Home » Blogosfera

Ripper

[ Cia de Foto | 3 mar 2010 | Comentários desativados | 46 visitas ]

Nosso workshop no DeVercidade foi “Para contar uma História”

© João Roberto Ripper

E repercutindo um assunto que pairou em todo o evento, as expansões das fronteiras da fotografia documental, nosso grupo(Cia, Lívia e alunos) resolveu reeditar um ensaio mostrado por João Roberto Ripper.

O trabalho é sobre mulheres que estão sendo processadas por terem feito aborto.

© João Roberto Ripper

Duas questões nos chamaram atenção, a primeira, a afirmação de Ripper de que seu trabalho é sempre feito em co-autoria com o fotografado -

“Do instante decisivo aos “tempos fracos”, em menos de um quarto de século o mundo se esvaziou; a fotografia-documento partiu-se; transformaram-se a ação, o trabalho e os homens, como, aliás, também a maneira de fotografá-los. No instante decisivo, a foto era captada às pressas. Na época dos “tempos fracos”, tornou-se impossível – ou, em todo caso, inoperante – essa espécie de roubo legal. Um novo autor emerge ao lado do fotógrafo: o fotografado, o Outro. O roubo é, então, sucedido pela troca, pelo diálogo.” André Roullie -

A afirmação de co-autoria com o fotografado nos trouxe essa ideia(acima) de Roullie. Lembrando que “tempos fracos” é uma expressão praticada por Depardon em oposição a lógica do Instante Decisivo.

© João Roberto Ripper

Outra questão levantada por Ripper foi quando afirmou que esse trabalho teve a prática de, após os cliques, deixar seu computador com as fotografadas, autorizando elas a deletarem qualquer foto que não gostassem. O processo desse trabalho então era o de fotografar, disponibilizar as fotos no exato momento pós-clique, e ter seu trabalho inteferido pelas personagens. Uma atitude extrema de poder dado as fotografadas.

Essa discussão foi um ponto chave de nosso workshop, ministrado também pela amiga Lívia Aquino, parceira nossa no DeVercidade. Isso foi considerado uma postura contemporânea.

O exercício em sala “Para contar uma história”, passou a ser uma homenagem a Ripper, resignificando seu ensaio.

Foram escolhidas 04 imagens. Todas elas retratando gestos simples, cotidianos. Nossa escolha foi tratar o aborto como um gesto.

A dinâmica em turma foi pretender que Ripper tivesse fotografado o aborto ilustrado pelo gesto afetivo.

As fotos foram escolhidas por esses gestos, por um beijo, um toque, etc.

E tudo foi reeditado em cores.

© João Roberto Ripper

Fica aqui nossa homenagem a Ripper. Esse maravilhoso fotógrafo, essa grande pessoa.

E a dica de um post(que adoramos!) no Olha, vê!




Veja mais posts de Cia de Foto

Não gostei!Gostei! (Nenhum voto registrado.)
Loading ... Loading ...




Comments are closed.

Realização

Patrocínio

Parceiros

Apoio