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Luz amarela acesa!

claudioversiani 5 setembro 2009 603 visitas 4 Comments

©Tom Stoddart | Robert Murdoch

Luz amarela acesa, Rupert Murdoch mudou de idéia

Rupert Murdoch diz que lucro com assinaturas do Wall Street Journal deve aumentar

“Quando eu analisei os números e vi o que poderia ser feito, mudei completamente de idéia”, confessou Murdoch durante uma conferência do Goldman Sachs, em Nova York.”

A notícia é velha assim como é velha a vontade dos donos dos meios de comunicação de cobrarem por conteúdo na internet. Velha e persistente. O Portal Imprensa publicou em agosto de 2009…

Magnata Robert Murdoch defende cobrança por conteúdo noticioso veiculado na internet

“Estamos agora no meio de um longo debate sobre o valor do conteúdo e está claro para muitos jornais que o modelo atual não está funcionando bem”, avaliou Murdoch, em reportagem veiculada pela rede de TV CNN.

News Corp. é alvo de críticas por decidir cobrar pelo acesso à informação na internet

Ao todo, cerca de 137 comentários foram postados na página da companhia, todos críticos à decisão do empresário australiano.  As citações dos leitores variavam desde “vou apagar  (os sites) dos meus favoritos” a “fadado ao fracasso”. A maioria disse que com o tempo buscaria outra fonte de informação.

O Portal Imprensa tem acompanhado bem a trajetória de Murdoch no assunto. Mas isso é só o aperitivo. O UOL traduziu uma bela matéria do

Der Spiegel e ofereceu o almoço ou o jantar…

Os dias de “almoço gratuito” na internet estão contado

Rupert Murdoch não quer saber de computadores. O bilionário da mídia australiano-americano de 78 anos não gosta de e-mail, evita a internet e tem dificuldade até em utilizar o seu telefone celular. Ele não se encaixa exatamente no quadro de um messias online.

Mas, nas últimas semanas, Murdoch surpreendeu o mundo da indústria de mídia quando murmurou uma poucas sentenças tão simples quanto revolucionárias, como, por exemplo: “Jornalismo de qualidade não é barato”. Isso provocou a sua decisão de começar a cobrar pelo uso online dos seus vários jornais em todo o mundo nos próximos meses. Se Murdoch tiver sucesso, os dias da cultura de gratuidade na internet estarão contados.

Interessante a descrição de Murdoch. Só faltou dizer que ele na verdade não se interessa por jornalismo, seja de qualidade ou não, o negócio de Murdoch é grana e poder. Quer dizer, não faltou…

O empresário idoso pode de fato conhecer pouca coisa sobre a internet, e ninguém sabe até que ponto ele está levando a sério a sua ideia. Mas uma coisa é certa: um homem como Murdoch não costuma ficar à margem dos acontecimentos enquanto perde dinheiro. E ele também, mais uma vez, atingiu um nervo exposto da indústria da mídia.

Vale a pena ler a matéria toda. É uma boa discussão sobre o futuro do jornalismo na rede e sobre como faturar vendendo conteúdo. Se os americanos quando criaram a internet sonhassem ou imaginassem que a idéia poderia valer dinheiro, estaríamos todos pagando por estar aqui lendo e vendo o mundo todo. Na verdade para estar aqui estamos todos estamos pagando pelo privilégio de navegar na rede, mas foi sempre assim. Agora para ler o que a imprensa publica ninguém quer pagar. Internet também é hábito, assim como televisão, todos têm o seu canal predileto.

No Brasil eu empresto meus clicks para o Estadão e para o Globo. Na Folha pouco vou e me irita muito quando me deparo com o famoso conteúdo exclusivo para assinantes. O Estadão e o Globo que tratem de melhorar o conteúdo e de arrumar alguém que pague pelo meu e pelo seu click que são muito valiosos.

Será que os leitores poderiam acostumar-se novamente a pagar por conteúdo? Ou instituir o conteúdo gratuito significaria meramente cometer suicídio devido ao medo de morrer?

Os leitores vão espernear e resistir até quando puderem. Imagine a situação, o Globo passa a ser um jornal fechado para assinantes ou a ter conteúdo só disponíveis para assinantes. O que impede que alguém jogue na rede uma ou várias matérias do jornal. Será que o Globo iria processar todo assinante que agisse assim?

Muitos websites de jornais contêm as mesmas reportagens das agências de notícia. Ou então eles trazem galerias de fotografias que sequer disfarçam o único motivo para se olhar para elas: tire uma foto minha! Para alguns empresários do jornalismo – distanciados dos representantes mais importantes da indústria -, o jornalismo online ainda é considerado um jornalismo de segunda categoria, em parte, e precisamente, porque ele é fornecido gratuitamente na internet.

Desconfio que Isabel Hülse, autora da matéria esteja falando de uma forma genérica, mas que se encaixa perfeitamente para o Brasil, isso encaixa. A imprensa nacional ainda não descobriu a internet, infelizmente. Um dia a ficha cai e melhor que caia logo e caia antes da casa. Para ficar só na questão das imagens e do formato multimídia, salvo algumas raríssimas exceções, os websites dos meios de comunicação brasileiros são vergonhosos.

Desde 1997, o website do “Wall Street Journal” cobra por algumas coisas, especialmente por aquele tipo de conteúdo que torna o jornal único: matérias financeiras e sobre tecnologia. Os assinantes têm acesso livre a todas as matérias de conteúdo pago. Atualmente, o conjunto de um milhão de assinantes online do jornal gera cerca de US$ 100 milhões (R$ 183 milhões) anuais em receitas. Após 2007, Murdoch não escondeu o fato de que estava cogitando tornar o website do “Wall Street Journal” totalmente gratuito. Mas ele foi suficientemente esperto para abandonar a ideia. Em vez disso, em breve o jornal começará também a cobrar pequenas taxas por matéria.

Murdoch de bobo não tem nada. O WSJ passou a usar fotografias nas páginas e o blog Photo Journal é hoje uma das referências de fotojornalismo na rede.

Enquanto isso o maior de todos, o NY Times não pára de inventar…

Para quem gosta de jornalismo aqui estão duas notas sobre como o NYT investe pesado na web.

Parece uma “Apple do jornalismo”

As jovens cabeças da velha senhora grisalha

E para encerrar vamos torcer para que Murdoch não encontre a Web e nem compre o New York Times.

“Murdoch – logo ele – não sabe o que é a internet”, reclamou recentemente o biógrafo do bilionário, Michael Wolff. “O velho pode estar prestes a provocar mudanças importantes na internet. Mas isso só acontecerá se ele for capaz de encontrar a Web”.

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4 Comments »

  • Ari Baiense said:

    Claudio,

    Achei muito interessante a leitura de seus artigos, aqui e no Pictura Pixel.
    Com 40 anos, acho que vivi a fase "analógica" por um bom tempo mas não tanto que não pudesse me adaptar facilmente à essa nova era digital, até porque trabalhei com informática e sou um "rato" de internet já a alguns anos…
    Ainda assim me assusta o que se passa no meio editorial de um modo geral, a velocidade das mudanças é maior do que a nossa capacidade de processá-las! O que você apresenta é apenas uma faceta desta nova realidade. Fico ainda tentando imaginar o que temos pela frente e como os fotógrafos irão se adaptar nesse novo mundo.
    Soa meio apocalíptico mas sou um otimista inveterado…

    Em tempo, parabéns pelo excelente trabalho no Pictura Pixel.
    Valeu e um grande abraço!

  • paula sampaio said:

    É caríssimo, como vc mesmo diz "tomara que a ficha caia antes da casa", é isso…abraços

  • Paula said:

    Ari, ADOREI SEU COMENTÁRIO.
    Escutei uns garotos, calouros de jornalismo, conversando em voz alta no ônibus outro dia, e eles diziam que num futuro muito próximo o acesso às páginas da internet será cobrado e não o modem, já que existirá uma rede wirless para todos. Achei bizarro, mas parei para pensar na loucura que será pagar para acessar o Google, por exemplo.
    Abraço,
    Obs.: dê só uma checada nesta frase, pois eu tenho visto este erro com o verbo HAVER muitas vezes ultimamente e não é erro de digitação:
    "…sou um "rato" de internet já a HÁ alguns anos…"

  • Ari Baiense said:

    Eu ainda estava fazendo reflexões sobre alguns textos um tanto quanto pessimistas com relação às perspectivas de mercado para os fotógrafos, e mais especificamente para os fotojornalistas, quando li o post do Claudio.
    Não acho tão bizarro pagar por informação útil na rede (já fazemos isso HÁ algum tempo com os provedores de conteúdo) e acho que é a tendência natural.
    Vejo essas mudanças e transformações como oportunidades a serem exploradas, mas a velocidade com que acontecem assusta!

    Obrigado pela correção. Fiquei na dúvida, mas postei assim mesmo… ;-) )

    Abração!

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