Pequenas alegrias

Foto: Rodrigo F. Pereira
Em texto publicado no site Câmara Obscura, Rodrigo F. Pereira reflete sobre a complexidade presente no momento em que o fotógrafo decide qual técnica irá empregar para concretizar determinada ideia ou capturar uma cena que se mostra a ele. Um mesmo objeto pode gerar duas ou mais representações imagéticas completamente diferentes. É possível, inclusive, que o assunto fotografado seja transfigurado de tal forma que apenas o fotógrafo, que estabeleceu contato com o objeto embrionário de sua criação, seja capaz de fazer a associação entre as duas realidades.
O que provoca a seguinte reflexão: seria, de fato, relevante que o produto do trabalho conceitual e técnico do fotógrafo se assemelhasse de forma clara e previsível à matéria-prima que o gerou? Há quem defenda que não. Há quem seja adepto da filosofia “aprender para esquecer”. Não esquecer no sentido de voltar à estaca zero, mas de não se prender às regras formais do “como fazer” para fazer a seu modo, e criar, comunicar ideias.
Mais do que o prazer provocado por uma fotografia tecnicamente bem executada, há a alegria em se surpreender com um resultado inesperado. O próprio processo de produção de uma fotografia que fuja à representação pura da realidade e atenda a uma ideia que teima em se concretizar, transgredindo-se a técnica ou lançando mão do acaso para chegar ao resultado planejado, já é fonte de êxtase e realização pessoal. O imprevisto e a falta de controle sobre a imagem final tornam sua confecção ainda mais atraente e desafiadora.
É esta alegria provocada pelo resultado inesperado que faz da transgressão da técnica uma gostosa brincadeira. Talvez seja um meio também de escapar um pouco das convencionalidades que cercam aqueles que detêm o conhecimento da técnica fotográfica e fazê-los voltar à surpresa causada pelas primeiras fotografias, frutos das descobertas do mecanismo da máquina, da interação entre luz, filme e químicos fotográficos.
Para concluir este artigo, que não pretende mais do que provocar reflexões acerca do tema, nada melhor do que a frase do escritor alemão Hermann Hesse:
“A felicidade é um como, não um o quê, é um talento, não um objeto”.
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