Fotografia Modernista no MARGS
O Museu de Arte do Rio Grande do Sul apresenta a exposição Moderna Para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú, de 27 de julho a 10 de outubro, nas Galerias Iberê Camargo e Oscar Boeira.
A iniciativa é resultado da parceria do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com o Itaú Cultural. Com curadoria do fotógrafo Iatã Canabrava, a exposição remonta aos anos 40 a 70 do século passado, quando na esteira do modernismo europeu e americano da década de 20, os artistas brasileiros entraram na discussão sobre os limites da arte fotográfica.
Em um total de 86 imagens, de 26 artistas, este recorte da coleção de fotografias do Itaú mergulha, sobretudo, no movimento fotoclubista brasileiro.
“Esta exposição reforça o esforço do grupo Itaú para dar acesso ao público de todo o país aos diferentes recortes de sua coleção”, afirma Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. “Nossa parceria com o MARGS para que os gaúchos possam apreciar recorte tão significativo deste acervo reafirma o compromisso do grupo Itaú com o público, a arte e a cultura brasileiras.”
Segundo Canabrava, o fotoclubista brasileiro começou em São Paulo no Foto Cine Clube Bandeirante, fundado em 1939, e se alargou para os outros fotoclubes. Em geral era composto de amadores da fotografia que, livres das obrigações de um trabalho comercial, puderam experimentar e ousar quebrando regas e padrões. Nesses núcleos aterrissaram artistas como Geraldo de Barros, Thomaz Farkas, José Yalenti e German Lorca, presentes na exposição.
“Nas imagens destes fotógrafos encontrarmos as buscas de formas e volumes, abstracionismos e surrealismo, em uma evidente influência das antigas vanguardas européias”, conta o curador que pesquisa o assunto há cinco anos. Os trabalhos destes artistas começaram pictorialistas, imitando os padrões da pintura do século XIX. Com o desenvolvimento e crescimento econômico do país desembocaram no celeiro da fotografia moderna brasileira, a chamada Escola Paulista.“Esta, por sua vez, por meio de experimentações estéticas e por vezes científicas redirecionou o rumo do fazer fotográfico como já estava ocorrendo na Europa e EUA desde décadas anteriores”, conta o curador. “A partir deste momento, texturas, contra-luzes, enquadramentos sóbrios, linhas geométricas, solarizações, fotomontagens, fotogramas, entre outros tópicos passam a integrar o vocabulário criativo.”
Na exposição encontram-se raridades como a foto Praticáveis, na qual German Lorca ironiza o banal com simplicidade. Em Telhas, Thomas Farkas constrói com criatividade um novo olhar sobre os já tão fotografados telhados. “Mesmo com o título ao lado da fotografia, duvidamos de qualquer referência a telhas ou telhados”, observa o curador. “Esta imagem nos leva a um passeio por luz e movimento, e particularmente lembra as bandeiras de Volpi, que na verdade não nasceram bandeiras, mas sim telhados.”
No livro A Fotografia Moderna no Brasil , de Helouise Costa e Renato Rodrigues, encontramos: “A partir de José Yalenti iniciou-se uma ruptura na fotografia bandeirante. O contraluz e a geometrização abriram um campo ilimitado de possibilidades. O que parecia uma simples experiência formal resultou em uma intensa atividade questionadora, levada a cabo por inúmeros fotógrafos.”
Paulo Pires, que expôs pela primeira vez em 1950 no Foto Cine Clube Bandeirante, incorpora dois elementos à sua fotografia: o banal, que pode ser visto em Composição com Torneira, e a metrópole paulistana em vertiginoso crescimento, com seu trabalho sobre o Copan de Niemeyer, como se observa na foto Linhas. “Esta imagem mostra o desnudamento do símbolo maior da cidade de São Paulo, o Copan, ainda em andaimes de madeira”, assinala Canabrava. O abstrato-geométrico de Ademar Manarini faz par perfeito com Arabescos em Branco, de Gertrudes Altschul, rara representante do gênero feminino no fotoclubismo deste período. Se junta a este grupo a imagem Formas, de Eduardo Salvatore, de quem vale ressaltar o importante papel no cenário fotoclubista como um dos fundadores do Foto Cine Clube Bandeirante, entidade da qual ele foi presidente entre 1943 a 1990. Scavone, em Abstração #5, completa o conjunto, em uma foto eternamente contemporânea de cartazes rasgados, enquanto, Tufi Kanji, Délcio Capistrano e Chakib Jabor constituem uma espécie de grupo surrealista do fotoclubismo brasileiro.
SERVIÇO
“Moderna Para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú”
Museu de Arte do Rio Grande do Sul
Praça da Alfândega, s/nº
Tel: (51) 3227 2311
Abertura para convidados: 27 de julho,19h
De 27 de julho a 10 de outubro
De terça-feira a domingo, das 10h às 19h
Entrada franca
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777
www.itaucultural.org.br
Update 01: Juan Esteves, fotógrafo, crítico e jornalista, nos manda o link da resenha que fez do citado livro “A Fotografia Moderna no Brasil” de Helouise Costa e Renato Rodrigues da Silva.
Obrigado, Juan!
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[...] This post was mentioned on Twitter by clicio barroso filho, anarovati. anarovati said: RT @clicio: Brazilian Modernist Photographers at MARGS – Beautiful exhibit! :: http://bit.ly/9h29JW [...]
"…40 a 70 do século passado …."
E eu já sai olhando para os lados, procurando a minha bengala.
Valeu Clício! E aos amigos gaúchos venham tomar champanha no MARGS amanhã as 19h (terça_feira 27 de julho)
Realmente uma ótima oportunidade para ver de perto imagens clássicas e outras tantas absolutamente desconhecidas da minha geração.
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