Tudo sobre o leilão do PEF
O leilão do PEF acontece, este ano, no dia 18 de setembro, às 19h, na Casa da Cultura. Nesta noite, estarão à venda obras de: Alexandre Belém, Alexandre Severo, Anderson Schneider, Armando Prado, Benjamin Abrahão, Cássio Vasconcellos, Chico Albuquerque, Choque Photos, Christian Gaul, Cris Bierrenbach, Daniel Kfouri, Dimitri Lee, Eduardo Muylaert, Eugênio Sávio, Fausto Chermont, Fifi Tong, Flavio Samelo, Helô Mello, Inaê Coutinho, João Castilho, João Marcos Rosa, Jordi Burch, Juan Esteves, Luciano Candisani, Lucila Wroblewski, Maria di Andréa Hagge, Marlene Bergamo, Maureen Bisiliat, Maurício Simonetti, Monica Maia, Pedro Farina, Pedro Garrido, Ricardo Hantzschel, Roberto Schmitt Prym, Roberto Wagner, Silvano Martins e Tiago Santana.
Eu queria escrever um texto bem bonito sobre esta iniciativa aqui no blog, mas como não entendo nada do assunto, achei melhor exercer a humildade e passar os holofotes para a espoleta Isabel Amado, que cuida do leilões e também das exposições do Paraty em Foco.
Então, passo a palavra para a Bel. Arrasa, mulher:
No textinho de apresentação do leilão, que está no site do PEF, tem dizendo que o objetivo daquele é incentivar o colecionismo, o que me fez pensar, então, que o colecionismo no Brasil deve estar precisando de um Sustagem. Como está a situação no país, nesse momento, Bel? Quem são os grandes colecionadores, quais fotógrafos vendem mais etc.?
O Brasil segue a tendência mundial do crescimento do mercado de arte. A producão fotográfica contemporânea atingiu um patamar jamais visto no campo das artes, por um lado por um esgotamento da produção das artes plásticas tradicionais e, do outro, por um momento efervescente do mercado de arte. A fotografia pega carona nessa tendência, já que uma obra fotográfica não atinge valores tão altos como o das artes plásticas.
Quem já viajou para o exterior e teve uma formação cultural requintada, sabe o valor e o prazer em se montar uma coleção de arte; além do mais, ter uma fotografia exposta na parede da sua casa também dá status. O público jovem interessado em adquirir fotografia é de pequenos empresários, jovens do mercado financeiro, executivos em início de carreira, advogados, arquitetos e artistas de outras áreas.
O interesse despertado pela fotografia, pelos museus, galerias e pelos colecionadores surgiu no final dos anos 90. Foram criados clubes de colecionadores como o do MAM – Museu de Arte Moderna, em São Paulo (que comemorou recentemente 10 anos); o do MAMAM – Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, em Recife; a coleção MASP Pirelli de fotografia, criada em 1990 e que abriga a maior coleção de fotografia brasileira… Em 2008, a Bolsa de Arte realizou o 1º leilão exclusivamente de fotografia. Esses são apenas exemplos da consolidação da fotografia no mercado de artes visuais e do crescimento da linguagem fotográfica dentro dos museus, galerias e bienais.
Os fotógrafos consagrados no mercado internacional são: Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto, Arthur Omar, Claudio Edinger, Vik Muniz e as fotografias vintage dos modernistas, como José Oiticica Filho, José Yalenti, German Lorca, Thomaz Farkas… No mercado nacional eu citaria o Armando Prado, Juan Esteves, Iatã Cannabrava, Fausto Chermont, Marcos Piffer, Bruno Veiga, Dimitri Lee, Chico Albuquerque…
Eu imagino que apesar da intenção se incentivar o “hábito de adquirir fotografias”, obras de arte são caras, nem todo mundo pode comprar. No PEF, qual será o lance inicial das fotos a serem leiloadas?
Os lances mínimo das obras que estarão no leilão do Festival estão entre R$ 800 e R$ 8.300. Todas as obras seleciondas, com exceção de três, têm dimensões de até 50 cm.
Qual o diferencial entre o leilão do PEF e outros que tu conheces?
As diferenças primordiais são a captação das obras, que é feita por mim, diretamente com os artistas. Não temos interferência das galerias. O leilão é beneficiente e as obras partem de lances mínimos abaixo do mercado, ou seja, um pouco abaixo do que os artistas consagrados costumam vender. Com os mais inexperientes, eu também auxilio na escolha da montagem, que tipo de moldura, onde se assina a fotografia, como fazer um certificado de autenticidade etc. Existe um exercício, não só de incentivo ao colecionismo, mas também de ensinar aos mais jovens como vender sua obra da forma que o mercado reconheça. Todas as obras do leilão PEF 2010 seguem os padrões internacionais de conservação, no que se refere à impressão e à montagem. Não aceitamos trabalhos que não sigam essas regras.
Qual foi seu “critério” (detesto essa palavra!) na hora de escolher os artistas?
Eu sigo um conceito de seleção baseado na minha escolha pessoal, que obviamente passa pela minha minha experiência profissional, da percepcão do mercado e do reconhecimento dos novos caminhos que a fotografia vem tomando. E o que é mais bacana é que todos os fotógrafos contactados por mim têm o maior prazer em participar do leilão, todos se prontificam imeditamente e me enviam várias fotografias para eu selecionar. Então tem essa etapa da seleção, que é muito trabalhosa mas muito rica ao mesmo tempo, existe um diálogo entre eu e o fotógrafo para se escolher uma fotografia.
Qual o seria o perfil desta edição do leilão? Queria saber tipo o mais jovem e o mais velho; o mais importante e o “mais emergente”; quantos fotojornalistas, quantos de fine art etc. Tem cabimento essa pergunta, na verdade?!
Leilão não tem perfil. O que temos são obras de artistas de assuntos variados, mas não tem fotojornalismo, nem publicidade, por exemplo. O mais jovem é o Pedro Farina, que tem 23 anos; o mais velho seria o Chico Albuquerque, que faleceu em 2002. E acho importante apontar que nossa homenageada é a Maureen Bisilliat.
Tem algum artista este ano que participou do leilão do ano passado? Se sim, quais?
Luciano Candisani, o Juan Esteves, o Eduardo Muylaert, o Armando Prado, a Marlene Bergamo, o Alexandre Belém, o Fausto Chermont.
Pelo que vi, só há um artista estrangeiro na lista, que é o Jordi Burch, de Portugal. Qual o teu posicionamento em relação à venda de artistas estrangeiros no leilão? Tu queres focar nos brasileiros, ou é um tópico indiferente para ti?
A princípio tanto faz, mais por uma questão de logística basicamente, já que o envio de obra de arte do exterior para o Brasil é complicadíssima. O caso do Jordi é atípico: ele vem sempre ao Brasil e se dispôs a trazer com ele, numa data possível para a producão do leilão.
‘Brigada, Bel!
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Na minha humilde opinião, a bela e plástica foto do Alexandre Severo que ilustra este post é fotojornalismo.
Lindas as duas fotos deste post, Alexandre Severo mandou muito bem… admiro demais o Trabalho do Pedro Farina é contemporâneo sensível e de muito bom gosto, o trabalho da Fifi Tong é incrível, muito interessante. vai ser um sucesso. Um abraço
[...] This post was mentioned on Twitter by Érica C. Pontes, Marcelo Carrera Maia. Marcelo Carrera Maia said: Paraty em Foco 2010 » Blog Archive » Tudo sobre o leilão do PEF http://bit.ly/ayIgDw [...]
Eu concordo com Hans, a foto de Alexandre Severo, linda, pode ser considerada fotojornalismo… o que não a impede, em nenhum momento, de ser uma obra de arte… um dos maiores artistas de todos os tempos fundou a escola que é referência em fotojornalismo no mundo… a fotografia é, em si, uma arte… fotógrafos são tão artistas quanto marceneiros e pintores…
Brigado pelo elogio, Marcelo… eu tb gosto mto dos retratos da Fifi Tong, ótimas composição e direção…
abs!
Falou e disse , Pedro!
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