Cinco perguntas para Jörg Brüggemann
O coletivo alemão Ostrkeuz foi um dos que integraram o Encontro de Coletivos Euroamericanos. De fevereiro a maio, eu tive que falar com eles um montão, enquanto editava o blog do Encontro. E, uma vez estando aqui, achei apropriado romper as barreiras do e-mail e encontar com Jörg Brüggemann, um dos 18 fotógrafos que fazem parte do coletivo.
O grupo tem um nome e uma história que se confundem com a própria história de Berlim – e, mais precisamente, da reunificação alemã. Ostkreuz é o nome da estação que, enquanto a cidade estava dividida, servia como principal conexão leste-oeste da linha de metrô berlinense. Além disso, a agência nasceu no mesmo ano da reunificação alemã, em 1990. Ela foi fundada por Ute e Werner Mahler, Sibylle Bergemann, Harald Hauswald e Maurice Weiss, todos fotógrafos do leste (com exceção de Weiss).
E como esse ano marca, portanto, o vigésimo aniversário do coletivo e da reunificação do país, eles lançaram o livro comemorativo The city, becoming and decaying, que reune as fotos um projeto semi-megalomaníaco, em que os 18 fotógrafos do coletivo viajaram para 22 cidades ao redor do mundo, com o objetivo de mostrar o espírito de uma cidade através de seus habitantes. Junto com o lançamento do livro, rolou a exposição destas imagens, na c/o Berlin, uma das galerias de fotografia mais legais da cidade.
Jörg é a mais recente aquisição da Ostkreuz: ele foi convidado para integrar o time em 2009, um ano depois de se formar na Universidade de Bremen, no curso de design. O projeto de conclusão de curso de Jörg foi Same same but diferent, sobre a cultura dos backpackers, com foco nos jovens de primeiro mundo que viajam para países pobres em busca de iluminação espiritual, liberdade, essas coisas. Jörg trabalhou neste projeto por 13 meses, viajou um montão e, com ele, começou a ganhar notoriedade no meio de fotografia documental na Alemanha… Até ser convidado para entrar na equipe da Ostkreuz.

Same same bur different. Foto: Jörg Brüggemann
Atualmente, Jörg está fotografando a comunidade metaleira mundo afora. Depois da Indonésia, ele deu um rolê pela cena do metal na Alemanha e, em outubro, segue para o Brasil. O financiamento deste projeto vem da bolsa que ele ganhou da instituição alemã VG Bild-Kunst.

Metalheadz (work in progress). Foto: Jörg Brüggemann.
Tarde dessas, Jörg me recebeu na sede do coletivo onde, além de responder à meia dúzia de perguntas bestas que eu fiz, ainda teve a delicadeza de apresentar (em alemão, tão legal!) o lugar onde eles trabalham. Pois:

Esse é o Jörg. Foto: Adelaide Ivánova.
Tu fotografas com uma câmera analógica de médio formato. É romantismo?
Não. Eu tive uma educação híbrida, não teve isso de passar por uma transição de um para outro, de sofrer por isso. Meus projetos pessoais eu desenvolvo com filme (eu prefiro trabalhar com filme) porque acho que é um exercício mais completo, você tem que ser mais conciso, em vez de ficar clicando tudo o que tem na sua frente. Mesmo muitas pautas e trabalhos comissionados ainda são possíveis fazer com filme, aqui na Alemanha. Mas claro, alguns clientes preferem que seja feito com digital, se o prazo for curto e tal.
O projeto que tu desenvolveste durante a faculdade, sobre as estações de gás natural na Bolívia, eram basicamente paisagem. Depois tu pulaste para o retrato e seguiu com ele. O bom da paisagem é que ela fica calada! Como tu lidas com os fotografados?
Eu fico tímido para me aproximar, pedir a foto. É uma coisa de falta de auto-confiança, mesmo. Por isso prefiro ficar muito tempo no lugar onde estou pesquisando, para ir me familiarizando e relaxar com o trabalho. As fotos para The city, becoming and decaying, que eu fiz em Ushuaia… Eu fiquei lá quase um mês. Existe um nível de comunicação não decrifrável, na hora de fotografar alguém. Tem gente com quem você conversa por 5 minutos e têm uma boa foto, tem gente que você conversa por cinco horas e só no fim consegue uma imagem boa. Mas tudo parte do básico: respeito pelo fotografado.

Imagem da série Mas Austral, feita em Ushuaia. Foto: Jörg Brüggemann.
Essa coisa do respeito é tipo não tratar o objeto como sendo exótico? É por isso que tu, como jovem da classe média europeia, viajante e ouvinte de heavy metal, preferes fotografar esses temas?
É, claro… Há uma identificação, um conforto. Acho que todo projeto pessoal precisa nascer de uma conexão pessoal do fotógrafo com o assunto. Mas veja bem, não pode ter muita intimidade, também. Porque não estou ali fotografando meus amigos, estou trabalhando. Quero me sentir próximo do ambiente, mas distante do objeto. É um caminho bem estreitinho, qualquer passo em falso ou você trata seu objeto como exótico, alheio, ou como íntimo.
Isso vai meio de encontro à tendência atual fotografia documental, que pelo pouco que conheço está mais in-doors que out-doors, agora.
Sim, mas se o trabalho ficar pessoal demais, só você se identifica. A coisa boa na fotografia é que ela seja universal. Meu desejo é que as fotos dos mochileiros, por exemplo, não sejam apreciadas somente pela comunidade mochileira, por ela também, mas não somente.
Qual a diferença entre fotografar um mochileiro e um metaleiro?
No fim do projeto, eu já estava um pouco cansado dos mochileiros, essa coisa de ir para o país dos outros atrás de iluminação, mas sendo que não é nenhuma busca profunda, é como uma moda. Já os metaleiros são uma combinação interessantíssima: você olha para eles e eles têm essa coisa brutal, mas são super cool. Os metaleiros são muito gente boa.
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Muito boas fotos.
Sou fã de Jörg Brüggemann e <a href="http://www.BrazillianExplorer.org/facebook
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