Winogrand 1964
Winogrand 1964 *
Por Juan Esteves
O novaiorquino Garry Winogrand escreveu em 1963 “ Eu olho para as fotos que fiz até agora e penso: Quem somos nós e aquilo que sentimos. E, o que nós iremos nos tornar não tem a menor importância” (…) . Foi com este espírito que ele começou esta série que – apesar de seu trabalho estar mais identificado com Nova York – foi feita na maioria nos estados da Califórnia e do Texas, durante o ano de 1964.
Ano interessante, 1964: A nave Mariner 4 retorna de Marte com as primeiras imagens da superfície do planeta. Acontece o primeiro tour do Beatles nos EUA, com audiência de 71 milhões na televisão. Tem início a Lei dos direitos civis no EUA. O livro “O homem e seus símbolos” de Jung é publicado. Luther King recebe o Nobel da Paz, e um golpe militar, apoiado pelos EUA , começa uma série de 20 anos de regime militar no Brasil, entre tantos acontecimentos , descritos no prefácio do livro.
O que está no livro “Winogrand 1964” é o resultado da busca do fotógrafo pelo significado de seu trabalho e pelo mundo que ele reflete. Apesar de hermético é um corpo de imagens de absoluta digestão pela simplicidade com que o autor é capaz de transmitir sua busca interior. Entretanto, “imagens simples” são muito difíceis de fazer. Normalmente a maioria do fotógrafos busca inserir elementos complicadores e de difícil assimilação, numa tentativa de passar uma seriedade que não existe ou um vocabulário imaginativo que não tem.
Encontrar a simplicidade na transmissão das idéias, uma proposta imagética, não é para qualquer um. Por isso é tão raro um Cartier-Bresson, um Doisneau, um Alécio de Andrade ou um Carlos Moreira . O instinto deles prevalece sobre a racionalização burocrática das imagens, e é nesse sentido que as imagens de Winogrand se tornam deliciosamente fáceis de serem absorvidas.
Fotógrafo pouco conhecido por aqui, conto no dedo os fotógrafos que tem algum livro seu na estante. (noto o caso raro do fotógrafo Armando Prado que tem vários) Com este “1964”, mais uma vez, é dada a chance de se conhecer o trabalho deste autor extraordinário. Sem dúvidas, um dos melhores livros publicados nos últimos anos.
Garry Winogrand nasceu em 1928 e morreu em 1984.
Seu trabalho, ou melhor, seu legado, está no Center for Creative Photography, na Universidade do Arizona, nos EUA.
De setembro a outubro de 2008, a famosa Fraenkel Gallery, de São Francisco, Califórnia exibiu “Garry Winogrand – The Sixties”. Em sua apresentação citava que Winogrand era um dos fotógrafos mais influentes da última metade do século. Suas imagens abriram as possiblidades de como poderíamos redefinir um documentário, a partir de suas observações sem paralelo das complexidades da vida. Winogrand também revelou o drama das ruas, daquelas pessoas mais ordinárias, aquelas mais simples, que não estavam nos grandes eventos.
Uma das melhores definições sobre o fotógrafo vem do ex-curador de fotografia do Museu de Arte Moderna de Nova York, MoMA, John Szarkowski (1925-2007): “Winogrand nos legou uma obra que oferece novas pistas do que a fotografia poderá se tornar. Uma obra que continua a ser densa, perturbadora, inacabada, e profundamente desafiadora. A importância desse trabalho pode ser considerada por alguns como fundamentada apenas no estilo, na técnica ou na postura filosófica. Não há nenhum pecado neste engano, e até mesmo um trabalho útil pode vir dele, mas terá pouco a ver com o trabalho de Garry Winogrand, cuja ambição não era fazer boas fotos, mas conhecer a vida através da fotografia”.
Winogrand 1964- Arena Editions
*Texto originalmente escrito para o Fotosite, em 2003 e atualizado para o blog do 6º Paraty em Foco 2010.
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Juan,
Sou fã confesso também do Winogrand; um humor todo especial, uma visão de novaiorquino sobre a America, um documentarista sensível e crítico.
Parabéns, seus posts nos deixam sempre mais sabidos!
Clicio
[...] Melissa Andreata said: RT @paratyemfoco: Garry Winogrand e seu livro "1964" por Juan Esteves, no blog do Paraty em Foco 2010 : http://bit.ly/b1YbBi [...]
Muito bem lembrado. Adoro a frase na qual ele diz " Fotografo para ver como o mundo fica fotografado."
abs.Armando Prado
Aliás, o cara era cheio de frases Armando!
Acho que essa é dele, ou pelo menos lembro de ter lido ele citar. Uma ótima piada dos anos 60 , que é bem conveniente para as exposições de hoje :
"Se você não sabe o que ou como fazer, faça grande! Se não der certo ainda, faça vermelho!"
Bem mesmo que não seja dele, é ótima!!!
Juan Esteves
kkkkk…..muito boa esta frase Juan!!!
fala muito sobre os tempos atuais…
Depois do Winogrand tem "obrigatóriamente" que falar do Lee Friedlander, parceiro inseparável do Winogrand e que tb foi apresentado ao "grand monde" da fotografia pelo Szarkowski, na época em que era diretor de fotografia do MoMA.
Sou fã de carteirinha desta dupla dinâmica: Friedlander / Winogrand.
E tb faço parte dos que tem livros na estante…
grande abraço!
Everton Ballardin
Eu tb tenho o Winogrand como uma das grandes referências (e livros na minha estante). Com ele aprendi como o momento da vida do fotógrafo influencia em sua obra. Quando ele se separou, estava olhando para mulheres e fotografava muitas delas pela rua. Quando começou a pegar as crianças nos fins-de-semana, fez a série de fotos de animais no zoológico.
Grande delicia Juan, falarmos de Winogrand, um dos meus prediletos!
Adoro a seguinte frase dele: 'tudo e todas as coisas são fotografáveis!"
Sou orgulhosa de ter livros dle na estante de casa!
Bem, em atenção aos comentários do Ballardin, Luciana e Maria Clara, fico feliz que todos tenham livro do Winogrand! Notem que eu não disse que só o Armando tinha, mas que poucos tinham. Isso também foi em 2003… Bom saber que a força dele ainda continua! E espero que a conta tenha aumentando!
Quanto ao Friedlander, sem dúvida! em breve um post sobre o trabalho dele, sem falta!
A propósito, se tiverem um tempinho de pesquisar no google images, tem uma foto sensacional do Friedlander que mostra o Garry fotografando o Szarkowski . Um trio e tanto!
Grato pelo comentário dos amigos!
Mais sobre Friedlander: resenha no Fotosite, do livro "Kitaj" . http://fotosite.com.br/novo_futuro/ler_coluna.php…
E, Não deixem de ver e ler o livro da Luciana Whitaker sobre sua experiência no Alasca! "11 anos no Alasca" . Detalhes, comentei no Fotosite e está disponível no arquivo: http://fotosite.com.br/novo_futuro/ler_coluna.php…
Apenas aproveito aqui para corrigir um detalhe, a cidade que ela casou e morou é Borrow e não Brown, como está grafado no texto. Sorry Luciana!
abraços a todos
juan esteves
Hola les saludo desde Caracas , Venezuela …no sé porqué razón pero esta entrega de Paraty em Foco, no bajó completa las fotos de Winogrand no aprecen completas, será que me la pueden reenviar??..gracias y saludos
alejandro toro – fotógrafo
hola alejandro! que raro… de aqui no tenemos problemas en visualizar las imágenes. pero voy informar el hecho para nuestro webmaster, vale?
gracias por tu comentário!
Juan querido, na verdade o nome da cidade é Barrow! beijos e obrigada pelo carinho.
Luciana
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