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Cinco perguntas para Brett Lloyd

[ adelaide ivánova | 27 ago 2010 | 6 Comments | 989 visitas ]

A história de Brett Lloyd é a seguinte: com 24 anos este inglês (de Yorkshire) pediu a sua vó uma câmera fotográfica de presente. Ela deu para ele uma Canon 400D e ele comprou, com seu próprio dinheirinho, um flash. Aí ele começou a fotografar os amigos e as festas que frequentava, e começou a publicar essas imagens na sua página no My Space.

Até aí, nada demais: quantos milhões de pós-adolescentes não fazem isso, todos os dias, no mundo inteiro (sendo eu mesma dessa laia)? Só que, com Brett, a coisa é como um conto de fadas fotográfico: poucos meses depois de começar a fotografar, o seu My Space foi encontrado por Nicola Formichetti, um dos produtores de moda mais importantes do mundo. Formichetti o convocou para fotografar um editorial para a Dazed and Confused, sendo que o produtor sequer pediu para ver um portfolio: ele gostou do que viu e pagou para ver mais. Isso foi em dezembro de 2008.


O primeiro editorial de Brett foi esse, para a Dazed & Confused de dezembro de 2008

De modo que assim, literalmente do dia para a noite, a carreira de Brett começou e é uma das mais meteóricas de que tenho lembrança (me lembra um pouco a trajetória de Daniel Klajmic, também bem intensa!). Brett tem apenas 26 anos.

Desde então, este inglês, que nunca estudou fotografia nem foi assistente de ninguém, já pôs as lentes de sua Mamiya a serviço da Puma, Vogue, i-D, Another, GQ, Candy entre outros clientes. No seu trabalho com moda, Brett leva para os editoriais e campanhas o mesmo fator orgânico com o qual costumava fotografar suas festinhas em Londres – o que ele quer é arrancar vida dos modelos: “Por isso para mim é um saco perder tempo medindo a intensidade do flash”. Ele quer é interagir com quem está na frente de câmera, e isso consegue ser visto no resultado final, oh yes.


Editorial para a Candy Magazine

Já seu trabalho pessoal é focado no retrato: meninos bonitos que ele encontra no My Space ou por intermédio de amigos de amigos, ou quando está viajando. Sua família e amigos entram na lista também. Aí, seu trabalho remete a Wolfgang Tillmans, Heinz Peter Knes, Walter Pfeiffer, Nan Goldin e toda essa galera interessada em fotografar quem está deitado ao seu lado. Mais que todos esses, o trabalho de Brett remete ao de Mark Morrisroe, fotógrafo de Boston, da mesma turminha de Nan Goldin e que morreu de Aids na década de 80.

“Porto Covo”


“Hey mum, hey grandma”


“I only dream of you, my beautiful”


“Me and my dad at his funeral”

Semana passada, encontrei com Brett e demos um rolê por Prenzlauer Berg, enquanto ele falou de David Lynch, cerveja e Henri Cartier-Bresson:


Brett fotografado por mim

Tu fizeste o caminho oposto da maioria dos fotógrafos na ativa atualmente, porque começaste com uma digital e depois foste para câmeras analógicas de médio-formato. Eu sei que essa é uma pergunta tonta, mas eu quero saber: faz alguma diferença para ti, usar um ou outro?
O ponto do digital é que ele faz sentido ser usado, é simplesmente mais otimizado. Mas quando eu trabalho com a Mamiya sinto que estou fotografando.

Eu li no NY Times que tu ficas super nervoso quando vais fotografar alguém. Seria porque todo mundo que tu clicas é bonito?
Sim, talvez! Mas é porque eu sou muito tímido, e nunca sei o que esperar de uma sessão de foto – também ter de que dirigir o retratado e ao mesmo tempo cuidar de luz, foco etc., é um pouco tenso. No começo eu bebia cerveja antes de uma sessão de foto, atualmente eu simplesmente contrato um assistente (risos). E os assistentes não conseguem acreditar o quanto eu não sei de fotografia!

Mas essa timidez me parece só charminho, porque nos teus editoriais de moda os modelos são ativos, quase insolentes de tão presentes na foto.
Ontem eu fui na Fundação Helmut Newton, aqui em Berlim, e vi alguns vídeos que o mostram trabalhando. O estilo das imagens de Helmut não é o que eu procuro para as minhas, mas a forma como ele dirigia me interessa: ele sabia o que queria, ele sabia como passar para o retratado o que ele tinha em mente.

Editorial para a Rodeo Magazine

Falando então em referências, quais são as tuas? Eu particularmente vejo um monte de coisas, principalmente porque tuas fotos de moda são muito diferentes das do teu trabalho não-comercial. 
Eu tenho medo das referências, não quero ser sugado por elas, sabe? Quando você olha demais para o mundo, acaba não sabendo mais o que é seu e o que é do mundo. Eu ainda nem sei qual é meu estilo, estou aprendendo. Eu olho para os meus trabalhos e cada um é tão diferente do outro, e eu gosto disso. E quanto às referências, são muitas, agora posso citar Walter Pfeiffer, Will McBride e Henri Cartier-Bresson. Ah, recentemente eu vi um editorial que David Lynch fez para a Purple Magazine e é genial.

Cartier-Bresson?! Nunca imaginaria.
E não são nem os retratos. Tem uma parte da pesquisa dele que é bem gráfica, de texturas e perspectivas inusitadas. Não estou certo disso, mas acho que isso foi antes de fundar a Magnum.

Semana passada, Brett lançou seu primeiro livro, The quieter poster boys. O livro reune imagens que ele fez durante sua mochilagem pela Europa, no verão de 2008. São 15 retratos de 13 meninos, dispostos em lâminas inidividuais (“Para você colar nas paredes do seu quarto”, me explicou), acompanhados de um livreto com textos que falam um pouco de cada retrato. O livro tem apenas 500 cópias, custa 45 dólares e está à venda no site da Dashwood Books.

No vídeo abaixo, veja mais cinco perguntas superimportantes que eu fiz para Brett (ouça com fone de ouvido, tinha um monte de criança alemôa gritando por perto):

five questions to brett lloyd from adelaide ivánova on Vimeo.

PS: essa entrevista só foi possível com a ajuda de Ricardo Domeneck. Thanx!

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6 Comments »

  • MARCOS said:

    Cada vez mais fico feliz em fotografar natureza..quanta porcaria fotografica nessa net…..

  • Cristianne de Sá said:

    hahahah ADOREI!

  • Renato said:

    Já imagino esse tal de Marcos tirando fotos de cogumelos e árvores. Coisa de caipira. Além do mais, muito mal educado ao tratar o trabalho dos outros. Muito bom este Brett Lloyd. Eu gostei. Ah! E bom também ver coisas mais jovens e contemporâneas aqui neste blog!

  • adelaide ivánova (author) said:

    cris, de fato, o trabalho dele é o máximo DENTRO DAQUILO QUE SE PROPÕE que, obviamente, não é natureza.

    e marcos, se eu entendesse de fotografia de natureza (muito embora eu ache que o termo "natureza" inclui também a humana, ha!), falaria disso. mas como tenho esse espírito de travesti, falo de moda. mês que vem o blog terá outro editor, vamos torcer para que ele tenha uma visão menos afetada do que a minha!

    renato, também adoro coisas jovens e contemporâneas ;)

  • eve rodrigues said:

    é maravilhoso vc pensar na quantidade de possibilidades que um simples acesso pode te dar..é como se vc pudesse se reinventar a cada informação da qual vc não tinha a menor ideia..

    Adorei entrar no blog para ver sobre paraty em foco e descobrir uma pessoa nova,e que pela maneira como me foi apresentado eu simplesmente adorei..

    Ah e concordo 10005 como que ele fala sobre analogicaxdigital..também me sinto assim..

    Luxoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!

  • Paraty em Foco 2010 » Blog Archive » Muitas perguntas para Heinz Peter Knes said:

    [...] falemos em referência, já que você citou Duane Michals. Ou tu, como Brett Lloyd, achas que olhar demais para fora confunde o que tem dentro? Eu entendo o que Brett quis dizer, [...]

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