Jardins de Fábio Colombini, por Juan Esteves
O nome sugere aquelas compilações a que já estamos nos habituando. Parques do Brasil, Praias do Brasil, e por ai vai, nas dimensões do próprio país. Entretanto, Jardins Botânicos do Brasil, apesar da circunstância do título é um belo exemplar de informação e boa fotografia reunidos numa só edição. Nem sempre isso acontece, aliás muito raramente é visto, mérito maior do fotógrafo Fábio Colombini.
Com vários títulos na bagagem, Colombini é uma das referências internacionais da imagem de natureza. Já publicou até mesmo um ótimo manual para os interessados em seguir a mesma trilh a e agora mostra aos seus leitores o registro de 34 jardins botânicos. Entenda-se a reunião por somente aqueles que estão catalogados e fazem parte da Rede Brasileira de Jardins Botânicos.
Com texto do engenheiro agrícola e doutor em Ecologia Evaristo Eduardo de Miranda, a publicação é detalhista. Além de belíssimas ilustrações e imagens de época cada “jardim” abre com informações como endereço, telefone, site, e-mail, ano da fundação, localização no mapa, dimensões, quem o administra, suas principais atividades e o montante de seu acervo. Ou seja, se você está interessado em iniciar sua carreira de fotógrafo de natureza o livro ainda é um excelente roteiro.
Na verdade nem todos se chamam “jardim Botânico”. Alguns são parques, outros orquidários ou hortos, uns pertencem a cidade ou ao estado, outros fazem partes de museus, alguns estão ligados as universidades, tem até mesmo um chamado “Centro de Recursos Genéticos Vegetais e Jardim Botânico (em Campinas-SP) ou Jardim Botânico de Seropédica –Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Nome para todo gosto, beleza e tamanho para ninguém botar defeito. Aliás, esclarecendo, Seropédica é uma cidade e não uma especialidade botânica.
O editor Ronaldo Graça Couto já explica no início que tentou-se equilibrar o espaço sempre que possível, mas é claro que a tarefa seria inglória. Imagine o jardim botânico do Rio de Janeiro com aquelas palmeiras enormes logo na entrada, cujo início está no século 19 com a vinda da família real para o Brasil, teria mesmo que ter mais páginas do que o pequeno botânico de Londrina, no Paraná. Aliás, o nome correto é Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Mas nem sempre os mais famosos foram privilegiados, por exemplo o pequeno simpático Orquidário de Santos (litoral de São Paulo) ganhou várias páginas por sua beleza. O de São Paulo já foi fotografado com suas últimas mudanças, executadas no sentido de trazer suas características originais, reforma comandanda pelo arquiteto e artista plástico José Paulo Ganzeli.
Colombini como de costume esbanja qualidade técnica e faz uma cobertura muito ampla. Vemos detalhes espécies magníficas, como no Jardim Botânico Benjamim Maranhão, de João Pessoa, Paraíba, a imagem de um cipó da Mata Atlântica, que se fosse em preto e branco faria Edward Weston (1886-1958) revirar na tumba. Em contraponto também consegue verter em beleza aquela estrutura cafona toda de vidro do Jardim Botânico Francisca Maria Garfunkel Rischbieter de Curitiba, no Paraná.
De forma instrutiva vemos que nossos botânicos são muito diferentes uns dos outros. Também, apesar de algumas arquiteturas similares diferem dos seus predecessores europeus. Afinal não somos colonizadores (exemplo do Royal Botanic Garden em Kew, Inglaterra, de 1869) e sim colonizados. Dai nossa predileção por sermos menos exóticos e muito maiores do que os de lá.
Trabalho de fôlego, dificil não encontrar um ângulo que não tenha sido explorado por Colombini. Imagens áreas nos trazem a dimensão dos imensos parques, detalhes promovem cores e texturas, uma confraternização entre estética apurada, poesia e qualidade que afastam o tédio na medida que nos aproximam do documental mais interessante e produtivo.
Serviço
Lançamento de Jardins Botânicos do Brasil – fotografias de Fabio Colombini.
Amanhã (25.02), das 17h às 20h
Jardim Botânico de São Paulo (lanchonete Vitória)
Avenida Miguel Stéfano, 3031, Água Funda
Juan Esteves, fotógrafo, vem escrevendo seus artigos desde 1988 na Folha de S. Paulo. Foi colunista da Revista Iris Foto e editor e colunista do Fotosite. É articulista da revista Fotografe Melhor e colaborador de textos e imagens para revistas como Mitsubishi, Living Alone, Viaje Mais e editora Cosac Naify. Agora, no blog do Paraty em Foco, Juan posta, todas as sextas-feiras, textos inéditos ou publicados – os últimos, com reedição e atualização feitas especialmente para este blog. Esta semana, excepcionalmente, mandou sua coluna antecipadamente, para divulgar o lançamento do livro de Colombini
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