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Fotojornalismo brasileiro a todo vapor!

[ Estúdio Madalena | 11 jul 2010 | 3 Comments | 1.861 visitas ]

Entra ano, sai ano, críticos e profissionais decretam o fim do fotojornalismo. Novas ferramentas surgem, como o iPad, anunciando pelos mais afoitos, o  previsto fim da mídia impressa. Provavelmente, desde as litografias da época de D.Pedro II, se fala em que um dia teremos que ler as notícias de outra maneira, mas pelo andar da boa produção brasileira, ainda vai demorar. Nossas publicações impressas ainda vão muito bem, obrigado!

“O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro”, edição 2010, publicado pela Editoria Europa, está no seu segundo volume comprovando que a imagem brasileira continua forte. Melhor, continua dando frutos. São 200 páginas, quase 200 imagens e 90 fotógrafos que produzem em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Brasília,  Rio de Janeiro, Santa Catarina entre outros estados brasileiros, um acréscimo significativo sobre a primeira edição de 2009.

Márcio Silva/A Crítica

Não precisa ser professor nem crítico para descobrir que tudo na fotografia muda. Também, nem ser muito gênio para saber que nem toda mudança significa evolução. Entretanto, nosso fotojornalismo dá sinais evidentes, para um bom observador, de um crescimento constante e de um amadurecimento exemplar. Basta notar que surgem a cada ano publicações que estampam fotografias na maior parte de seu conteúdo.


Wilton Jr./Agência Estado

O número de fotógrafos brasileiros nos principais eventos mundiais cresceu. Os grandes veículos não se contentam em mandar seus repórteres apenas para os jogos de futebol e esportes olímpicos, e cada vez mais vemos coberturas exclusivas em eventos que podem variar do fórum sobre os destinos do clima em Copenhagen até o dia -a -dia de uma tragédia como a ocorrida no Haiti no começo deste ano.

No  mesmo compasso da evolução tecnológica, com câmeras aumentando constantemente seu poder , os canais de telecomunicações transformando minutos em segundos, e as rotativas rodando mais rápido, os fotógrafos perceberam – há algum tempo, diga-se de antemão – que a produção de seu conteúdo deveria acompanhar toda essa nova dinâmica, nem tanto pela obrigatoriedade de mudanças, mas no sentido de sacramentar todo o conhecimento apreendido, em imagens que traduzissem não somente notícias, mas histórias dentro delas.


Marcos Ramos/O Globo

Em diferentes padrões, aquele fotojornalismo espelhado em heróis como Chim ou Robert Capa, mudou, e muito. Não somos nós que estamos dizendo isso, mas seus diretos herdeiros como Thomas Hoepker, e outros mais. As grandes cooperativas de imagens mudam seu perfil para atender outras demandas e a imagem fotográfica se expande em outras direções, como a arte. Entretanto uma coisa não muda e não mudará. Para um bom fotojornalismo (ou boa arte) é preciso um bom profissional.

Lula Marques/Folha Imagem

Oriundos de diferentes fontes informativas, como universidades, cursos, escolas especializadas,  seja no Brasil ou em grandes centros educacionais internacionais, uma grande parte de fotojornalistas se dedica a mesclar conhecimento, experiência e cultura. A boa produção não surge apenas do talento nato. Este, embora indispensável, passa por aprendizados e exercícios contínuos, leituras e releituras do que foi feito de melhor ao longo de décadas. O fato é que,  se a notícia muda, o fotojornalismo também muda!

O espaço que o fotojornalismo brasileiro usufruia nas décadas douradas de 50, 60 ou 70 certamente não se repetirá e coube ao profissional de hoje administrar menos páginas na inserção de um conteúdo mais profundo. A seleção apresentada no “Melhor do Fotojornalismo Brasileiros, edição 2010,  exibe os diferentes meios de excelência, que ainda persistem nas mãos de grandes profissionais, que por sua vez,  apresentam diferentes  linguagens. A era de uma imagem sempre da mesma forma acabou. Não há mais espaço para saudosismo.

Franklin de Freitas/Jornal do Estado

Significativo notar também que o fotojornalismo não só se destaca mas cresce geograficamente, repercutindo para alguns centros que até então ouvíamos falar muito pouco, e outros que nem mesmo tínhamos idéia de sua existência. Trabalhos de nível exemplar surgem de recônditos não muito explorados, onde uma profunda prospecção foi buscar e apresentar seu melhor.

Nesta segunda edição do melhor do nosso fotojornalismo, trabalhos de jovens profissionais  se mesclam com aqueles de vasta experiência e inúmeros prêmios acumulados, comprovando que a boa fotografia continua a surgir daqueles que estão começando ou por aqueles tarimbados, cujo talento, assim como a notícia bem registrada,  está longe de esfriar.

Sergio Lima/Folha Imagem

Nomes de vasta bagagem e prêmios, como Jorge Araújo, Evandro Teixeira, Genaro Joner,  Roberto Jayme e  Sergio Amaral, dividem páginas com jovens profissionais talentosos, como Alexandre Severo, Anderson Schneider, Alcione Ferreira, Hélia Scheppa e Urbano Erbiste, entre outros descedentes diretos do melhor que nosso fotojornalismo produziu desde dos anos 50.

Juan Esteves, fotógrafo, vem escrevendo seus artigos desde 1988 na Folha de S. Paulo. Foi colunista da Revista Iris Foto e editor e colunista do Fotosite. É articulista da revista Fotografe Melhor e colaborador de textos e imagens para revistas como Mitsubishi, Living Alone, Viaje Mais e editora Cosac Naify. Agora, no blog do Paraty em Foco, Juan posta textos inéditos ou publicados – os últimos, com reedição e atualização feitas especialmente para este blog.

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3 Comments »

  • Tweets that mention Paraty em Foco 2010 » Blog Archive » Fotojornalismo brasileiro a todo vapor! -- Topsy.com said:

    [...] This post was mentioned on Twitter by mônica canejo, mônica canejo. mônica canejo said: ………………………………………………… http://bit.ly/bRrrdf [...]

  • Andre Gurgel said:

    Apenas um comentário técnico: a página demora bastante para carregar para quem tem conexão lenta, porque todas as fotos deste post, apesar de estarem configuradas para serem exibidas numa área de 580 x 389 pixels, estão armazenadas no servidor (e são trazidas) em seus tamanhos originais (inclusive com seus metadados intactos), sendo redimensionadas localmente pelo browser. Só a primeira foto, do Marcio, tem dimensões de 3872 x 2592, pesando 770K; e a última, do Lima, tem dimensões de 3839 x 2539, pesando 976KB. Grato pela atenção.

  • juan esteves said:

    Nossa! Obrigado pela informação André!

    abs

    Juan Esteves

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