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Fotógrafo de primeira viagem {por Caroline Moraes}

[ | 5 out 2011 | No Comment | 1.901 visitas ]

Olhos atentos, ouvidos ligados, câmera em punho e muito equilíbrio para caminhar sem olhar para o chão. Quem vai pela primeira vez ao Paraty em Foco sente quase a obrigação de não perder nada. Entre nomes importantes, personagens que chegam a ser históricos e ídolos de alguns, estão diversos anônimos, ávidos por informações, dicas, conselhos, papos na mesa do bar, palestras, aulas, etc.

Logo, a gente percebe que é impossível estar em todos os lugares, mas a vontade de absorver conhecimento e conhecer pessoas transforma o visitante do festival em uma esponja. Só depois, quando voltamos pra casa, é que o processamento de tudo acontece. Duas semanas depois e as sinapses ainda estão sendo feitas.

Durante o festival a gente almoça e janta fotografia, toma café da manhã com as imagens e vai dormir sonhando com o que pode acontecer amanhã.


© Felipe Denuzzo

Estive, esse ano, pela primeira vez no Paraty em Foco e falo tudo isso por experiência própria. Mas, durante as caminhadas diárias, tive a oportunidade de conversar com Felipe Denuzzo. O fotógrafo de São Paulo, que também estava conhecendo o evento, foi um dos selecionados pelo Olhavê, entre fotógrafos do Brasil, para participar da projeção Perspectiva Olhavê, que aconteceu na terceira noite do evento. Veja, abaixo, uma breve conversa que tivemos sobre a experiência de mergulhar no Paraty em Foco, sendo um marinheiro de primeira viagem:

Caroline Moraes_ Essa foi sua primeira vez no Paraty em Foco e já estreando nas noites de projeção. Como foi que você chegou lá?

Felipe Denuzzo_ Já fazia tempo que eu queria vir ao PEF, sentia que era um dever. Ano passado não consegui por problema de data, mas foi o inicio do planejamento para a viagem deste ano. Fiz a reserva da pousada em abril, comprei a passagem de ônibus em maio, por que nem carona eu queria, para não ter risco de nada dar errado.

Cheguei na quarta-feira à tarde, descansei da viagem e à noite fui ver a entrevista com Peter Hugo. Georgia Quintas, uma das mediadoras, leu um texto. Ali começou o chacoalhão do Paraty. “Qual foi a foto que te arrebatou na fotografia?”, ou algo assim. Bastou para entrar em uma viagem no tempo e lembrar da foto do Farkas, costelas de minhoca!

Como cheguei logo no primeiro dia, deu para ver a cidade inflando de pixels, podíamos ter somado e ver quantos megapixels ou terapixels teve o Paraty!


© Felipe Denuzzo

Caroline Moraes_ Houve um processo seletivo para escolher os fotógrafos daquela sessão?

Felipe Denuzzo_ Não quis fazer seleção não, tentei me deixar livre para flanar entre as entrevistas, projeções, papos e poças de água, para pensar e interagir com tanta informação que estava tentando absorver.

Caroline Moraes_ Das palestras, workshops e exposições que rolavam o tempo todo, alguma coisa mexeu com você? Paraty mudou seu foco?

Felipe Denuzzo_ Algumas exposições mexeram comigo sim, pela obra e ou pelo fotografo. Uma que uniu esses dois fatores foi do Tatewaki, que estava no local da exposição recebido a todos. Isso já foi incrível, o trabalho não fica para trás, criamos uma ótima discussão sobre o tema que ele aborda, foi muito bom. A projeção do Constant Dullaart, nossa! Me diverti muito com o trabalho e a vi no último dia. Depois de tanto pensar, discutir e rever conceitos, rir com a fotografia foi essencial.

A entrevista do Miguel Rio Branco, sem palavras. Estar ali era como estar nos bastidores da sua banda preferida! Outro momento de certa forma lúdico, foi a queima de câmeras analógicas do Claudio Feijó, um provocador, que jogou ao ar querosene e nos incendiou! Fantástico!

Não posso deixar de falar da Projeção que Alexandre e Georgia organizaram, foi uma pena não poder sentar com todos os fotógrafos que projetaram as fotos ali, eram trabalhos realmente incríveis, queria muito ouvir a história de cada um deles, aquele momento fiquei realmente emocionado.


© Felipe Denuzzo

Caroline Moraes_ Fale um pouco do seu trabalho exposto. Ele foi feito com uma lente diferente, algum tipo de filtro?

Felipe Denuzzo_ O trabalho projetado e selecionado pelo Olhavê chama-se “memorias?”, e as fotos foram feitas com uma objetiva que remontei. Na verdade ela já existia, só inverti umas coisinhas e retirei o que não era necessário, deixando a sua essência à flor da pele. Mas mais que uma imagem, ela, objetiva, tenta me mostrar o que poderia ser resquícios de um fato, de uma história de alguém, de uma existência, mesmo que esse personagem não tenha inventado a lâmpada ou a cura de uma doença, basta ter mudado uma cadeira de lugar ele passa a existir e a criar uma história. A objetiva, magicamente, tenta me mostrar. Cego, às vezes vejo, às vezes não, mas em Paraty, ela me fez ver muito!


© Felipe Denuzzo

Caroline Moraes_ Vale a pena ir para o Paraty em Foco?

Felipe Denuzzo_ O Paraty provoca a gente, concordando ou não com o que vemos e ouvimos, é importante criar um certo atrito, discordar. Vi fotografias e discursos acadêmicos, vi entusiastas flutuando sobre poças de água, vi fotógrafos que não tocavam o chão, vi um garçom fotodocumentarista, vi um hippie vendendo fotos! Onde mais veria tudo isso? A resposta: não só vale a pena, quanto é essencial para qualquer um que queria vivenciar a fotografia.

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