tirar a lente da câmera e substituí-la por uma tampinha modificada.”

gUi Mohallem (Foto Eduardo Muylaert)

Martin Gurfein explica sua série:

“O Invisible começou com um convite para participar do ‘notodofotofest’, (festival fotográfico na Espanha). O tema era a sustentabilidade do planeta. Mais tarde foi escolhido para ilustrar o capitulo de etiqueta verde do Livro “La Tierra Manual de uso” lançado na ‘Expo Zaragoza 2008′. A partir de 2006 comecei com o trabalho de cores que ansiava tanto desenvolver. Comecei fazendo o que chamo das cores da extinção, cores que surgem da decomposição atual das coisas. Muitas dessas cores são distintas águas em seus diferentes grãos e motivos de poluição, uma cor a Damasco com leite e a cor com que meu filho de 17 anos na época pintou um dia seu cabelo, cores atuais, novas,artificiais, surgidas a pouco, como a cor da Fanta uva.”

CYAN-2, de Martin Gurfein

CYAN-2, de Martin Gurfein

Já Mulheres dos Outros, a nova série de Eduardo Muylaert, se insere no campo da arte por apropriação. Uma caixa de slides antigos, com a inscrição “nus artísticos”, foi comprada numa feirinha por cem reais. Digitalizados e re-enquadrados, os corpos femininos que nos anos cinqüenta eram quase pornográficos reencontram a beleza clássica das esculturas gregas, valorizadas pelas marcas do tempo.

Eduardo Muylaert com Mulheres dos Outros (Foto Helô Mello)

Eduardo Muylaert com Mulheres dos Outros (Foto Helô Mello)

Na Galeria de Babel, podemos não falar todos a mesma língua, mas estamos no mesmo barco. Esse barco, pilotado pela intrépida Jully Fernandes, agora vai ancorar pela primeira vez em Paraty.

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One Comment »

  • marta putz said:

    Jully realmente é pessoa que faz! A Babel representa um time de fotografos escolhidos a dedo.

    Marta

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