Eder Chiodetto incursiona pela Rua Augusta

© Foto de Eder Chiodetto.
A exposição fotográfica Augustas, de Eder Chiodetto, que o CineSesc Paulista apresenta no seu hall de entrada a partir de amanhã (04.12) , mostra uma incursão do autor pela Rua Augusta
Segundo Eder, a Augusta é “o território mais democrático, diverso e divertido da cidade, além de exemplo de respeito e tolerância à diferença”. A rua já foi a mais chique de São Paulo e abrigava as boutiques que vestiam as socialites nos anos 60 e 70. Depois, veio uma grande decadência, com o surgimento dos shoppings.
Nos últimos anos, a Rua Augusta voltou a se revigorar pelo aspecto cultural, reunindo cinemas de arte, bons restaurantes, lojas de novos estilistas. Mas foram sobretudo as casas noturnas que “sustentaram” a via – várias boates e bares, com sons para todos os gostos, reunem cinéfilos, descolados, prostitutas, roqueiros, executivos, gays, comerciantes etc.
Além de atentar para esse aspecto da diversidade, o ensaio fotográfico (que foi um dos projetos vencedores de edital promovido pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo em 2008) de Chiodetto se detém na mudança da arquitetura e na velocidade antropofágica dessa rua mutante, e é inspirado pelos versos da música de Hervé Cordovil, grande sucesso de 40 anos atrás:
“Subi a Rua Augusta a 120 por hora
Botei a turma toda do passeio para fora
Fiz curva em duas rodas sem usar a buzina
Ai! ai! Johnny
Ai! ai! Alfredo
Quem é da nossa gangue
Não tem medo…”.
Baseado em grande panorâmicas, obtidas pelo uso da câmera fotográfica analógica utilizada como uma moviola improvisada, Chiodetto obtém um efeito vertiginoso, entre a imagem documental e a abstração. Metáfora tanto das mudanças que re-significam a rua Augusta no imaginário dos cidadãos a cada nova época, a cada nova geração, como também dos vestígios de memória que ela deixa impregnada na história da cidade.
Ao utilizar essa técnica de “moviola”, as imagens ficam no limite entre fotografia (estática) e o cinema (movimento). O cinema deriva da invenção da fotografia. Augustas é fotografia que aspira a ser cinema. Este foi um dos motivos que levou o autor a oferecer, em primeira mão, a exposição para um dos espaços mais tradicionais de cinema da cidade: o CineSesc. Não por acaso, localizado em plena Augusta!
A mostra será formada por nove grandes panorâmicas coloridas, com larguras que variam entre 1,2 e 3 metros. A arquitetura, o movimento dos carros, os bares e personagens insólitos estão retratados.
Esta primeira parte do ensaio Augustas foi desenvolvida com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo por meio do Programa de Ação Cultural 2008.
Augustas fica em cartaz até 02 de fevereiro de 2009, no CineSesc (Rua Augusta, 2075, em São Paulo, tel +55 11 3087-0501), com entrada franca
Fonte: Croqui de Luz

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