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1º Encontro da Blogosfera Fotográfica

[ Fernando Rabelo | 4 out 2009 | 2 Comments | 1.424 visitas ]

Por Teresa Bastos. Fotografias de Helô Mello.

O 1º Encontro da Blogosfera Fotográfica aconteceu durante o 5º Paraty em Foco, quando os nove blogueiros envolvidos na cobertura colaborativa do festival se encontraram para uma conversa na Casa de Cultura. Participaram: Alexandre Belém, editor do blog Olha, vê e do blog do Paraty em Foco. Fernando Rabelo, do Images & Visions, Claudio Versiani, do PicturaPixel, Louise Chin e Ig Aronovich, do Lost.Art, Luciana Cavalcanti, do Fotograficaminhamente, Eduardo Muylaert, do Camera 16, Clicio Barroso, do Clicio Photo News, Pio, do Cia de Foto e Leo Caobelli, do Garapa. O encontro foi apresentado por Iatã Canabrava e mediado por Eduardo Muylaert. Durante a conversa, cada um contou um pouco de sua experiência como blogueiro, o que os levou a produzir blogs, confessaram publicamente o “vício” que está se tornando a atividade e manifestaram a vontade de, mesmo depois de finalizado o festival, da blogosfera se manter coesa e produtiva. Iatã Canabrava sugeriu que se transformem esses três meses de trabalho em espaço aberto, como se fosse um chat e vislumbrou a possibilidade de que todos se unam em alguma iniciativa institucional, virtual ou não. Comentou ainda que nesse período foram feitos  180 posts. O blog trouxe ainda a iniciativa de utilizar o Flickr como uma grande galeria onde mais de três mil trabalhos foram exibidos, dando oportunidade não só para os participantes do evento como para aqueles que não puderam estar presente. O Coordenador do Paraty em Foco apostou nos blogs como mídia divulgadora do evento e comentou que após postagem de entrevistas com os convidados dos workshops, em média 5 horas depois as vagas para as oficinas eram preenchida s. A postagem mais lida alcançou o patamar de quatro mil visitas.

Um pouco da conversa que contou com a participação da platéia:

Alexandre Belém: Em 74 dias foram 180 posts, mais de 600 comentários. Manter um blog três  meses antes do evento acontecer era um grande desafio.  Difícil é ter um blog com conteúdo e isso foi feito por todos aqui e cada um mantendo sua identidade e cada post. Fui o editor e não me coloquei no poder de aprovar ou não. Acho que o legal do blog é a pessoa escrever o que quer. Eu me coloquei como um “garçom” que ia botar a mesa. Foi editor não na coisa do aprovar ou não, mas de referendar, levar o leme, conduzir o blog. O blog do Paraty ajudou no meu.  Nunca vi um conteúdo fotográfico tão grande.

Clicio: Postar notícias no blog é quase um vicio e uma atividade não só fotográfica, mas também com palavras.  A lista de discussão, hoje é uma ferramenta ultrapassada, o blog já a superou.

Luciana Cavalcanti: Não acreditava em blog e um dia fui dormir e sonhei com uma imagem: “fotografe a minha mente”. Gostei, e acabei criando um blog com esse nome, não achando a experiência de blogueiro tão ruim como imaginava.

Iatã Canabrava: Vejo o Blog como instrumento de comunicação. Dependemos ainda da grande imprensa para a divulgação? E decidimos fazer o teste. Percebemos que depois de uma entrevista divulgada, as vagas eram preenchidas em quatro ou cinco horas.

Louise Chin e Ig Aronovich: Acho que os blogs já substituíram a grande imprensa há muito tempo na velocidade.

Claudio Versiani: O PicturaPixel nasceu em 2006, como forma de revista.  Eram cinco matérias, apresentando cinco portfólios. Dava trabalho enorme e era bilíngüe.  Passamos para slide show e desaguou no blog. Não sabia como fazer. O que era um blog? Começou aos pouquinhos e descobrimos que o blog era um grande canal de comunicação. Aparecerem colaboradores e hoje temos dez colaboradores fixos e muitos informais. Chegou ao ponto em que não sei o que fazer, mas ele vai continuar, independente de onde você estiver, você começa em um centro e vai espalhando. Troca de informação. Essa é a grande questão da blogosfera.

Louise Chin e Ig Aronovich: Acho que os blogs já substituíram a grande imprensa há muito tempo na velocidade.

Alexandre Belém: Demos noticias em primeira mão, como o fechamento da Agência Gamma, por exemplo. A morte do Mario Cravo Neto também. Tinha gente produzindo de verdade para o blog.  Tive liberdade o tempo inteiro para a edição.

Fernando Rabelo: O Images&Visions nasceu na busca de informações. Eu queria saber o que estava acontecendo em termos de fotografia, tinha dificuldades em encontrar essas informações na web…

Leo Caobelli: Será que o blog pauta a grande imprensa? Mas existe ainda a necessidade da grande reportagem, para dar uma visão geral.

Cláudio Versiani: No Brasil, a grande imprensa não usa a internet. O profissional de imprensa vê a internet como repositório da própria imprensa e isso tem que mudar. Isso é uma loucura. O editor do The New  York  Times disse que  o papel vai acabar….mas a web do The New  York Times vai continuar a existir e continuará sendo a melhor do mundo.

Platéia: Como começou a idéia do blog do Paraty? E como os “egos” desapareceram?

Clicio: Acho que a blogosfera começou justamente por causa dos egos, porque queremos mostrar nossas fotos e escrever. O sistema do comentário é fundamental, começamos comentando uns nos blogs dos outros.

Cia de foto: O mérito dessa blogosfera é não ter a noção exata de quando começou. Isso vem começando há algum tempo. O Iatã estava querendo dinamizar o Paraty em foco.Foi um processo e um encontro. Eu queria esquecer qualquer noção completa como isso começou.

Platéia: A experiência com os blogs mudou.  Acho ótimo não ter que ver o blog como coisa de “gente carente”.  O fechamento dele foi importante porque a blogosfera aproveitou. A questão do Fotosite é importante, ele  não está  mais atualizado, saiu de cena, mas ele esta vivo.

Alexandre Belém: Existem outros blogs bem interessantes, como o do Pedro Martinelli, o Fotoclube f508, o Postal para um amigo, entre outros.

Eder Chiodeto: Fui jornalista da Fotografia. Começo a procurar um espaço para escrever, pois os jornais não tem um critério de notícia. Os blogs são normalmente feitos por quem já esteve na mídia e há a necessidade de suprir o espaço da mídia convencional. O próximo passo seria o amadurecimento. Eu me pergunto se não seria o caso de encontrar caminhos próprios e peculiares?

Alexandre Belém: É interessante observar a partir de agora as vocações dos blogs. Quando quero ver notícias vou direto no blog do Fernando Rabelo. Estamos buscando uma vocação e identidade para cada blog. E que eles não se tornem uma salada fotográfica. A princípio o que se espera é que vai existir conteúdo que possa subsistir fora do festival. Desafio para que esse blog seja vivo.

Platéia: Quando estava trabalhando Fotosite, fizemos uma vez uma pesquisa sobre o que o leitor desejava.  A resposta mais freqüente era agilidade do texto e da notícia e que as informações internacionais fossem traduzidas. Isso é o ficou claro do que o leitor queria através de pesquisa feita. Outra coisa, a formatação do conteúdo do texto. No inicio pensávamos que o leitor de internet não lia tanto. E estamos vendo que isso não é verdade. O leitor gosta de ler noticias grandes. Como você tem espaço e ele sobra, você tem capacidade de oferecer mais conteúdo.

Fernando Rabelo: Atualizar o conteúdo todos os dias é quase uma cachaça. Às vezes acordo às 4 da manhã preocupado com a minha próxima postagem.

Louise: A gente fazia blog antes de existirem outros. Acho que na verdade a gente não acorda às 4 da manhã, acho que ninguém dorme. (risos)

Platéia: O blog tem a coisa da paixão, mas tem a coisa de criar uma comunidade e que vai ficando cada vez mais unida a partir da fotografia. Como vocês cultivam essa interação?

Clicio: O grande lance dos blogs é essa interação direta, a coisa do vaivém. Tem a formação de você dar muito e não esperar receber nada em troca. E isso volta para você em termos de comentários. A troca sempre acontece, mesmo sem você esperar por ela.

Eduardo Muylaert: Ninguém tem falado mal do outro…

Claudio Versiani: Temos o grande oráculo que é o Google. Creditar a fonte e dar o link cria a cumplicidade e respeito pelo outro. Não reeditar os erros da grande imprensa. Dar o link é fundamental e se exime de roubar a notícia.

Juan Esteves: Alguns blogs ainda estão dando Control V e Control B, reproduzindo o conteúdo sem ter a preocupação de dar o crédito.

Luciana Cavalcanti: O blog para mim era uma forma de fazer contato. Queria encontrar coisas diferentes na WEB. Coisas do interior do Ceará, por exemplo. Coisas que ninguém via. Divulgar o trabalho dos outros, também era uma preocupação importante para mim. Qual a pesquisa que está sendo divulgada sobre fotografia. etc.

Clicio: A idéia já esta feita, só espero que isso cresça.

Ig Aronovich: Pessoas com olhares diferentes fazendo curadorias no próprio site. A experiência é fantástica e sem volta. O coletivo é o final, não tem jeito.

Leo Caobelli: A proposta já nasce com a idéia de que tem que continuar. Como as pessoas vão contribuir? E que possa cada vez mais crescer. Podemos fazer eventos virtuais.

Clicio: Gostei muito de fazer as entrevistas.

Iatã Canabrava: O evento foi aglutinador e a idéia é continuar com essa aglutinação. Uma das possibilidades é o Fórum Latino Americano de Fotografia, idéia de crescer e se tornar internacional.

Nair Benedicto: A idéia dos blogs é muito interessante, mas a que horas vocês fazem amor? (risos na platéia)

Eduardo Muylaert: Para finalizar, dizemos que fazer amor ainda é a coisa mais gostosa que fazemos, depois de fazer o blog!

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