Aeroporto, de Claudia Jaguaribe
A arqueologia dos ícones contemporâneos é clara na escolha da fotógrafa Claudia Jaguaribe, quando ela elege como assunto um aeroporto. É um espaço de múltiplas simbologias. É assim com este livro Aeroporto (Codex, 2002) e foi assim também com seus livros anteriores, Atletas do Brasil (Sextante, 1999) e até mesmo Cidades (Cia da Letras, 1993), que guardam certas semelhanças conceituais, resultado da coerência de sua obra.
Em Aeroporto, Claudia Jaguaribe não faz apenas registros arquiteturais ou humanos. Suas tomadas transformam o lugar numa espécie de templo visitado, onde cada espaço recortado por ela se torna um altar, onde se celebra a cor e a forma.
Fotografar arquitetura é uma coisa; fotografar o habitat com suas criaturas, é outra. E sob este aspecto, a fotógrafa faz um passeio pelo imaginário e até mesmo o inconsciente do lugar. Afinal, um aeroporto nos causa uma série de sensações, às vezes inexplicáveis: de prazer, medo, angústia e alegria, simultaneamente.
Para a fotógrafa, a escolha evidencia a materialização de uma sensação que tem quando viaja. A transitoriedade, o desconforto, a curiosidade, o anonimato, o excesso de informação visual a que somos submetidos. “Tudo isto num tempo diferenciado porque estamos em trânsito”, explica em entrevista a Claudia Amorim.
Ela também não extingue as possibilidades da imagem na sua concepção. Constantemente, ela a altera até chegar no resultado final exposto ou impresso, o que torna o resultado atraente.
O leitor, ao virar as páginas, é subitamente atraído por poderosas imagens, que materializam toda esta mística única e irresistível. A monumentalidade anódina dos saguões de entrada, os ângulos da poltrona de espera que se tornam o vértice de toda transitoriedade, são também relacionadas no texto de Agnaldo Farias.
Como o próprio Farias também nota, não há um denominador comum de uma lógica, nem a atenção a um estilo, ou de um momento que se sobressaia ao outros.
A organização imagética de Claudia Jaguaribe tem sua coerência e por sua vez, o bom resultado, na capacidade que ela tem de amalgamar sensações e formas de maneira exemplar a partir de múltiplos recursos – o retrato , a paisagem, a arquitetura – sem a limitação do tema em si.
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ESTRAORDINARIO TRABAJO, BRAVO! saludos, Luis González Palma
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