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E se Ansel Adams fosse digital?

[ | 29 jul 2010 | 16 Comments | 5.574 visitas ]

Ansel Adams - Uma das fotos achadas
Ansel Adams – Uma das fotos achadas por Rick Norsigian

Uma notícia nos jornais de ontem pegou a todos de surpresa; o pintor Rick Norsigian, que havia comprado uma caixa de negativos por U$ 45 em uma venda de garagem descobriu que os negativos eram de Ansel Adams, e que podiam valer mais de 200 milhões de dólares.
Leiam a notícia abaixo:

“Negativos do fotógrafo Ansel Adams valem US$ 200 milhões

Los Angeles (EUA), 27 jul – O especialista em arte Robert Moeller, depois de meio ano de estudo, concluiu a alta probabilidade dessas imagens terem sido feitas por Adams, uma notícia excelente para Norsigian, que agora pretende vender os negativos a colecionadores ou a museus. Acreditava-se que os negativos tinham sido destruídos em um incêndio que aconteceu em um laboratório em 1937, onde cinco mil placas fotográficas foram queimadas.Foi confirmada na segunda-feira a autoria dos negativos perdidos do pai  da fotografia americana, desparecidos desde 1937.
Ansel Adams morreu do coração em 1983.  Em 1966 foi eleito membro da Academia Americana de Artes e Ciências, e recebeu em 1980 a Presidential Medal of Freedom.”
A CNN, além da matéria, publica um vídeo-slideshow com algumas das fotos, bem interessante.

O que me leva a perguntar;

E se as fotos não fossem 65 negativos em placas de vidro, envolvidas em papel de jornal datado dos anos 1942 e 1943, e sim arquivos digitais?
Seriam encontradas?

Duvido muito.
De qualquer forma, a discussão é interessante.
A Cinemateca Brasileira publicou um livro, “O Dilema Digital“, que nos faz temer pela continuidade da preservação da memória digital, principalmente quando se trata de fotografia, cinema, audio e vídeo. É caro, difícil, requer cultura e tecnologia, além de ser efêmera, abstrata, a imagem digital.
Uma quantidade grande de comentários que ampliou o debate pode ser vista aqui.
De qualquer forma, fica a sugestão para que o assunto seja mais discutido nos eventos de fotografia e cultura no Brasil, já que é de interesse de todos nós.
Sugestões para preservar os negativos digitais para que possam ser achados daqui a 100 anos?

É só deixar o seu comentário abaixo!

:-)

Update: Não só a família de Adams, como também outros peritos contestam a autenticidade destes negativos.
O Images & Visions publicou hoje: http://migre.me/11c3t

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16 Comments »

  • Tweets that mention Paraty em Foco 2010 » Blog Archive » E se Ansel Adams fosse digital? -- Topsy.com said:

    [...] This post was mentioned on Twitter by clicio barroso filho, Fabio Luiz, Jane Baydum, Marcelo dos Santos, Flavio Lavanini and others. Flavio Lavanini said: RT @clicio: E se Ansel Adams fosse digital? :: http://bit.ly/cScDDQ [...]

  • Cacá Dominiquini said:

    Clicio, vc não sabe o qto pensei nisso esses dias.
    a arte precisa ser preservada, como as futuras gerações vão aprender e compreender a arte de nossos dias, se ela não existir?
    me preocupa bastante esse assunto, mas não tenho a menor ideia como será feita essa essa preservação…
    espero que todos possam pensar maneiras criativas para que a arte fotográfica de nossos dias não seja perdida… em algum buraco negro…
    bjo
    Cacá

  • juan esteves said:

    Bem, o dono da caixa queria 70 US$ e a compra ainda saiu por 45US$.
    Confesso que a principio achei exagerada a estimativa de 200 milhões US$ pelas imagens, mas lembrei de um leilão da Sotheby' ha um mês atrás, em 21 de junho, e a imagem "Clearing WInter Storm, Yosemite National Park, foi vendida por 722.000 US$ (para um comprador anônimo)
    A foto vem da mesma época da caixa encontrada, ano 1938, mas o print é dos anos 50, 60.
    Foi o recorde alcançado por uma fotografia de Adams…..
    Então…..200 milhões….até que não está exagerado….. No entanto, muita água vai rolar, porque os herdeiros já estão reclamando pelo conjunto, que segundo eles estaria perdido do acervo original……
    Como hoje ser herdeiro de artista virou profissão a coisa vai demorar!!!!

  • Paulo Fehlauer said:

    "Abismo que cavaste com teus pés…"

    Fico pensando se não temos que rever exatamente a nossa ideia de memória. Será que precisamos guardar tudo? Se não, o que guardar? No curso da história, já passamos por desenhos nas cavernas, palimpsestos, livros… muita coisa se perdeu, só a ponta do iceberg foi guardada (ou recuperada). Hoje tudo virou digital, desmaterializou-se. Ou seja, é natural que cheguemos a esse impasse. Mas é praticamente impossível se antecipar à tecnologia. Qualquer solução ou parâmetro que criarmos hoje já nascerá obsoleta. Acho que é a partir desse ponto que essa questão deve ser pensada.

  • juan esteves said:

    Sim, Paulo, o que nos leva aqueles milhões de usuários de imagem digital…que para alguns desavisados produzem uma forma de arte (sic) o que valeria mesmo a pena guardar como legado imagético para o futuro? O que registramos até hoje, as pinturas rupestres, as placas egípcias, a linguagem da babilônia, daguerreótipos, filmes super 8, 16 mm, é uma gota no oceano comparada a produção digital recente. Esse lixo todo que inunda internet, tv, e até mesmo certas galerias e museus.
    Por sorte essa producão não é como plástico que não pode ser destruida, criando um lixo eterno. Por sorte, como vc bem diz, o digital se desmaterializa! Pelo menos achamos que sim! Torcemos para que ele desapareça! Enquanto isso, vamos gravando cds e entupindo HDS!!!! os historiadores no futuro é que dirão se fizemos bem ou não!

  • Ana Moraes said:

    Ótima reflexão! Levantaram a bola e… .. .. Abçs a todos.

  • E se Ansel Adams fosse digital? – Nilo Fonseca said:

    [...] Leia mais>> [...]

  • madalenaestudio said:

    Bom….
    Bem…
    Hoje dizem os herdeiros e alguns populares que os negativos definitivamente *não são de Adams*…
    E Paulo e Juan, o que me consola é que o que realmente é lixo digital vai ser engolido pelo buraco negro e sumir.
    Mas…
    Entre o "lixo" há muita, muita coisa boa sendo produzida, e que vale sim a pena ser guardada; mas como guardar o intagível?
    Problemão! :-)
    O assunto me interessa MUITO.
    Clicio

  • Clicio (author) said:

    Bom….
    Bem…
    Hoje dizem os herdeiros e alguns populares que os negativos definitivamente *não são de Adams*…
    E Paulo e Juan, o que me consola é que o que realmente é lixo digital vai ser engolido pelo buraco negro e sumir.
    Mas…
    Entre o "lixo" há muita, muita coisa boa sendo produzida, e que vale sim a pena ser guardada; mas como guardar o intagível?
    Problemão! :-)
    O assunto me interessa MUITO.
    Clicio

  • marcio isensee said:

    Do nosso ponto de vista (hj, cidadãos do mundo) parece que esse esquecimento / desaparecimento é algo prejudicial… Mas a concepção de memória está se alterando… A propria aalise historica, antes positivista e calcada e documentos probatórios, está cada vez mais relativizada e contextualizda. Historiador que fala do mundo de hj eh quase um cronista… E como vamos “historicizar” nosso tempo em um futuro (perto ou longe)? Sei lah…
    Mas devemos encarar essa fluidez com um fato e buscar não (só) a conservação da materialidade e sim a perpetuação de ideais que estão (ou deveriam estar) presentes na produção imagética contemporanea…

  • vicente sampaio said:

    Ampliar as fotos num "CNC" mecânico ou a laser em uma placa de aço inoxidável. É brincadeira, mas não deixa de ter alguma verdade…

  • Márcio Neves said:

    Será que um dia encontraremos em ferros-velho de eletrônicos alguns HDs com Raws perdidos por ai?..rs

    Segue um link com a entrevista de Matthew Adams, neto do fotógrafo Ansel Adams que está contestando a autenticidade destes negativos, como informado nos comentario pelo Clicio:

    Os novos negativos são um tesouro ou uma fraude? http://jornal.publico.pt/noticia/29-07-2010/os-no

    Abraços a todos!

  • Iatã Cannabrava said:

    Márcio,

    Completo sua pergunta ….. serão restauráveis (os HDs e Raws)?
    Abraços

  • Elder Ferreira said:

    Dois aspectos temos que considerar:
    Com o arquivo digital a impressão feita à partir de uma fotografia não conterá mais as "marcas do tempo", ou seja, uma fotografia impressa em 2100 não parecerá que foi gravada em 2010. Alguns já achariam que isto não é uma vantagem…
    Sem dúvida o armazenamento das imagens que fazemos hoje é completamente diferente do que era feito antes com os negativos e nada nos garante que futuramente será igual ao de hoje. Mas temos que "nos virar" pois as mudanças são reais.
    Ninguém tem uma resposta definitiva.

  • marcelocarrera said:

    Sabe aquela grana que vc poupou a vida inteira e colocou em uma aplicação financeira ? ou mesmo o seu salário mensal quanto dessa grana você realmente vê ?? quanto dessa grana são apenas números em um extrato bancário ou em uma tela de computador que você acessa ???
    Pois bem essa grana está em um mega STORAGE, com vários níveis de segurança, com várias redundancias e sistemas de backup, em um datacenter refrigerado, abaixo da terra, com mecanismos contra incendio, ataques de bomba e terremoto.

    Enfim existe tecnologia hoje para tratar dados de forma profissional e segura, e garanto que esse acesso contratado por empresas como a Amazon.com, custam menos que você pensa e podem ser consumidos por demanda.

    Enfim vamos abrir as portas para tecnologia, e não ficar nessa valorização das coisas do passado..
    um cromo bem arquivado vai perdendo a cor.. digitalizado não.

    Vamos parar de nos bloquear com as novas tecnologias disponiveis.

    Um grande abraço a todos.

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