Fotografia e hibridismos
Diante da infinidade de imagens a que somos submetidos diariamente, realidade construída principalmente pela massificação da fotografia digital e pela internet, alguns fotógrafos buscam no hibridismo com outros meios de expressão visual, como as artes plásticas e o cinema, alternativas para desenvolver uma linguagem própria.
São tantas as fotos vistas, de forma quase inconsciente, que não há como lembrar-se delas em uma semana ou, até mesmo, no dia seguinte. O desejo de ousar e a preocupação de alguns fotógrafos em provocar estranhamento ou reflexão por meio de seu trabalho, levam-nos a desafiar o equipamento e as técnicas de captura e impressão da imagem, muitas vezes para atingir resultados total ou parcialmente inesperados.

Foto: Dirceu Maués. Feito poeira ao vento
Para o filósofo Vilém Flusser, que trata dessa questão no livro A Filosofia da Caixa Preta, a liberdade está justamente no ato de transgressão da lógica do aparelho. O trabalho do fotógrafo e estudante de artes plásticas Dirceu Maués corrobora a tese de Flusser. A essência da fotografia do artista, que há 7 anos escolheu a técnica pinhole como linguagem de sua produção autoral, está na experimentação e na constante investigação do processo fotográfico, de técnicas e equipamentos alternativos. A onipresença das imagens geradas por câmeras digitais é um dos motivos pelos quais Dirceu busca recriar meios artesanais de produção de imagens, aparatos que proporcionam uma linha de trabalho mais purista.
O projeto Somewhere – Alexanderplatz foi vencedor do programa Rumos, do Itaú Cultural, que garantiu a Dirceu uma bolsa de estudos em Berlim e uma exposição na mesma cidade. A instalação Somewhere – Alexanderplatz ficou em cartaz de 27 de novembro a 13 de dezembro de 2009 e abrigou seis projeções de vídeos stop-motion, que mostram imagens da famosa Praça de Berlim vista de diversos pontos. Para fotografar o local em 360°, Dirceu construiu 120 pinholes com caixas de fósforo.
Enquanto estava em Berlim, Dirceu resolveu fazer um novo experimento. Expôs papel fotográfico à luz e desenhou sobre ele utilizando químico revelador. O resultado foi batizado como Quimiograma.

Quimiograma
A inventividade de Dirceu Maués é apenas um exemplo de como a fotografia pode ser utilizada como uma extensão da mente, como materialidade de ideias e conceitos. O desenvolvimento de um trabalho autoral oferece ao fotógrafo a possibilidade de sobrepor sua personalidade à técnica, imprimindo no resultado final do trabalho uma intensidade própria, não um discurso impessoal.
*Veja o blog Atêlie Residência, do programa Rumos Cultural, onde o artista registrou sua experiência em Berlim.
Por Júlia Salustiano
Diante da infinidade de imagens a que somos submetidos diariamente, realidade construída principalmente pela massificação da fotografia digital e pela internet, alguns fotógrafos buscam no hibridismo com outros meios de expressão visual, como as artes plásticas e o cinema, alternativas para desenvolver uma linguagem própria.
São tantas as fotos vistas, de forma quase inconsciente, que não há como lembrar-se delas em uma semana ou, até mesmo, no dia seguinte. O desejo de ousar e a preocupação de alguns fotógrafos em provocar estranhamento ou reflexão por meio de seu trabalho, levam-nos a desafiar o equipamento e as técnicas de captura e impressão da imagem, muitas vezes para atingir resultados total ou parcialmente inesperados.
Para o filósofo Vilém Flusser, que trata dessa questão no livro A Filosofia da Caixa Preta, a liberdade está justamente no ato de transgressão da lógica do aparelho. O trabalho do fotógrafo e estudante de artes plásticas Dirceu Maués (http://site.pirelli.14bits.com.br/autores/221) corrobora a tese de Flusser. A essência da fotografia do artista, que há 7 anos escolheu a técnica pinhole como linguagem de sua produção autoral, está na experimentação e na constante investigação do processo fotográfico, de técnicas e equipamentos alternativos. A onipresença das imagens geradas por câmeras digitais é um dos motivos pelos quais Dirceu busca recriar meios artesanais de produção de imagens, aparatos que proporcionam uma linha de trabalho mais purista.
O projeto Somewhere – Alexanderplatz foi vencedor do programa Rumos, do Itaú Cultural, que garantiu a Dirceu uma bolsa de estudos em Berlim e uma exposição na mesma cidade. A instalação Somewhere – Alexanderplatz ficou em cartaz de 27 de novembro a 13 de dezembro de 2009 e abrigou seis projeções de vídeos stop-motion, que mostram imagens da famosa Praça de Berlim vista de diversos pontos. Para fotografar o local em 360°, Dirceu construiu 120 pinholes com caixas de fósforo.
http://www.youtube.com/watch?v=eua8qRAdQew
Enquanto estava em Berlim, Dirceu resolveu fazer um novo experimento. Expôs papel fotográfico à luz e desenhou sobre ele utilizando químico revelador. O resultado foi batizado como Quimiograma.
http://static.ak.fbcdn.net/rsrc.php/z4HBM/hash/3krgnmig.swf?v=1332722166086&ev=0
A inventividade de Dirceu Maués (http://www.flickr.com/photos/dirceumaues/) é apenas um exemplo de como a fotografia pode ser utilizada como uma extensão da mente, como materialidade de ideias e conceitos. O desenvolvimento de um trabalho autoral oferece ao fotógrafo a possibilidade de sobrepor sua personalidade à técnica, imprimindo no resultado final do trabalho uma intensidade própria, não um discurso impessoal.
*Veja o blog Atêlie Residência, do programa Rumos Cultural, onde Maués registrou sua experiência em Berlim (http://atelieresidencia.wordpress.com/).
Veja mais posts de f508






[...] This post was mentioned on Twitter by f/508, 6º Paraty em Foco. 6º Paraty em Foco said: o @f508 publica post excelente sobre o trabalho de dirceu maués (entre outras coisas!), no blog do pef http://migre.me/uNAX [...]
[...] Para ler o texto na íntegra, clique aqui. [...]
[...] Para ler o texto na íntegra, clique aqui. [...]
Parabéns! belo trabalho do Dirceu e belo post do F508!
[...] de Dirceu Maués visite o site Cultura Pará, ou leia o texto/reflexão de Júlia Salustiano “Fotografia e hibridismos”. E para ver essa convergência de técnicas na realiazação do projeto de Dirceu, é só ver [...]
[...] Para conhecer mais sobre o trabalho do Dirceu Maués, clique aqui. [...]
Leave your response!
Últimas da Blogosfera »
Blogs participantes »
Flickr Convidados 2011 »
Flickr Groups » Participe!
Últimos Comentários »
Tags »
+ Vistos »
Realização
Patrocínio
Parceiros
Apoio