Cinco perguntas para Ricardo Resende
Terminam hoje as inscrições para XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia. Em janeiro, a RPCFB se reuniu com a presidência da Funarte, no Rio, e nesse encontro foram dados os primeiros passos para a criação dos novos editias para a Fotografia, inaugurados em abril (leia mais sobre eles aqui no blog). Aproveitando o ensejo, falamos com o diretor do Centro de Artes Visuais da Funarte, Ricardo Resende:
1. Quais foram as medidas tomadas pela Funarte em prol da fotografia, nos últimos anos?
Não me caberia falar sobre a política cultural para a fotografia dos últimos anos, da Funarte, tendo em vista que a atual diretoria chegou em Janeiro de 2009 (muito recente, portanto). De qualquer forma, a pessoa mais indicada para responder esta pergunta seria o meu colega e diretor do Centro de Programas Integrados, o Tadeu di Pietro, que também está à frente do CCPF – Centro de Conservação e Preservação da Fotografia. Como eu, ele tem o mesmo tempo de casa.
O que mudou para mim, depois de alguns meses no cargo de diretor do Centro de Artes Visuais (tenho citado este episódio em todas as ocasiões, porque foi muito positiva a provocação do fotógrafo e professor Milton Guran) foi uma crítica de que não havia mais diálogo da Funarte com a Fotografia. Este comentário nos despertou para a nossa total ausência – ou mesmo letargia – em relação à cadeia produtiva da fotografia. Até então, apenas o CCPF como uma ação continuada da instituição para a linguagem na instituição.
Atualmente, cabe ao CEAV fazer a política para a experimentação fotográfica. Para legitimar internamente nossas ações, foi pensado na reestruturação, que está tramitando no Congresso Nacional: uma Coordenação de Fotografia e Novas Mídias. Paralelo a isto, depois do encontro em Paraty (que gerou a Carta de Paraty), criamos um edital e reeditamos outro. São editais em que priorizaríamos o apoio à linguagem fotográfica. Entre eles, a reedição do Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, exclusivamente para o meio. Há anos que ele estava engavetado.
2. E atualmente, como você vê o papel da Funarte na fotografia brasileira?
A instituição pode retomar a sua importância. Mas precisamos ser bem-sucedidos com os nossos editais atuais. Precisamos de uma boa participação numérica e de projetos relevantes. Só assim nos fortaleceremos para ampliarmos os valores e quantidades dos prêmios de editais futuros.
Por outro lado, este encontro [Ricardo se refere ao encontro da RPCFB – Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil, que ocorrerá entre os dias 27 e 30 de maio, em Brasília. Saiba mais detalhes sobre isso amanhã, aqui no blog do PEF] é inédito e já é fruto desta articulação Ministério da Cultura, Funarte e produtores da fotografia. Muitas propostas vão surgir ali e, tenho certeza, potencializarão a nossa atuação. Mas esta importância ainda será construída e dependerá desta parceria com a RPCFB. Este diálogo que foi aberto pode ser muito rico neste sentindo.
3. A Funarte foi a maior responsável pelo desenvolvimento dos festivais e encontros de fotografia no Brasil. Com estes novos editais e o relançamento do prêmio Marc Ferrez, a fundação pretende retomar este papel?
Penso que ainda falta muito. Os editais são importantes para o fomento, mas a reestruturação da Funarte é mais ainda, pois precisamos formar uma equipe especializada para dinamizar estas ações já em curso e não ficarmos apenas na política dos editais, que é importante para a distribuição de verbas públicas para o país e sua diversidade cultural. Precisamos de massa crítica interna para fundamentarmos melhor os próprios editais e uma política efetiva para o fomento à fotografia. Só ai é que teremos condições de nos tornarmos novamente importantes para a produção e experimentação da linguagem fotográfica.
4. Serão considerados outros modelos de fomento ou apenas os editais? Trata-se de um programa contínuo do Ministério, com intenção de ser continuado, ou uma medida isolada?
Esperamos que seja um programa continuado, não episódico. Mas volto a frisar: vai depender da demanda pelos prêmios. Infelizmente, os números mostram o tamanho da cadeia e, portanto, o tamanho que deve ou deveria ser o investimento nos editais e outras ações do MinC e da Funarte. Por exemplo: temos o Edital Rede, que já tem vários anos e é um sucesso no seus critérios e ações artísticas que atende. O Conexão, que já está em sua segunda edição, este ano teve cerca de 850 inscritos. A primeira edição foram apenas 260. Foi uma grande surpresa para nós e mostrou que conseguimos fazer uma boa divulgação. Ambos foram criados na gestão Grassi e tinha à frente, no CEAV, o artista e gestor cultural Xico Chaves.
Acredito que um bom gestor cultural é aquele que tem uma boa visão, para dar continuidade nos projetos que apresentam resultados positivos. Por isso, espero que o próximo diretor do Centro dê continuidade, claro, se os nossos editais atuais e as ações atuais se mostrarem de interesse da comunidade fotográfica.
5. Quais os valores totais que esses editais vão disponibilizar para a produção e difusão da fotografia?
Este ano, tivemos um relativo progresso, em comparação ao orçamento de 2009, quando recebemos apenas R$ 2,7 milhões.
Já em 2010, apenas dois editais que atendem prioritariamente a linguagem fotográfica totalizaram mais de R$ 3 milhões: R$1 milhão para o Edital Projeto XI Prêmio Funarte-Marc Ferrez de Fotografia e R$ 2,25 milhões para o Edital de Apoio a Festivais de Fotografia, de Performances e Salões Regionais.
Mas temos que levar em consideração o valor total de todos os editais do Centro de Artes Visuais em 2010: são R$ 8.713.752,00. Apresento esta cifra já que todos os demais editais não faziam restrição de linguagens ou suportes. Os fotógrafos e os produtores da cadeia produtiva da fotografia poderiam ter participado de qualquer um deles. Mais informações e resultados estão no Portal das Artes da Funarte, na Internet.
A Funarte atual, como o órgão do ministério que deve fomentar a fotografia, tem que recuperar a sua importância dos anos 70 e 80, quando organizava as semanas nacionais da Fotografia, através do Infoto – Instituto Nacional da Fotografia da FUNARTE. Definitivamente, estas iniciativas legitimaram a fotografia como a mais importante linguagem artística da sociedade contemporânea brasileira. Com os novos meios digitais, a imagem fotográfica toma rumos impressionantes, com inovações tecnológicas, de comunicação e artísticas.
Para uma política efetiva para este meio em efervescência, o Ministério da Cultura e a Funarte precisam ouvir os maiores interessados. Penso que é isto que estamos fazendo neste momento.
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[...] This post was mentioned on Twitter by 6º Paraty em Foco, christian brandão. christian brandão said: para quem quer saber do envolvimento da funarte com a fotografia http://migre.me/HYUu (via @paratyemfoco) [...]
Gostaria de louvar a iniciativa da Funarte, em realizar estes editais para fomentar a fotografia. Vivemos uma época em que, no mundo das artes, a fotografia protagoniza um papel de destaque como nunca antes e qualquer incentivo do estado é muito bem vindo e absolutamente fundamental.
Serve como o cuidado que temos com uma árvore recém plantada. É preciso protegê-la da inclemência do clima para que possa se desenvolver como deve.
Este momento em que vivemos é crítico, Temos um grupo de jovens (e não tão jovens) fotógrafos, muito talentosos, até então praticamente esquecidos e desamparados pelos orgãos resposáveis pela cultura nacional, que, tenho certeza, festejaram muito a iniciativa da Funarte.
Gostaria, no entanto, de entender melhor por que é necessário à Funarte coibir a comercialização das obras que fomenta? A idéia não é desenvovlver a fotografia? Se desenvolvendo um projeto, este cria ramificações que incluem a comercialização do trabalho, por que isto vem a ser um problema para a Funarte? Seguindo este raciocínio os filmes financiados com dinheiro público deveriam ser de graça (o que também não é uma política acertada).
Eu respeitosamente submito que deveria ser extamente o contrário, Deve-se encorajar a comercialização dos trabalhos para a criação de um mercado auto-suficiente no país, que possibilite aos nossos artistas sobreviverem por si também.
Saudações cordiais,
Claudio Edinger
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