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Duas semanas com Georges Rousse

[ Garapa | 28 set 2010 | One Comment | 841 visitas ]

Se perguntarmos na rua “quem é Georges Rousse?”, duvido que alguém responda corretamente. Mesmo no meio fotográfico, e nas ruas do Paraty Em Foco, onde ele esteve em setembro, poucas pessoas saberiam dizer que francês é esse.

O tal francês, simpático a ponto de contrariar a fama dos conterrâneos, não tem ares de celebridade, como tem se tornado comum no meio artístico; Rousse é tão simples quanto os traços de sua obra, e tão complexo quanto o processo que produz.

Georges Rousse em frente à sua obra. Foto: Aline Lata / Garapa.

Podemos apontar muitas coisas sobre o seu trabalho, levantar inúmeros tópicos bastante pertinentes ao vasto campo que se convencionou chamar de “arte contemporânea”. Rousse é fotógrafo ou artista? Ainda faz sentido apontar essa fronteira? Seu trabalho tem algo de documental ou é puramente estético?

Sobre ele, o professor André Rouillé, da Université Paris 8, diz:

“a arquitetura, a pintura e a fotografia são convocadas para produzir o imaginário, para tornar indiscerníveis o real e o irreal. A fotografia serve, aqui, ao poder do falso, que, por uma espécie de indecisão, transforma um lugar real em um espaço virtual – produzido não pelo eletrônico, mas pelo corpo, pelo tempo, pela duração, pelo trabalho manual”

Foto: Aline Lata / Garapa.

Durante o Paraty Em Foco, acompanhamos a produção de uma de suas obras – algo bem simples, didático, segundo ele. Foi um processo bem interessante, entender (ou pelo menos tentar entender) a sua relação com o espaço, com a fotografia, com a arte. Não há acaso na obra de Rousse, tudo é resultado de desenhos e cálculos meticulosos, de uma percepção espacial que vai além da que podemos conceber.

Em uma época na qual todas as fronteiras e conceitos, seja na arte ou em qualquer outro campo, tendem a se (con)fundir, a consistência da obra de Georges Rousse, ao trabalhar no limiar dessas fusões (arquitetura, pintura, fotografia, instalação), mostra que “o fim da arte”, como alguns já apontaram, não é um caminho obrigatório. E mostra também que talento e popularidade não são valores necessariamente proporcionais.

Mais:

- Veja os bastidores do trabalho de Georges Rousse em Paraty aqui no blog do Paraty Em Foco.
- Site oficial de Georges Rousse.
- Conheça o projeto Bending Space, realizado por Rousse na cidade de Durham, EUA.

* Publicado originalmente no site do Coletivo Garapa.

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One Comment »

  • Cristianne de Sá said:

    Eu estava brincando viu Rousse (seu bunitinho!)

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