A fotografia que vem do estômago {por Laura Artigas}
Emoção, visceral, arte, subjetividade são algumas das palavras que fazem parte da cartilha do coletivo peruano Versus Photo. O trio radicado em Lima, foi formado em 2009 e veio ao 7º Paraty em Foco representado pelo casal Renzo Giraldo, 35 anos, Gihan Tubbeh, 27 anos. Os dois falaram ao público na tarde da sexta-feira, e durante o final de semana ministraram o workshop Paraty do Avesso – Uma Jornada à margem do circuito turístico. O terceiro elemento, Musuk Nolte, está na China, representando o grupo em outro evento para o qual foram convidados. Simpáticos e muito animados com o reconhecimento do trabalho, Renzo e Gihan falaram ao blog do Paraty em Foco.
Renzo Giraldo e Gihan Tubbeh :: Foto de Jhonattas Quintão©
Paraty em Foco_ Em sua palestra comentaram que o modo que tiram fotografia é como se ela saísse do estômago.
Renzo_ Costumeiramente a fotografia é feita de uma maneira muito lógica. O que queremos fazer é algo mais visceral. O estômago e o coração estão ligados. Muitas vezes sentimos emoções pelo estômago. É quase como se fosse um vômito (risos). Algo que te afeta, tão forte que tem que sair.
Paraty em Foco_ Vocês definem a fotografia do Versus como um documental artístico?
Renzo_ A natureza da fotografia é muito subjetiva, não é uma totalidade. Gostaríamos de romper com a necessidade da objetividade das coisas. Não buscamos mostrar algo concreto. Nosso objetivo não é buscar a composição perfeita. Queremos que seja mais artístico nesse sentido. Trabalhamos com o erro também. Muitas fotos que usamos na edição final são as que saíram tremidas. Porém, o documental se liga ao fato que não fazemos fotos em estúdio somente fora. Nesse sentido estamos registrando o que existe. A arte não tem limite, o fotojornalismo sim. Ele precisa contar o que está passando.
Paraty em Foco_ Vocês também trabalham como fotojornalistas, e como muitos fotógrafos, desenvolvem projetos paralelos. A visão dos editores a respeito dos fotógrafos têm mudado?
Gihan_ A visão do fotógrafo está interessando aos editores. Há uma demanda. Antes era “fazer o que eu te digo”, e você tinha que agradá-lo.
Renzo_ Eu concordo com ela. Tenho notado isso no Peru. Antes o fotógrafo era o acessório do repórter. Mas isso está mudando muito. Hoje temos o poder de propor.
Paraty em Foco_ Qual é o método de trabalho do coletivo?
Renzo_ Vamos sempre os três para o mesmo lugar. Podemos nos separar.
Gihan_Nós não competimos. Não temos conflito. E em três fica mais fácil ir aos lugares. Como temos nossos trabalho independentes, não é sempre que podemos viajar. Depois cada um edita sua foto, porque cada um sabe o que pretende com a sua imagem.
Renzo_ Como não temos um escritório nos reunimos cada hora na casa de um dos integrantes, abrimos uma cerveja…
Gihan_ Aí começamos “delete, delete, delete…”
Paraty em Foco_ Vocês estão ministrando um workshop aqui no Paraty em Foco…
Gihan_ Nosso objetivo é a Paraty não turística, o mais importante é a intenção, a introspecção, a visão.
Renzo_ É sobre o que falávamos sobre o estômago. Vamos tratar de fazer fotografia sentindo, e não pensado de maneira lógica.
Gihan_ Queremos tirar sentimentos de dentro dos participantes, e dizer-lhes: “você tem o poder, você pode usar seus sentimentos em virtude da fotografia”.
Renzo_ Indicar um caminho para essa busca. Cada um trouxe suas fotos analisamos e indicamos o que eles deviam explorar mais.
Gihan_ Conversamos com cada um e fizemos uma lista de sensações, por exemplo: textura, místico, documental, visceral, poético, coração.
Renzo_ Desta lista de palavras, “frágil”. Foi o tema escolhido. Cada um vai entregar 50 fotos. Editamos ao som de música.
Paraty em Foco_ No workshop estimulam as pessoas a construírem sua própria visão. E vocês? Já tem suas visões sobre a fotografia construída?
Renzo_ Não, estamos sempre buscando.
Gihan_ Também vamos dar uma volta por Paraty.
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