Entrevista: Thiago Barros
Quem ouve o carioca Thiago Barros falar sobre fotografia se surpreende com tanta experiência e conhecimento. O jovem fotógrafo, que está com a mostra Metrópoles – Paris exposta em Brasília, começou a fotografar muito cedo. Aos 12 anos de idade, já fazia parte da Sociedade Fluminense de Fotografia. A curiosidade e a necessidade de poupar custos o levaram a conhecer uma de suas paixões: o laboratório. Os 16 anos de experiência como laboratorista trouxeram às mãos de Thiago trabalhos de renomados fotógrafos brasileiros, como Evandro Teixeira, Rogério Reis e Walter Carvalho. Atualmente, o trabalho do fotógrafo Thiago Barros se sobrepôs ao do laboratorista. Premiado na França em 2005, Thiago dá continuidade ao projeto Metrópoles em Brasília, onde esteve recentemente, quando visitou e ministrou workshop no Espaço f/508 de Fotografia.

Foto: Thiago Barros. Da série Metrópoles
Você iniciou na fotografia com apenas 12 anos de idade, sendo “acolhido” pela Sociedade Fluminense de Fotografia. Como você vê o papel do fotoclubismo no Brasil e como foi sua trajetória até chegar a ser reconhecido como um dos melhores laboratoristas do país e um fotógrafo de galeria?
Fui apadrinhado pela Sociedade Fluminense de Fotografia quando era muito novo. Então, a Sociedade Fluminense de Fotografia foi o lugar onde eu cresci fotográfica e profissionalmente. Talvez, se eu estivesse fora daquela instituição, eu não teria o incentivo que tive. Acredito que o fotoclubismo teve a sua fase áurea e vários nomes importantes da fotografia brasileira surgiram a partir daí. Mas creio que, atualmente, ele deve passar por um momento de reformulação.
Quanto à minha trajetória, eu descobri no laboratório uma paixão que se tornou profissão. Eu tinha 13 anos de idade quando entrei num laboratório e, em um ano, já estava revelando filmes, fazendo cópias e recebendo por isso. Com o tempo, fui aprimorando a técnica e passei a ser procurado por grandes fotógrafos. Paralelamente ao trabalho em laboratório, sempre produzi meus trabalhos como fotógrafo. Em 1998, ganhei meu primeiro grande prêmio: o segundo lugar no concurso internacional da Nikon, com a fotografia Adeus. Até que a Galeria Tempo, no Rio de Janeiro, propôs me representar. Eu participei do Prêmio Juan Rulfo de Fotografia, em 2005, na França, e fui classificado em primeiro lugar, o que me deu uma exposição em Paris. A mesma exposição, chamada Soledad, foi exposta em seguida na Galeria Tempo. Metrópoles – Paris é o meu trabalho mais recente.

Foto: Thiago Barros. Adeus
Como é a sua relação com a fotografia digital?
Como eu tive essa vivência dentro do laboratório, e por uma questão de gosto, no meu trabalho autoral eu opto trabalhar com filme. A série Metrópoles é toda baseada na fotografia de grande formato, porque eu queria fazer uma alusão às dificuldades técnicas que os fotógrafos tinham no século XIX. Essa dificuldade técnica me criou uma linguagem e essa linguagem descortinou um trabalho. Nesse caso, fazia sentido colocar a câmera no tripé, uma câmera de madeira, com um pano preto na cabeça, assim como era feito antigamente. Eu utilizo a fotografia digital como uma ferramenta de trabalho, quando julgo tecnicamente necessário. Mas também utilizo ferramentas digitais no processo de pós-produção de fotografias que faço com filme. Muitas vezes faço cópias digitais e trabalho com as duas ferramentas de uma forma híbrida.
Foto: Thiago Barros. Da série Metrópoles
Evandro Teixeira, Ripper, Miguel Rio Branco, Rogério Reis, Rosangela Rennó e Walter Carvalho são alguns clientes do seu laboratório. Como é trabalhar com essas feras?
É maravilhoso, porque, com cada um, eu aprendo algo diferente. E cresço muito. Por exemplo, como eu tive uma formação fotográfica muito cartesiana, eu comecei a gostar de fotos tremidas e desfocadas por causa dos meus clientes, algo que antes eu não admitia. Assim, eu comecei a enxergar outros mundos através dos trabalhos que eu ampliava, de fotógrafos e parceiros. A Rosângela Rennó trabalha com apropriação de imagens. Então a linguagem dela é completamente diferente da do Ripper, por exemplo, que é um fotógrafo humanitário. Quando sento com ele para conversar sobre densidade de cópia, ele me conta toda a história do personagem que foi retratado por ele. Tudo para que eu possa transmitir o sentimento que ele tem por aquela imagem. São apenas dois exemplos que ilustram que cada fotógrafo tem uma característica diferente e me proporciona um aprendizado singular.
Metrópoles – Paris, projeto exposto no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro e, mais recentemente, em Brasília, é composto de grandes imagens em preto e branco. O seu trabalho está dividido entre a sua produção pessoal e sua produção técnica. Como você flutua entre esses dois mundos?
No fundo, acaba sendo um mundo só. Porque mesmo quando eu faço, por exemplo, uma fotografia que foi encomendada pela Rosângela Rennó ou pelo Daniel Senise, estou atuando como um técnico, mas estou usando a minha sensibilidade para atingir, da melhor forma, o resultado imaginado por eles.
Foto: Thiago Barros. Da série Intimidade
Dizem que fotografia é composta de 90% de transpiração, 5% de inspiração e 5% de pausa para o cafezinho. Ivana Bentes recentemente fala que “a obra é o lixo da produção”. Como você vê o mercado brasileiro de fotografia fine art?
O mercado de arte no Brasil ainda é muito incipiente, não em termos de qualidade, mas de volume de trabalhos. Acho que ele já tem certa expressividade, mas ainda precisa crescer bastante para chegar a níveis internacionais. O mercado da fotografia, especificamente, está bastante segmentado.
Quanto à afirmação da Ivana Bentes, eu acho difícil concordar porque ela é muito forte, muito pejorativa. Eu entendo que a Ivana tenha se referido ao “lixo” como resíduo do processo de criação. Mas eu não posso concordar com esta frase porque eu faço arte me preocupando muito com o resultado final. Então chamar isso de lixo, para mim, não faz o menor sentido. Na minha opinião, não adianta ter uma ideia, um conceito e executá-lo. Se não estiver bonito, eu vou refazer.
Foto: Thiago Barros. Da série Azul
No Rio de Janeiro, alguns laboratórios tiveram um crescimento de cerca de 20% na revelação de filmes. Muitos estudantes de fotografia optam por uma câmera analógica, preferencialmente mecânica, como segundo equipamento. A cultura lomográfica se solidifica no flickr com cerca de 10.000 grupos. O futuro é analógico?
Eu não acho que o futuro seja analógico, mas a gente vive momentos cíclicos. Na minha visão, a fotografia digital trouxe um excesso de imagens e, por que não, de lixo. Hoje a pessoa não pensa mais para fotografar, ela fotografa e pensa depois. A fotografia digital abriu um leque de possibilidades de manipulação, de construção de imagens. E eu acho que isso criou uma estética que, de certa forma, cansa. Tudo fica muito engessado, muito previsível. Então, quando aumenta o número de revelação de filmes ou o número de pessoas que usam uma câmera lomo, é porque elas estão buscando um resultado plasticamente diferente dessa massificação de imagens digitais, além de buscarem o inusitado, a surpresa, que não se tem mais com os equipamentos digitais. Eu não acho que o futuro seja analógico, mas acredito que os dois modelos vão coexistir.
Foto: Thiago Barros. Da série Azul
Projetos à frente… Você continua com o Metrópoles, ele vai para algum outro local?
Metrópoles é um projeto que não precisa morrer, ele é atemporal, então posso fazê-lo ao longo da minha vida. Eu estou fotografando Brasília, vou fotografar o Rio de Janeiro e, quando surgir a oportunidade de fotografar outra capital, eu o farei. Estou querendo levar a exposição Metrópoles – Paris para São Paulo e Fortaleza. Tenho também outros projetos, que fui desenvolvendo ao longo das minhas viagens, e vou continuá-los, até que eles estejam maduros o suficiente para serem exibidos.
Veja mais posts de f508






[...] aqui para ler, na íntegra, o primeiro post do f/508 em colaboração com o blog do Paraty em Foco. [...]
Caros Humberto e Janaina. Gostaria de dar as boas vindas ao Fotoclube f/508. Parabéns pela excelente entrevista. Um forte abraço
Fernando Rabelo.
Quero parabenizar o f/508 pelo trabalho hercúleo no fazer e divulgar fotográfico, especialmente, aqui em Brasília. O post de estréia foi muito bem-vindo. Todas as perguntas foram super bem escolhidas e editadas.
Valeu, pessoal. Valeu, Júlia!
Obs: Em tempo, o Thiago é um querido e manda muito bem(rs)
Grande amigo Thiago, fiquei muito feliz com a matéria e desejo a vc. todo sucesso do mundo.Parabéns. José Guilherme.
Sou meio suspeito para falar algo sobre esse meu amigo e brilhante fotógrafo. O Thiago é um fotógrafo que coloca sua alma a cada click, sua visão ultrapassa qualquer lente, qualquer foco. Quando fui em sua exposição (Metrópoles) no Museu de Belas Artes no Rio de Janeiro fiquei louco com suas fotos e sua técnica primorosa. Amigo lhe desejo todo sucesso desse mundo e que sua estrada seja repleta de luz e de trabalhos brilhantes. Sou seu fã número 1, rs rs rs. Fica com Deus irmão.
Marcelo Scharbel vulgo Marreco, rs rs
Você é um profissional maravilhoso: fotógrafo e laboratorista. Sou sua fã! Parabéns, Thiago!
Patricia Samel
Thiiago além de um excelente professor possui um esmero com todo o trabalho que faz
Parabéns querido !
Roberta Condeixa
Thiago,
Seu trabalho é maravilhoso e sua dedicação à fotografia um exemplo a ser seguido.
O ECCO tem enorme honra de conseguido promover sua exposição METROPÓLIS em Brasília.
O público fica encantado com suas obras…
Parabéns pelo excelente profissional que é e espero revê-lo em breve !!!
Karla Osorio
Parabéns pela entrevista e pelo excelente trabalho!
Muito sucesso pra você!
Meus parabéns Thiago! Você é O cara! Gosto muito – e sempre gostei! – do teu trabalho.
Um abração.
Caíque.
Dá-lhe Thiago, garooooooto ! Tá fazendo muito bem! Parabéns e tb p a Sociedade Fluminense de Fotografia.
Concordo com todos os que admiram o trabalho do Thiago. É realmente um grande profissional da fotografia, reconhecido internacionalmente. De modo que,tenho a certeza de que minha opinião não é apenas corujice de tio-avô…
Adorei as fotos da série “Azul”, que ainda não tinha visto. Afinal, vivemos em nosso planetinha azul.
Parabéns Thiago, você merece todo esse reconhecimento.
Beijo do
Tio José
Parabéns pelo trabalho! As fotos são incríveis! Desejo toda a sorte e sucesso pra vc! Abços,
Aline Passos
Thiago,
como diz a Samel, você é um fotógrafo maravilhoso, sensibilidade enorme, e seu conhecimento de laboratório, faz o complemento .
parabéns sempre, Metropolis talvez seja a sua série mais maravilhosa que conheci até hoje.
parabéns também à sua SFF.
beijo
Meu amigo Thiago,
Assim eu já entrego logo que não sou imparcial, ser seu amigo é ótimo.
Conheci você sendo seu aluno no curso de laboratório, o que me ensinou como é fundamental, ao tirar a fotografia, saber da importância da informação que se está gravando no filme. Nesse curso aprendi a respeitá-lo como excelente laboratorista.
Depois ao ver seus trabalhos fotográficos passei admirá-lo, também, como fotógrafo competente na técnica e sensível como artista.
Quem tem o prazer de conversar com você conhece a sua inteligência, bom humor e cultura.
Resumindo, não me surpreendeu sua entrevista e a beleza das fotos que a ilustram, era óbvio que que ela teria a qualidade que demonstrou.
Grande abraço,
Durval
Parabéns Thi, a entrevista está ótima! E as fotos melhor ainda!
Bjokas, se cuida!!!!!!
Parabéns Thiago, pelo conjunto do seu trabalho e por estar sempre aberto a compartilhar suas idéias e conhecimentos.
Seu percurso é inspirador!
Excelente o artigo.
Caro Thiago,
O seu trabalho reflete o ser humano que você é, meus parabens.
Thiago,
Adorei a entrevista e ainda vou ver a sua exposição" Metropoles-Paris",por isso tenha planos de voltar para o Rio com ela!! Que o seu talento e sensibilidade continuem te abrindo muitas portas!! Vc merece!!
Beijo grande
Lu
Thiago parabéns pela entrevista. Concordo com o que você disse que Metrópoles é atemporal, por outro lado o vejo como um equilíbrio de forças com a febre das imagens instantâneas, o que o torna absolutamente relacionado ao presente.
Um grande abraço!
Thiago Augusto,
Não pude me eximir de deixar registrado meus cumprimentos pelo louvável trabalho que vens desenvolvendo, filho.É motivo de orgulho acompanhar sua trajetória de empenho e vitórias. bom saber que de um modo ou de outro participo deste processo ao colaborar com sua presença neste mundo, parabéns vamos pra frente!!
Thiago, madura sua entrevista. Voce trabalha fundo e equilibra rasao e sensibilidade.
Beijos e nos vemos na Sociedade Fluminense de Fotografia, a mae de todos nos!
Leave your response!
Últimas da Blogosfera »
Blogs participantes »
Flickr
Flickr Groups » Participe!
Últimos Comentários »
Tags »
+ Vistos »