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	<title>Paraty em Foco 2010 &#187; Juan Esteves</title>
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		<title>Chico Albuquerque por Juan Esteves</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 01:42:11 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A cultura brasileira, principalmente a fotográfica, sempre careceu de celebrar seus grandes empreendedores, aqueles que podemos dizer, foram os verdadeiros pilares das imagens que vemos hoje. Chico Albuquerque Fotografias (Terra Luz Editorial, 2009) traz ensaios de diferentes épocas e fases do fotógrafo ( que trabalhou e morou em São Paulo de 1947 até 1975). ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_9185" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><strong><strong><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Chico-Albuquerque-LINA-BO-bardi-casa-do-morumbi-web.jpg"><img class="size-full wp-image-9185" title="Chico Albuquerque LINA BO bardi -casa do  morumbi  web" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Chico-Albuquerque-LINA-BO-bardi-casa-do-morumbi-web.jpg" alt="" width="580" height="460" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Lina Bo Bardi - foto: Chico Albuquerque</p></div>
<p><strong>Chico Albuquerque</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Por Juan Esteves</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Já estava bem na hora de festejarmos <strong>Chico Albuquerque</strong>. Não que este cearense nascido em 1917 já não fosse uma espécie de “cult” entre fotógrafos ou pesquisadores, mas, era mais que necessário que sua obra mais ampla ficasse registrada em livro. Melhor, bem registrada, com todas as nuances que ele imprimia em seu poderoso trabalho e que tanto influenciaram gerações de profissionais.</p>
<p>A cultura brasileira, principalmente a fotográfica, sempre careceu de celebrar seus grandes empreendedores, aqueles que podemos dizer, foram os verdadeiros pilares das imagens que vemos hoje. Muitos fotógrafos novos podem não se dar conta, e mesmo uns não tão novos assim, mas suas imagens são parte do que já foi visto por Albuquerque.  Coisas que se encontram em nosso imaginário, até mesmo no nosso inconsciente, embora muitos neguem a influência obrigatória.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Chico Albuquerque Fotografias (Terra Luz Editorial, 2009)</span> traz ensaios de diferentes épocas e fases do fotógrafo ( que trabalhou e morou em São Paulo de 1947 até 1975). Em <span style="text-decoration: underline;">Ensaios (1930-1960) </span>vemos arquitetura paulistana, cenas nas cidades de São Paulo e Guarujá, estas de caráter bressoniano, retratos como o do também fotógrafo <strong>Geraldo De Barros </strong>(1923-1998) ou um bairro do Morumbi, também em São Paulo  ainda deserto. Neste mesmo lugar, Albuquerque também retrataria a arquiteta italiana <strong>Lina Bo</strong>, em 1952, uma das pioneiras a se instalarem no então remoto bairro.</p>
<p>Versátil como pouquíssimos Albuquerque também era um mestre no retrato. Um belíssimo, que abre o portfólio destinado aos portraits dos anos 1940 a 1960 é da escritora <strong>Hilda Hilst</strong> (1930-2004) , numa pose tão inspirada que por certo antecipava a sua poderosa obra literaria. O mesmo podemos dizer de uma sensual e igualmente bela <strong>Lygia Fagundes Telles</strong>, que faz contraponto com o sisudo <strong>Roberto Burle Marx</strong> (1909-1994) .</p>
<div id="attachment_9183" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/CHICO-ALBUQUERQUE-Hilda-Hilst-web.jpg"><img class="size-full wp-image-9183" title="CHICO ALBUQUERQUE Hilda Hilst web" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/CHICO-ALBUQUERQUE-Hilda-Hilst-web.jpg" alt="" width="580" height="457" /></a><p class="wp-caption-text">Hilda Hilst - foto: Chico Albuquerque</p></div>
<p>A praia do Mucuripe, celebrizada pelo fotógrafo em livro anterior (<span style="text-decoration: underline;">Mucuripe, Ed.Terra da Luz Editorial, 2000</span>)  ganha neste um portifólio dos anos 1942 a 1952.  São aquelas clássicas jangadas e pescadores que nos inviabilizaram de criar algo novo depois que Albuquerque os fotografou. Se tentamos fotografar este lugares, lá vem a memória do fotógrafo a nos dizer que será dificil conseguir fazer algo melhor. Um bônus são as imagens de <strong>Orson Welles</strong> filmando “It’s all true” na mesma  praia.</p>
<div id="attachment_9184" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Chico-Albuquerque-ITS-ALL-TRUE-03-web.jpg"><img class="size-full wp-image-9184" title="Chico Albuquerque ITS ALL TRUE 03 web" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Chico-Albuquerque-ITS-ALL-TRUE-03-web.jpg" alt="" width="580" height="464" /></a><p class="wp-caption-text">It&#39;s all true - foto: Chico Albuquerque</p></div>
<div id="attachment_9181" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Chico-Albuquerque-Aero-Willys-web-.jpg"><img class="size-full wp-image-9181 " title="P003-009" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Chico-Albuquerque-Aero-Willys-web--e1279919721609.jpg" alt="" width="290" height="358" /></a><p class="wp-caption-text">Aero-Willys - foto: Chico Albuquerque</p></div>
<p>Dos anos 1950 aos 1980 , em cor, surgem pérolas do editorial e da publicidade brasileira pré softwares de imagem, quando os fotógrafos tinham que mostrar realmente que sabiam fotografar. Ele entregava aquele cromo em grande formato, impecavelmente exposto, sem passar pelo tal “manipulador de imagem” que hoje cada vez mais faz parte dos créditos editoriais. Albuquerque conseguiu tranformar em elegância e refinamento o carro Aero Willys 1966,  uma imagem eterna.</p>
<p>Com a arquitetura bem trabalhada, dos anos 1950 e 1970, temos uma uma série de still life e algumas tomadas mais prosaicas de personagens na praia de Jericoacoara,  de 1985, que não fazem justiça ao conjunto de sua obra, no entanto interessantes para o entendimento de sua longa carreira, interrompida em 2000 com sua morte. Aos 83 anos ainda foi capaz de assinar um último ensaio publicitário.</p>
<p>Entre outros textos,  se destacam os escritos por <strong>Ângela Magalhães</strong> e <strong>Nadja Peregrino</strong>, curadoras e pesquisadoras;  <strong>Sergio Burgi,</strong> Coordenador de Fotografia do IMS;  <strong>Dudu Tresca</strong> e <strong>Sergio Jorge</strong>, fotógrafos &#8211; e de <strong>Rubens Fernandes Junior</strong>, pesquisador e professor, que situam o fotógrafo em diferentes tempos e ações entre sua vida profissional e pessoal.</p>
<p><strong>Ed Viggiani</strong>, um dos grandes nomes do documentarismo brasileiro foi assistente de Albuquerque em 1982, numa agência de propaganda em Fortaleza. Certa vez, com o dia nublado e uma externa para fazer, foi chorar para o chefe e ouviu dele “ Não há luz ruim, o que pode acontecer é falta de inspiração”.<br />
Para Viggiani a lição ficou para sempre: “Aprendi com ele que a luz deve mesmo é ser interpretada” conta o fotógrafo.</p>
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		<title>Cortiços Paulistanos &#8211; Livro e Exposição</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 14:44:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clicio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cortiços paulistanos são temas de livro e exposição na Estação Júlio Prestes.
Registros poéticos, pesquisa teórica e mudanças efetivas dão a tônica ao projeto concebido em dois formatos, com curadoria de Maureen Bisilliat]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9126" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Capadolivro.jpg"><img class="size-full wp-image-9126" title="Capadolivro" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Capadolivro.jpg" alt="© Fabio Knoll 2010  |  foto" width="580" height="387" /></a><p class="wp-caption-text">© Fabio Knoll 2010  |  foto</p></div>
<p style="text-align: left;"><strong>Cortiços paulistanos são temas de livro e exposição na Estação Júlio Prestes.</strong></p>
<p>Registros poéticos, pesquisa teórica e mudanças efetivas dão a tônica ao projeto concebido em dois formatos; Livro e exposição.</p>
<p>Com curadoria de Maureen Bisilliat – memorável fotógrafa, autora, entre outros, de  Xingu Território Tribal, Terras do Rio São Francisco e Aqui dentro, páginas de uma memória: Carandiru –, <strong>a mostra</strong> é composta pelo ensaio fotográfico de Fabio Knoll,  com 36 obras, que também ilustra, ao lado de imagens do Arquivo do Museu da Cidade de São Paulo, do Departamento do Patrimônio Histórico, <strong>o livro</strong> organizado por Alonso López, Elisabete França e Keila Prado Costa. O prefácio de Thomas Hagenbrock, consultor de arquitetura e urbanismo do Banco Mundial, assinalada que “a obra leva ao leitor um olhar sobre mudanças urbanísticas e de habitação social marcantes na história de São Paulo, desde o final do século XIX até os dias de hoje”.</p>
<div id="attachment_9127" class="wp-caption alignleft" style="width: 280px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Exposição_-Cortiços-a-experiência-de-São-Paulo-crédito_Fabio-Knoll_2.jpg"><img class="size-full wp-image-9127" title="Exposição_ Cortiços, a experiência de São Paulo, crédito_Fabio Knoll_2" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Exposição_-Cortiços-a-experiência-de-São-Paulo-crédito_Fabio-Knoll_2.jpg" alt="© Fabio Knoll 2010  |  foto" width="270" height="405" /></a><p class="wp-caption-text">© Fabio Knoll 2010  |  foto</p></div>
<p>Com fotografias documentais captadas pelo olhar sensível de Knoll, que transforma em arte detalhes, texturas e atmosferas desta insólita arquitetura, e pesquisa aprofundada de urbanistas, as duas iniciativas são resultado do Programa de Cortiços desenvolvido pela Prefeitura de São Paulo, em parceria com a CDHU – Companhia Habitacional de Desenvolvimento Urbano. O programa, apoiado pela Lei Moura, de 1991, estabelece padrões mínimos de habitabilidade a serem  cumpridos pelos proprietários dos domicílios encortiçados. Para fazer valer a lei, de 2005 a 2010, foram vistoriados 1.814 imóveis  na região central, entre os quais 723 não se classificavam na categoria de cortiço, segundo a legislação. Dos 1091 imóveis restantes, 36 foram totalmente requalificados, 280 estão em obras de adequação e 66 foram interditados por apresentar risco de vida aos moradores.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Serviço:</strong></p>
<p><strong>Cortiços – a experiência de São Paulo.</strong><br />
<strong>Inauguração</strong> da mostra e lançamento do livro: 29 de julho de 2010, às 19h30<br />
<strong>Local: </strong>Plataforma da Estação Júlio Prestes &#8211; Praça Júlio Prestes, 148 &#8211; Bom Retiro – São Paulo<br />
<strong>Exposição:</strong> de 30 de julho a 31 de agosto &#8211; todos os dias da semana, durante o horário de funcionamento da estação, das 4h às 24h.<br />
<strong>Entrada</strong>: valor do bilhete do trem R$ 2,65<br />
<strong>Livro: </strong>Editado por  Secretaria Municipal de Habitação, Prefeitura de São Paulo (organização Alonso López, Elisabete França e Keila Prado Costa) número de páginas 144, formato 23&#215;35 cm, Editora: Habi &#8211; Superintendência de Habitação Popular, São Paulo, 2010, 1ª edição. Impressão: Imprensa Oficial.<br />
Distribuição gratuita<br />
<strong>Informações:</strong> (11) 3397-3814.</p>
<p style="text-align: left;">
<div id="attachment_9128" class="wp-caption alignleft" style="width: 590px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Exposição_-Cortiços-a-experiência-de-São-Paulo-crédito_Fabio-Knoll_3.jpg"><img class="size-full wp-image-9128" title="Exposição_ Cortiços, a experiência de São Paulo, crédito_Fabio Knoll_3" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Exposição_-Cortiços-a-experiência-de-São-Paulo-crédito_Fabio-Knoll_3.jpg" alt="© Fabio Knoll 2010  |  foto" width="580" height="387" /></a><p class="wp-caption-text">© Fabio Knoll 2010  |  foto</p></div>
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		<title>Imago, de Felizardo, por Juan Esteves</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 03:52:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clicio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Luiz Carlos Felizardo além de ser um doutor na arte fotográfica é também um exímio pensador do fazer fotográfico e um prosador de primeira, o que é comprovado no livro “Imago” (Lathu Sensu-Fumproarte ) lançado no início do mês de julho, em Porto Alegre, cidade natal do autor e onde ele começou sua carreira profissional ainda em 1972.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9010" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/LEsperance.jpg"><img class="size-full wp-image-9010 " title="L'Esperance" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/LEsperance.jpg" alt="© 2010 Luiz Carlos Felizardo  |  foto" width="580" height="376" /></a><p class="wp-caption-text">© 2010 Luiz Carlos Felizardo  |  foto</p></div>
<p>“Imago”  de Luiz Carlos Felizardo</p>
<p>por Juan Esteves<br />
Luiz Carlos Felizardo além de ser um doutor na arte fotográfica é também um exímio  pensador do fazer fotográfico e um prosador de primeira,  o que é comprovado no livro “Imago” (Lathu Sensu-Fumproarte ) lançado no início do mês de julho, em Porto Alegre, cidade natal do autor e onde ele começou sua carreira profissional  ainda em 1972.<br />
Imago, do latim, é um palavra que além de significar imagem, também em sua etimologia se aproxima da psicánalise, numa idealização de certa imagem ou pessoa, bem como as influências de seu comportamento. Título que veste como uma luva para os textos escritos por Felizardo desde 2001 na revista de arte e cultura Aplauso, publicada  na capital gaúcha.<br />
São 25 textos no total, o que já comprova o extremo rigor que Felizardo aplica não só nas suas imagens, mas no que escreve.  23 deles selecionados, entre centenas de suas colunas,  surgem da colaboração fixa do fotógrafo com a revista, e dois inéditos, especiais para publicação. Com uma alteração aqui e ali, frutos de uma revisão mais demorada, são reproduzidos sem maiores alterações na sua compreensão.<br />
Num largo espectro analítico Felizardo aborda circunstâncias em que a fotografia se  apresenta em diferentes circuitos, formatos e publicações; comentários sobre fotógrafos ou  sobre  outras pessoas que fotografou. Alguns personagens mais próximos de suas paragens, como o fotógrafo uruguaio Panta Astiazarán,  e outros de caráter mais nacional e internacional, como Cristiano Mascaro, Otto Stupakoff (1935-2009) e Mario Cravo Neto (1947-2009) ou fotógrafo americano Frederick Sommer (1905-1999), com quem trabalhou nos Estados Unidos, em 1984.</p>
<div id="attachment_9011" class="wp-caption alignleft" style="width: 394px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/artwork_images_357_174601_frederick-sommer.jpg"><img class="size-full wp-image-9011" title="artwork_images_357_174601_frederick-sommer" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/artwork_images_357_174601_frederick-sommer.jpg" alt="frederick-sommer" width="384" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">© 1999 Frederick Sommer  |  foto</p></div>
<p>Do fotógrafo americano, Felizardo trouxe não somente necessidade de  excelência , aplicada em suas memoráveis fotografias, mas na sua   formação intelectual.<br />
Conta o autor, em outra ocasião, que Frederick Sommer tinha uma frase  ótima:“<em>A arte não é arbitrária. Uma grande pintura não surge por acidente. Não aparece por sorte. Nós somos sensíveis as tonalidades. A mínima modificação da tonalidade afeta sua estrutura. Algumas coisas ficam melhor grandes, mas elegância é a representação das coisas em suas mínimas dimensões.” (1979)</em>.<br />
Tais observações de Sommer  são referentes a excelência no laboratório fotográfico,  que Felizardo absorveu com exatidão no período em que conviveu com o mestre americano.</p>
<p>É simples notar a qualidade olhando uma cópia feita pelo fotógrafo gaúcho, que além desta maestria navega por diferentes formas de ampliações como a “photo etching”, feita no método mais tradicional, motivo de uma bolsa  na Fundação Iberê Camargo.<br />
Sommer deixou um legado de antológicas imagens e textos idem. Desde 1993, criada pelo casal Sommer, existe na cidade de Prescott, estado do Arizona, nos Estados Unidos,  a The Frederick and Frances Sommer Foundation, uma instituição sem fins lucrativos, cuja missão é apoiar a pesquisa da estética e seu relacionamento com o meio ambiente e a qualidade de vida.</p>
<div id="attachment_9022" class="wp-caption alignright" style="width: 350px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/LUIZ-CARLOS-FELIZARDO-POR-JUAN-ESTEVES.jpg"><img class="size-full wp-image-9022" title="LUIZ CARLOS FELIZARDO POR JUAN ESTEVES" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/LUIZ-CARLOS-FELIZARDO-POR-JUAN-ESTEVES.jpg" alt="©  Juan Esteves  |  foto" width="340" height="510" /></a><p class="wp-caption-text">©  Juan Esteves  |  foto</p></div>
<p>Mas, a necessidade de se apresentar além da fotografia surge para Felizardo já em 1973. O fotógrafo se “associa” a outro mitológico nome da fotografia gaúcha, Assis Hoffmann, na época editor da Folha da Manhã, um jornal, segundo ele, “inovador e excelente” (que deixou de circular), formando o estúdio Focontexto.<br />
É deste tempo que os dois criam a seção “Fotografia”, publicada neste diário aos sábados,  da qual Felizardo cuidou entre 1974 e 1975.</p>
<p>Também vem destes momentos seus primeiros textos, que, para os padrões atuais de jornalismo impresso, as vezes ocupavam três inacreditáveis páginas.<br />
Mais do que ser apenas um livro de memórias circunstanciais à vida do fotógrafo, ou seus mais próximos, “Imago” traz também parte da história da fotografia brasileira e seus movimentos importantes, como a antológica Semana Nacional de Fotografia da Funarte, precursora dos grandes eventos de fotografia atuais.</p>
<p>No texto, o articulista foca na semana ocorrida em 1987, na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Semana “em torno da histórias fantásticas de David Zingg (1923-2000)”. Do motorista de taxi, Felizardo ouviu a pérola: “Se Ouro Preto acabar, dá para fazer outra só com as fotografias que este pessoal tá tirando”.</p>
<div id="attachment_9027" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><a href="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Cobertura-a¦ütrio-Santander.jpg"><img class="size-full wp-image-9027" title="Cobertura atrio Santander" src="http://paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/07/Cobertura-a¦ütrio-Santander.jpg" alt="@ Luiz Carlos Felizardo  |  foto" width="580" height="452" /></a><p class="wp-caption-text">© 2010 Luiz Carlos Felizardo  |  foto</p></div>
<p>Felizardo já havia publicado sua primeira coletânea de textos em 2000, intitulada “Relógio de Ver” (Fumproarte), mas com este novo livro adiciona também coisas mais pertinentes a tecnologia, como o texto “Memória Digital”, publicado em 2003, onde o autor já antecipava discussões que ainda hoje atormentam os fotógrafos, mesmo que em  sete anos muita coisa tenha mudado. No entanto, os textos argumentam de maneira quase intemporal as implicações que as mudanças causaram, e mostram que tanto o pensador quanto fotógrafo continuam mais atentos do que nunca.</p>
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		<title>Pinturas e Platibandas de Anna Mariani</title>
		<link>http://paratyemfoco.com/blog/2010/06/pinturas-e-platibandas-de-anna-mariani/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Jun 2010 12:47:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>f508</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Anna Mariani]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Moreira Salles]]></category>
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		<description><![CDATA[Juan Esteves fala sobre o trabalho da fotógrafa Anna Mariani, atualmente exposto no Instituto Moreira Salles]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/Sobrecapa_livro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8507" title="Sobrecapa.indd" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/Sobrecapa_livro.jpg" alt="Sobrecapa.indd" width="580" height="461" /></a></p>
<p>Por Juan Esteves</p>
<p style="text-align: justify;">A carioca Anna Mariani não é uma fotógrafa dada a pirotecnias. Aliás, olhando o livro Pinturas e Platibandas, às vezes nos ocorre perguntar se ela é mesmo uma fotógrafa, diante de imagens que argumentam &#8211; por sua simplicidade &#8211; ao óbvio papel e funcionalidade de uma câmera fotográfica, em seu sentido mais amplo.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos perguntar também se é uma artista,  diante do fato que seu objeto colecionado está imbuído naturalmente de um intrínseco e forte conteúdo artístico &#8211; de indiscutível discurso independente. No entanto Anna Mariani produz as duas coisas, arte e fotografia, de uma maneira tão simples e direta que pensamos paradoxalmente na negação imediata de uma prótese mediadora.</p>
<p style="text-align: justify;">A série de fotografias “Pinturas e Platibandas” foi exposta pela primeira vez em 1987, na XIX Bienal de Arte de São Paulo, o que significou uma atenção inusitada à fotografia para época. Não podemos esquecer que esta Bienal ficou conhecida como a “Bienal de Kiefer”, por conta da participação do artista Alemão Anselm Kiefer, que eclipsou até nomes como Marcel Duchamp, entre outros.</p>
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<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/pinturas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8570" title="pinturas" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/pinturas.jpg" alt="pinturas" width="580" height="319" /></a><br />
Foto: Anna Mariani. Iguatu, Ceará, 1983</p>
<p style="text-align: justify;">“Pinturas e Platibandas”, publicado agora pelo Instituto Moreira Salles, é uma reedição revista e ampliada pela autora, a partir de sua primeira publicação em 1987, pela editora Mundo Cultural. Na época, Mariani teve a felicidade de contar com um dos maiores experts gráficos no Brasil, Josef Brunner, que salvou a delicada edição de um possível desastre, coisa muito comum à época.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembremos que, há 23 anos, não havia uma “cultura” disseminada para as impressões de livros de fotografia. A maioria dos gráficos tratava um livro de imagens com a mesma consideração dada à impressão de palavras cruzadas. Mas profissionais como Brunner, que eram raríssimos, existiam  e nos deixaram um pequeno, porém importantíssimo legado.</p>
<p style="text-align: justify;">As “platibandas” documentadas por Mariani, segundo a mesma, entraram no Brasil junto com a Missão Francesa, e no século XX já estavam em praticamente todo Nordeste brasileiro. No entanto, é difícil hoje em dia não encontrar uma pequena cidade do interior de qualquer lugar do país que não tenha um exemplo deste detalhe arquitetônico popular, que na verdade é quase instintivo, usado na maioria das vezes para ocultar as calhas de água ou o acabamento rústico do telhado.</p>
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<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/Gravata_Pernambuco.jpg.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8513" title="Gravata_Pernambuco.jpg" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/Gravata_Pernambuco.jpg.jpg" alt="Gravata_Pernambuco.jpg" width="580" height="285" /></a><br />
Foto: Anna Mariani. Gravatá, Pernambuco, 1982</p>
<p style="text-align: justify;">Os “beirais” que faziam parte do período colonial foram paulatinamente substituídos pelas platibandas, pintadas com cal e pó xadrês. A cal guarda uma semelhança com a aquarela por ter uma certa transparência, e aceitar sobreposição de cores.  Também reage com o tempo e com a chuva. Em 1987 a autora já contabilizava ter fotografado 1200 fachadas, nas 14 viagens que fizera aos 7 estados do Nordeste, em mais de 100 localidades.</p>
<p style="text-align: justify;">“Pintura”, esclarece a fotógrafa, é como os moradores nomeiam sua fachadas ornamentadas. A série nasceu espontaneamente das suas viagens com os filhos e foi crescendo à medida de seu interesse pelo resultado.  A edição já estava em andamento quando ela recebeu o convite da Bienal para mostras fotografias de 100 fachadas. De inicio já rompia com a harmonia e delicadeza de uma publicação. Mas, a curadora Rosely Nakagawa elaborou um singular espaço expositivo onde haviam salas que organizavam as imagens conforme a luz do dia. Sala do amanhecer, do meio dia, do entardecer.</p>
<p style="text-align: justify;">O filósofo Jean Baudrillard (1929-2007), no texto “O objeto puro”, diz que as fotografias brilhavam com um objeto intemporal, com a grandeza de um estilo. Entretanto, pensa que havia uma confusão, anacrônica em estarem lá expostas como arte contemporânea. “De fato é arquitetura, mas este termo é muito pretensioso. Em última instância trata-se de um objeto puro, nascido na confluência da expressão gráfica”.</p>
<p style="text-align: justify;">Baudrillard também nota que Mariani integra sua fotografia à inspiração cênica, ao grafismo primevo da gente do povo. A fotografia absorve o objeto e é absorvida por ele, com a mesma regra rigorosa do despojamento &#8211; despojamento físico desta pobreza, despojamento metafísico de sua expressão no jogo de linhas e cores de suas fachadas, despojamento e perfeição fotográfica de sua reprodução.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/Serrinha_Bahia.jpg.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8515" title="Serrinha_Bahia.jpg" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/Serrinha_Bahia.jpg.jpg" alt="Serrinha_Bahia.jpg" width="580" height="313" /></a><br />
Foto: Anna Mariani. Serrinha, Bahia, 1983</p>
<p style="text-align: justify;">Na primeira edição, a idéia do amigo, o publicitário Gabriel   Zellmeister, foi criar uma escala a partir do tamanho das portas, idéia   que foi repetida nesta edição, mantendo a compreensão espacial do  conjunto. Cerca de 80 cidades estão no livro. Às vezes são vilarejos,  periferias das cidades, algumas têm elementos art deco e algumas variam  na decoração e outras no arranjo. Apenas 25 destas fazem parte da  exposição no IMS.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempos de uma arquitetura urbana tão decadente e carente de mínima criatividade, estes registros de Anna Mariani se tornam ainda mais fortes. Em tempo de uma imagética inconsistente, que cria simulacros de complexidade conceitual, a imagem limpa e direta se mostra cada vez mais longeva, capaz de atravessar décadas e manter um forte conteúdo extraído da simplicidade apresentada.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pinturas e Platibandas,</em> de Anna Mariani<br />
Edição Instituto Moreira Salles – IMS<br />
Textos de Ariano Suassuna, Jean Baudrillard e Caetano Veloso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ana Mariana: Pinturas e Platibandas</em><br />
Exposição até 01 de agosto de 2010<br />
Horário de visitação: de terça a sexta, das 13h às 19h; sábados e domingos, das 13h às 18h.<br />
Instituto Moreira Salles &#8211; Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis &#8211; São Paulo</p>
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<p class="MsoNormal"><strong><span>Pinturas e Platibandas de Anna Mariani </span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span>Por Juan Esteves</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>A carioca Anna Mariani não é uma fotógrafa dada a pirotecnias. Aliás, olhando o livro <strong>Pinturas e Platibandas</strong>, às vezes nos ocorre perguntar se ela é mesmo uma fotógrafa, diante de imagens que argumentam &#8211; por sua simplicidade &#8211; ao óbvio papel e funcionalidade de uma câmera fotográfica, em seu sentido mais amplo. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Podemos perguntar também se é uma artista, diante do fato que seu objeto colecionado está imbuído naturalmente de um intrínseco e forte conteúdo artístico &#8211; de indiscutível discurso independente. No entanto, Anna Mariani produz as duas coisas, arte e fotografia, de uma maneira tão simples e direta que pensamos paradoxalmente na negação imediata de uma prótese mediadora.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>A série de fotografias “Pinturas e Platibandas” foi exposta pela primeira vez em 1987, na XIX Bienal de Arte de São Paulo, o que significou uma atenção inusitada à fotografia para a época. Não podemos esquecer que esta Bienal ficou conhecida como a “Bienal de Kiefer”, por conta da participação do artista Alemão Anselm Kiefer, que eclipsou até nomes como Marcel Duchamp, entre outros.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>“Pinturas e Platibandas”, publicado agora pelo Instituto Moreira Salles, é uma reedição revista e ampliada pela autora, a partir de sua primeira publicação em 1987, pela editora Mundo Cultural. Na época, Mariani teve a felicidade de contar com um dos maiores experts gráficos no Brasil, Josef Brunner, que salvou a delicada edição de um possível desastre, coisa muito comum à época.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Lembremos que há 23 anos, não havia uma “cultura” disseminada para as impressões de livros de fotografia. A maioria dos gráficos tratava um livro de imagens com a mesma consideração dada a impressão de palavras cruzadas. Mas profissionais como Brunner, que eram raríssimos, existiam e nos deixaram um pequeno, porém importantíssimo legado. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>As “platibandas”, documentadas por Mariani, segundo a mesma, entraram no Brasil junto com a Missão Francesa, e no século XX já estavam em praticamente todo Nordeste brasileiro. No entanto, é difícil hoje em dia não encontrar uma pequena cidade do interior de qualquer lugar do país que não tenha um exemplo deste detalhe arquitetônico popular, que na verdade é quase instintivo, usado na maioria das vezes para ocultar as calhas de água ou o acabamento rústico do telhado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Os “beirais” que faziam parte do período colonial foram paulatinamente substituídos pelas platibandas, pintadas com cal e pó xadrês. A cal guarda uma semelhança com a aquarela por ter uma certa transparência, e aceitar sobreposição de cores. <span> </span>Também reage com o tempo e com a chuva. Em 1987 a autora contabilizava ter fotografado já 1.200 fachadas, nas 14 viagens que fizera aos 7 estados do Nordeste, em mais de 100 localidades.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>“Pintura”, esclarece a fotógrafa, é como os moradores nomeiam sua fachadas ornamentadas. A série nasceu espontaneamente das suas viagens com os filhos e foi crescendo a medida de seu interesse pelo resultado. <span> </span>A edição já estava em andamento quando ela recebeu o convite da Bienal para mostrar fotografias de 100 fachadas. De início já rompia com a harmonia e delicadeza de uma publicação. Mas, Rosely Nakagawa elaborou um singular espaço expositivo onde havia salas que organizavam as imagens conforme a luz do dia. Sala do amanhecer, do meio dia, do entardecer. Um trabalho genial de curadoria.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Na primeira edição, a idéia do amigo Gabriel Zellmeister foi criar uma escala a partir do tamanho das portas, idéia &#8211; também genial &#8211; que foi repetida nesta edição, mantendo a compreensão espacial do conjunto. Cerca de 80 cidades estão no livro. Às vezes são vilarejos, periferias das cidades, algumas têm elementos art deco e algumas variam na decoração e outras no arranjo. Apenas 25 destas fazem parte da exposição no IMS.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Em tempos de uma arquitetura urbana tão decadente e carente de mínima criatividade, estes registros de Anna Mariani se tornam ainda mais fortes. Em tempo de uma imagética inconsistente, que cria simulacros de complexidade conceitual, a imagem limpa e direta se mostra cada vez mais longeva, capaz de atravessar décadas e manter um forte conteúdo extraído da simplicidade apresentada.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span>Pinturas e Platibandas de Anna Mariani</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span>Edição Instituto Moreira Salles –IMS</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span>Ana Mariana: Pinturas e Platibandas</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span>Exposição até 01 de agosto de 2010</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Horário de visitação: de terça a sexta, das 13h às 19h.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Sábados e domingos, das 13h às 18h.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Instituto Moreira Salles, Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis &#8211; São Paulo</span></p>
</div>
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		<title>Os mistérios da &#8220;Maleta Mexicana&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 03:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>f508</dc:creator>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[David Seymour]]></category>
		<category><![CDATA[Gerda Taro]]></category>
		<category><![CDATA[ICP]]></category>
		<category><![CDATA[International Center of Photography]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Esteves]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Capa]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos tesouros da cultura moderna. Por Juan Esteves]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/capaslide31.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8245" title="capaslide3" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/capaslide31.jpg" alt="capaslide3" width="580" height="387" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Por Juan Esteves</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início de 2008, quando o <a href="http://www.icp.org/" target="_blank">International Center of Photography</a>, ICP,  de Nova York, nos Estados Unidos,  anunciou a descoberta de uma maleta com mais de 3500 negativos que registram parte da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), muitos mistérios, alguns ainda insolúveis, assombram o mundo da fotografia.</p>
<p style="text-align: justify;">A descoberta ganhou o apelido de “Maleta Mexicana” mas, na verdade, o seu conteúdo &#8211; rolos e tiras de negativos de nitrato* cuja autoria, até o momento, é creditada a grandes heróis do fotojornalismo, como Robert Capa (1913-1954), David Seymour (1911-1956) e Gerda Taro (1910-1937) &#8211; estavam acondicionados numa caixa de papel da Agfa, de 20X25 cm, que continham envelopes marcados, e duas caixas de 27X35cm, com tampas de couro, contendo rolos de filmes, normalmente utilizadas nos anos 30.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que tocar em certos assuntos tabus, como imagens “montadas”, que durante anos alimentaram discussões em mesas de bar e em salas de aula, o conteúdo completo, quando se tornar público – e ainda ninguém tem uma idéia de quando e onde será feito isto – poderá lançar uma luz poderosa na compreensão de um período histórico importantíssimo para o povo de dois países, Espanha e México, bem como para aqueles no resto do mundo, que se interessam por fotojornalismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Por razões óbvias, o foco de interesse se concentra no húngaro Andre Friedmann, mais conhecido como Robert Capa, arquétipo do fotojornalista destemido, cujo mito é alimentado desde sua morte prematura, ao pisar numa mina na Guerra da Indochina, hoje Vietnã. Mais prematura ainda foi a morte de sua companheira, nos negócios e no amor, a  alemã Gerda Pohorylle, conhecida como Gerda Taro,  que em vez de comemorar seu aniversário de 27 anos, foi morta, atropelada por um tanque de guerra em Brunete, na Espanha.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_capa_1_8.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8235" title="ms_capa_1_8" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_capa_1_8.jpg" alt="ms_capa_1_8" width="580" height="515" /></a><br />
Foto: Robert Capa</p>
<p style="text-align: justify;">O polonês David Szymin – que, como seus companheiros judeus que fugiram para França &#8211; mudaria seu nome para David Seymour, tinha o apelido de Chim. Em comum com Capa, além da simpatia pela causa republicana espanhola, fundariam em 1947, a <a href="http://www.magnumphotos.com" target="_blank">Magnum Photos</a>, uma cooperativa que se tornaria uma das mais importantes e míticas agências da história, cujo elenco, incluiu Henri Cartier-Bresson (1908-2004) , Sebastião Salgado, James Nachtwey, e ainda hoje conta com nomes extraordinários como René Burri, Eliott Erwitt, Josef Kouldelka e David Alan Harvey, entre tantos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para tornar a descoberta mais misteriosa, não se sabe exatamente como elas “reapareceram” no México, em 1995.  Especula-se que Imre “Csiki” Weisz, fotógrafo e laboratorista assistente de Capa, as tenha dado ao consul mexicano em Marselha, na França por volta de 1939, e ele as tenha dado ao general Aguillar Gonzalez, que as levou para Cidade do México. O certo é que foram encontradas entre os pertences do general, quando estes foram herdados pelo diretor de cinema mexicano Benjamin Tarver, sobrinho do mesmo, em 1990.</p>
<p style="text-align: justify;">A história toda, se não fosse tão importante,  estaria perto de  um novelão mexicano, com protagonistas sérios, outros com papéis que não ficam muito esclarecidos, personagens que prefeririam estar esquecidos e personagens que preferem obscurecer mais ainda a já difícil visão dos fatos. A começar pelo confuso roteiro, muitas coisas são ainda difíceis de se entender, lançando dúvidas em até mesmo estudos consagrados sobre a fotografia do período.</p>
<p style="text-align: justify;">Até este ano de 2010, por razões pouco claras,  o ICP pouco noticiou ao público o conteúdo e o destino das imagens, não se tem idéia do conteúdo completo, possivelmente extraordinário, que pode iluminar uma série de coisas até hoje duvidosas.  Algumas imagens, como retratos dos escritores André Malraux (1901-1976), Ernest Hemingway (1899-1961), Federico García Lorca(1898-1936), já foram identificadas. Há também a possibilidade de  encontrar a sequência do retrato de Dolores Ibarruri, conhecida como “La Passionaria”, feito por Chim em 1936.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_taro_1_17.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8237" title="ms_taro_1_17" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_taro_1_17.jpg" alt="ms_taro_1_17" width="580" height="523" /></a><br />
Foto: Gerda Taro</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das coisas interessantes é que uma equipe da <a href="http://www.eastmanhouse.org/" target="_blank">George Eastman House</a> desenvolveu um porta filme chamado <a href="http://museum.icp.org/mexican_suitcase/PFD2.pdf" target="_blank">PFD2</a> (Planar Film Duplicating Device ), que facilita a reprodução digital de um filme enrolado, esticando-o suficientemente para não haver distorção, ao mesmo tempo que não causa dano. A reprodução é feita com uma Canon EOS, 1D Mark III, transferida para um Macintosh, gerando um arquivo final de 40MG em DNG.</p>
<p style="text-align: justify;">A história começa com Benjamin Tarver, o sobrinho do finado general mexicano, escrevendo, em 1995,  ao professor Jerald E. Green, da Queens College, da Universidade de Nova York, e especialista em história da Guerra Civil Espanhola, relatando possuir negativos do período, herdados do tio, morto em 1967. A carta foi encaminhada a Cornell Capa, irmão de Robert, e fundador do ICP, e pasmem, onze anos se passaram sem chegarem a um acordo, ora devido a uma parte, ora a outra.</p>
<p style="text-align: justify;">Em maio de 2007, a curadora inglesa Trisha Ziff, que é naturalizada mexicana, a pedido do ICP, se encontrou com o herdeiro. Segundo ela, a preocupação dele era mais com a conservação do acervo e sua consequente divulgação, principalmente para que alunos interessados na Guerra Civil Espanhola, tivessem acesso ao conteúdo.  Conta a curadora, que por anos, Tarver manteve correspondência com Irme Schaber, biógrafo de Gerda Taro. O cineasta também contou a ela que o tio serviu na França entre 1941 e 1942,  e que não fazia idéia de como as maletas haviam chegado até ele.</p>
<p style="text-align: justify;">No encontro com Tarver, narrado por Ziff no site <a href="http://www.zonezero.com/zz/" target="_blank">Zone Zero</a>,  este levou três folhas de contato feitas dos negativos, mas relutante em entregá-las a pesquisadora, permitiu apenas cópias xerox, que a mesma escaneou e enviou por e-mail a Nova York. Eram, na verdade as primeiras provas concretas de que os negativos existiam de fato.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_chim_1_3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8238" title="ms_chim_1_3" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_chim_1_3.jpg" alt="ms_chim_1_3" width="580" height="480" /></a><br />
Foto: David Seymour</p>
<p style="text-align: justify;">A revelação do achado causou impacto na mídia. Tanto pelo interesse fotográfico, principalmente pelo mitológico Capa, quanto histórico, por serem imagens de guerra. Jornais espanhóis deram manchetes por cinco dias consecutivos. Pessoas se reconheceram em algumas imagens divulgadas posteriormente, e alguns jornais como o The New York Times, comparou-a ao achado dos manuscritos dos primeiros textos de Hemingway,  perdidos em 1922 numa estação de trem, alçando-a ao panteão dos tesouros da cultura moderna.</p>
<p style="text-align: justify;">Como toda novela tem suas reviravoltas, o principal expert em Robert Capa, Richard Whelan, morreu alguns dias depois do contato de Ziff com os negativos. Ela esperava que ele pudesse ajudar muito na identificação do material. Pior, a curadora julgou que o conteúdo dos seus scans, que haviam lhe deixado eufórica, causassem o mesmo efeito aos membros do ICP, principalmente em Cornell Capa, irmão do fotógrafo. O profundo silêncio deles desconcertou todos, e ainda não se sabe por qual  motivo, não houve interesse imediato.</p>
<p style="text-align: justify;">O que se pode especular é que Cornell teria  razões óbvias para manter o mito “Robert Capa” vivo, e qualquer coisa que pudesse colocar o fotógrafo sobre suspeita seria negativa para toda a história que envolveria não somente o nome do mesmo, mas o próprio ICP e a Magnum Photos. Diz o ditado que quanto menos fatos existem, mais as lendas crescem.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das coisas mais interessantes na participação de Trisha Ziff, é que ela enxergou no evento algo muito mais além da solução ou não, da veracidade da famosa imagem “ O soldado caindo” de Capa. Para ela, o conteúdo poderia ajudar a resgatar, com mais veemência, a participação e a importância de Gerda Taro, considerada a primeira fotógrafa a cobrir uma batalha no front. Poderia também iluminar outros fotógrafos, principalmente espanhóis como Francisco Segovia, Santos Yubero e os irmãos Mayo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_chim_1_6.jpg"><img class="size-full wp-image-8239 alignnone" title="ms_chim_1_6" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_chim_1_6.jpg" alt="ms_chim_1_6" width="481" height="580" /></a><br />
Foto: David Seymour</p>
<p style="text-align: justify;">Não há dúvida que a personalidade de Robert Capa, e seu consequente poder midiático,  sombreou os trabalhos de sua companheira e dos chamados fotógrafos nativos, que fizeram excelentes imagens do conflito espanhol. Com a revelação do conteúdo completo das maletas, isso tudo poderá mudar. Uma das coisas que justifica o comportamento reservado do ICP.</p>
<p style="text-align: justify;">A imagem do miliciano republicano fotografado no momento em que levava um tiro no peito, nos campos de Córdoba, em 1936, foi publicada pela primeira vez na revista Vu e ajudou a angariar simpatia para a causa republicana. Biógrafos de Capa, como Richard Whelan, negam que a mesma foi forjada. Mas, ninguém saberá ao certo. Afinal o único que podia contar a verdade, se de fato ela foi mesmo armada, infelizmente explodiu ao pisar numa mina em 1954.</p>
<p style="text-align: justify;">Se os negativos mostrarem que tudo é verídico, muitos estudos irão para o brejo. Se contrário, um mito mantido por décadas será desfeito. Por isso,  é certo que Cornell Capa, estaria preocupado.  A descoberta de uma possível sequência da imagem poria fim ao debate. Contudo, isso vem sendo adiado, para possivelmente não causar um risco a célebre frase atribiuída ao fotógrafo: “Se as suas fotos não são boas o bastante, é porque você não chegou perto o bastante”. Guardadas as proporções, é como no romance de Irving Wallace, “A Senha”, onde  numa escavação arqueológica se descobre um novo evangelho, que conta uma história diferente do cristianismo. Dá para imaginar a confusão que isso acarretaria a Igreja Católica.</p>
<p style="text-align: justify;">Ziff disse também desconhecer como o material chegou as mãos do general mexicano. O que se sabe, é que Cziki Weisz &#8211; que além de laboratorista era amigo íntimo de Capa &#8211; chegou ao México em 1941. Ela ouviu seu filho, Gabriel Weisz, que lembra apenas do pai falando de negativos, mas não faz conexão nenhuma. O mesmo comparou a caligrafia de cartas do pai com as dos envelopes dos filmes encontrados e confirma ser do mesmo autor.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_taro_1_13.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8240" title="ms_taro_1_13" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_taro_1_13.jpg" alt="ms_taro_1_13" width="580" height="532" /></a><br />
Foto: Gerda Taro</p>
<p style="text-align: justify;">Para a curadora, é muito provável que Weisz temendo ser preso, o que de fato aconteceu – teria passado os arquivos a alguém para mantê-los em segurança, embora, ninguém faça idéia para quem eles foram entregues, e até mesmo se foi o próprio que os entregou. É claro que a segurança pessoal vinha em primeiro lugar. Mas, ela levanta uma questão pertinente: Se Weisz soubesse que os negativos estariam no México, ele certamente os teria procurado.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra coisa que a curadora se diz surpresa, é que quando em 1995 Cornell e Whellan tomaram conhecimento que o material estava no México, nenhum deles tentou contatar Weisz. O mesmo esteve com Capa, Taro e Chim na Espanha e conhecia Capa desde a juventude, na Hungria. Na verdade foram forçados a deixar o país, escapando para França. Quando Weisz foi preso e enviado para o  Marrocos, o fotógrafo tentou obter um visto para ele entrar nos Estados Unidos, contudo não chegaram a se encontrar jamais. Mais tarde, nos anos 50, Gabriel Weisz viajou com a mãe, a artista plástica e escritora inglesa Leonora Carrington, hoje com 93 anos, para Nova York e apesar de ser somente um garoto, lembra dela encontrando Robert Capa.</p>
<p style="text-align: justify;">A identificação de alguns negativos, segundo a Magnum Photos, que já está comercializando mais de 100 imagens  oriundas do achado, foi feita pelo próprio Robert Capa, mas algumas foram atribuídas aos três  com base na comparação de trabalhos já conhecidos dos fotógrafos.  No site da agência, as imagens estão com copyright “Robert Capa e 2001 by Cornel Capa”, identificadas com data e local, bem como informam que fazem parte da “Mexican Suitcase”. Algumas são disponiblizadas em alta resolução. Apesar de nada tão excepcional do ponto de vista imagético, pelo lado histórico e até mesmo jornalístico o material é muito interessante.</p>
<p style="text-align: justify;">O pouco que se sabe já contribuiu para abalar alguns alicerces da história da fotografia, ou pelo menos, da crítica fotográfica. Os filmes  continuam  sendo examinados por especialistas da George Eastman House, em Rochester, e, aparentemente, a maior parte se encontra em bom estado. Nos que já examinaram, encontraram  a famosa foto de Chim, da mãe amamentando um bebê, de 1936,  durante um comício antes da guerra. A imagem, que outrora já se afirmou ter sido feita durante um bombardeio, foi até mesmo analisada pela ensaista americana Susan Sontag (1933-2004 ) no seu livro “On Photography”.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_capa_3_14.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8241" title="ms_capa_3_14" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_capa_3_14.jpg" alt="ms_capa_3_14" width="448" height="580" /></a><br />
Foto: Robert Capa</p>
<p style="text-align: justify;">Após as análises, muita coisa poderá mudar no que diz respeito aos estudos sobre estes fotógrafos. Imagens atribuídas a Robert Capa, podem ter sido feitas por Gerda Taro. Como a maioria das atribuições, até agora, eram para o fotógrafo, a descoberta de um caminho oposto pode ser desconcertante para aqueles que sempre alimentaram seu mito. Mas, afinal as perguntas que não são respondidas, é quando, como e onde o público verá este conteúdo completo? Trisha Ziff formula uma questão essencial: E como ficam os sobreviventes? Afinal, são parte da história.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma questão relevante, não há dúvida. O massacre promovido pelo “generalíssimo” Franco, já foi expressado em pinturas como Guernica, de Pablo Picasso (1881-1973), nos textos de Hemingway, e nas imagens de grandes fotógrafos como o próprio Capa. Antes da curiosidade propriamente dita pelo “O Soldado caindo” há também a história de um povo, de pessoas de diferentes partes do mundo, como Gerda Taro, que deram suas vidas pela causa republicana, pela luta contra o facismo. Portanto, a importância histórica da descoberta está muito além da questão da produção de uma só imagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Por enquanto duas curadoras estão encarregadas de examinar o material: Kristen Lubben, que cuida dos  negativos de Gerda Taro (A mesma já foi curadora de uma importante mostra da fotógrafa) e Cyntia Young, que cuida de Robert Capa e David “Chim” Seymour. O maior desafio é desenrolar os filmes, que podem estar quebradiços, e escaneá-los. Lubben afirmou a Ziff que, uma vez que as imagens tenham sido escaneadas elas irão ser comparadas aos originais disponíveis no acervos do ICP e de outras instituições.</p>
<p style="text-align: justify;">As imagens espanholas dos fotógrafos, do tempo da fundação da  Magnum, estão nos chamados “Cadernos”. São livros com folhas de contato vintage. Existem somente oito. Um está no ICP e os outros sete na Biblioteca Nacional de Paris. As curadoras também pretendem compará-las com jornais de época, livros e revistas. Mas adiantam que muita coisa se mostrará inédita. Elas também buscam mais conhecimento sobre o estúdio parisiense de Capa.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_capa_3_7.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8242" title="ms_capa_3_7" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/ms_capa_3_7.jpg" alt="ms_capa_3_7" width="580" height="448" /></a><br />
Foto: Robert Capa</p>
<p style="text-align: justify;">Para Trisha Ziff, a identidade do autor de algumas imagens poderá permanecer no anonimato. Mas isto pode trazer uma mensagem, afinal era um momento em que as pessoas não tinham sequer o que comer, quanto mais ter filmes ou processá-los. Segundo Gabriel Weisz, seu pai teria contado que era comum cortar as pontas dos  negativos de cinema para adaptá-los às câmeras fotográficas.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a curadora, os três compartilhavam seus recursos, ajudando uns aos outros. Uma espécie de trabalho em conjunto, que há quase 70 anos já antecipava o tal do formato “coletivo” tão em moda atualmente.  A diferença para os dias de hoje, é que eles tinham uma postura não só política mas também ideológica. O material estava todo junto, amarrado, as vezes identificado literalmente como um trabalho coletivo.</p>
<p style="text-align: justify;">O ideal republicano, salvar a Espanha de um ditador facista, era mais importante que a autoria das imagens. Para Ziff, eles foram para a Espanha defender o que acreditavam e faziam isto como podiam, e a forma como o material foi preservado, desafia a maneira de como examinar este passado. Ou seja, a história não é tão linear e nem sempre vista  individualmente. Parafraseando Hemingway, vamos esperar e saber por quem os sinos dobram.</p>
<p style="text-align: justify;">* Texto originalmente escrito para revista Fotografe Melhor, em 2008, e atualizado agora para o Paraty em Foco.</p>
<p style="text-align: justify;">**Negativos de Nitrato</p>
<p style="text-align: justify;">O negativo de nitrato de celulose foi introduzido na indústria fotográfica pela Eastman Kodak  em 1889, como suporte da película em rolo. Foi produzido, em inúmeros formatos, para cinema e fotografia. A  partir de 1913 para suporte de película rígida. É extremamente inflamável, enrola demais e se torna quebradiço com o tempo,  tendo sido retirado do mercado nos anos 50.   Em 1923, foi substituído pelo acetato, e este pelo diacetato em 1937. Desde 1947 se usa os negativos com base de tricetato de celulose. Alguns filmes incorporaram também o polyester, para registros mais permanentes.</p>
<p style="text-align: justify;">(Fonte: Rocky Moutain Regional Conservation Center- RMRCC)</p>
<p style="text-align: justify;">Saiba mais sobre:</p>
<p style="text-align: justify;">Robert Capa: The Definitive Collection, de Richard Whelan (Phaidon Press, 2004)<br />
Magnum Stories, de Chris Boot  (Phaidon Press, 2004)<br />
The Spanish Civil War, de Hugh Thomas (Modern Library, edição revisada, 2001)<br />
Gerda Taro, Photographer (Steidl e ICP, 2007)<br />
David Seymour (Chim) de Tom Beck  (Phaidon Press 2006)</p>
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		<title>Reflexos de Vik Muniz</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 13:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>f508</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Juan Esteves comenta o livro do artista plástico brasileiro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/foto5_369.jpg"><img class="size-full wp-image-7976 alignnone" title="foto5_369" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/foto5_369.jpg" alt="foto5_369" width="423" height="500" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">*Por Juan Esteves</p>
<p style="text-align: justify;">Existem os artistas que se escondem e aqueles que não. O brasileiro <a href="http://www.vikmuniz.net/" target="_blank">Vik Muniz</a>, pertence a esta última categoria. Um exemplo pode ser visto quando se abre a versão em português da obra “Reflex Vik Muniz de A a Z” da editora Cosac Naify, lançada em 2007 no Brasil, dois anos depois da versão original publicada pela Aperture Foundation, uma das mais antigas e importantes editoras dedicada à “fotografia”. Logo nas guardas, uma centena de auto-retratos de Muniz.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixando de lado textos de curadores ou críticos, o livro traz um longo depoimento seu, entre uma compilação de séries consagradas &#8211; algumas já mostradas aos brasileiros &#8211; contando sua trajetória. Antes de Muniz, quer dizer, do homem artista, “existia a escuridão e a desordem” . Ai, surgiram os desenhos rupestres, e vieram os xamãs, e as “imagens passaram a ser sagradas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na perspectiva de um artista, ou melhor, de Muniz, “na sociedade organizada há pessoas que têm poder e lutam para mantê-lo e há as pessoas que estão continuamente criando novas formas de poder para desafiar os existentes. Como este segundo grupo não tem o poder, é livre para imaginá-lo e apresentá-lo em suas formas mais extravagantes”. Isso move a civilização, e, “sem os artistas, os governantes não existiriam ou nem seriam lembrados”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso, na introdução do livro, para lembrar ao leitor que os artistas, inclusive ele, estão esquecidos de seu papel como “xamã”, e o quanto a estética é capaz de influenciar a política. Por isso, Muniz vive lembrando seu papel na cultura em que vive, pois, ainda segundo o mesmo, “É fácil perder o foco ao tentarmos ser importantes e livres ao mesmo tempo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, apesar desta verborragia voltada para si mesmo,  o artista dá uma pista fundamental na compreensão de sua obra: “Antes de poder criar uma coisa nova, temos que esquecer o que é realmente ‘novo’ – porque a novidade na maioria dos casos, nada é senão esquecimento”. “Às vezes, para darmos um salto, precisamos dar alguns passos para trás para pegar impulso”.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez o leitor encontre algumas diferenças no texto com relação ao original de 2005, pois Muniz teve que reescrevê-lo e não somente traduzí-lo para o português. Em entrevista a Tereza Novaes, da Folha de S.Paulo, Muniz  assume que o livro é uma compilação de conselhos a jovens artistas, e que, se ele conseguiu, qualquer um também pode chegar lá, ou melhor, ao Olimpo das artes. Não é a toa que a matéria da jornalista abria dizendo que “Ele está no topo do mundo” ou como declara Márcia Fortes, sua dealer no Brasil, da Galeria Fortes Vilaça, “Ele é um fenômeno”. O que nos remete as suas primeira palavras “No início, havia escuridão..”, mas, depois de Vik Muniz &#8211; como está no Gênesis – Fiat Lux!</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/foto4_369.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7980" title="foto4_369" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/foto4_369.jpg" alt="foto4_369" width="500" height="386" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, o bom observador deve passar ao largo de superlativos, exageros, narcisismos e egocentrismos e ir direto para o que importa: conhecer seu trabalho mais amplo e as idéias que o originou. Não há dúvida que o artista paulistano de 48 anos, que vive nos Estados Unidos desde 1984, é reconhecido pelos países onde a arte tem relevância.</p>
<p style="text-align: justify;">Ninguém seria capaz de envolver galeristas, curadores, pensadores e pesquisadores, por tanto tempo, se não tivesse muito talento. Também, para não transformar este pequeno texto num tratado, está na hora de abandonar temporariamente a questão da apropriação de imagens alheias, que o artista fez ou faz. Já sabemos que, para ele, quanto mais camadas de interpretação uma obra artística tiver, mais a pessoa se detém sobre ela!</p>
<p style="text-align: justify;">Também a questão da repetição de uma fórmula, gestual ou conceitual, que para alguns críticos &#8211; como bem apontou Fabio Cypriano na mesma Folha &#8211; se tornaria redundante, merece ser apartada do conteúdo do volume. Afinal, vemos o mesmo método na maioria dos artistas que trabalham com fotografia como suporte, como Andreas Gursky, apenas para ficar com alguém cujas obras chegam aos impressionantes preços de sete dígitos. Três a mais que as de Muniz.</p>
<p style="text-align: justify;">Pulando o capítulo 1, “São Paulo”,  sobre os seus ancestrais, e o capítulo 2 “A terra da oportunidade” sobre sua mudança para os EUA, ambos quase piegas, o melhor é entrar no seu pensamento artístico pelo capítulo 3 “O mundo é plano”. Deste há exemplos da série Relíquias, esculturas de 1989, e outros trabalhos isolados. Para reforçar seus pensamentos, há imagens de trabalhos de Willian Wegman, John Baldessari, Brassai (1899-1984), Brancusi (1876-1957) e Roger Fenton (1819-1869), que fazem a ponte visual para a série “Indivíduos” de 1991-1993.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Imagens mentais: aparições e semelhanças” está um de seus trabalhos mais emblemáticos, na questão da apropriação de imagens, da série “Best of Life” (1988-90), a partir da famosa foto do chinês enfrentando sozinho os tanques na praça Tiananmen. Além das citações que vão do escritor  Shakespeare (1564-1616)* ao historiador Henri Focillon (1881-1943) , Muniz, busca proximidades nada menos que nas obras  dos pintores John Constable (1776-1837) e Andrea Mantegna (1431-1506).</p>
<p style="text-align: justify;">A série “Clayton Days” (2000), essencialmente fotográfica, surgiu quando Muniz foi convidado para um programa experimetal do Frick Art and Historical Center, de Pittsburg. O nome do trabalho vem da casa onde morou o magnata do aço Henry Frick. São imagens em sépia, “histórias pictóricas”, cujos personagens são os próprios funcionários da casa histórica. Fotograficamente, a mais original e interessante das séries, uma espécie de “staged photography”.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/foto2_369.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7981" title="foto2_369" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/foto2_369.jpg" alt="foto2_369" width="405" height="500" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Há também a sua série “Equivalentes” homônima a do grande Alfred Stieglitz (1864-1946), que mereceu uma reprodução também. Em seus equivalentes, Muniz usa algodão para criar as nuvens, consagradas por Stieglitz em 1929, uma verdadeira paródia a monumental obra deste.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso lembrar que com esta série, Stieglitz foi um dos primeiros a dar sentido ao termo “conceitual” a uma imagem fotográfica . Muniz conta que em 1995 visitou uma mostra do fotógrafo, mas que demorou a achar os significados dos “equivalentes”, só encontrando-os, quando ao olhar para baixo, passou a enxergar uma infinidade de “equivalentes” no mármore do piso. Difícil avaliar se tal declaração, assim como outras ao longo da edição, também não seriam uma paródia.</p>
<p style="text-align: justify;">A referência à obra de Stieglitz é mais emblemática quando Muniz explica que “as pessoas estão condicionadas a dirigir o olhar para o quadro e tornam-se imediatamente cegas para o que está ao redor delas”. Para ele há muito que enxergar nos reflexos das lajes dos museus! Tal pensamento, sem dúvda, é uma das chaves para a compreensão de sua própria sintaxe .</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Entrelinhas” há um retrato de Jean Cocteau (1889-1963) , feito por Man Ray (1890-1973), que abre a seqüência de sua série “Quadros de Arames” (1995), da série “Quadros de Linhas” (1996) onde imagens de quadros famosos são cobertas por linhas. A série “Prisões” (2002) baseada nos “Carceri di invezionne” de Piranesi ( Giovanni,1720-1778), e a série “Mendigos” (2001) onde ele reproduz uma gravura de Rembrandt (1606-1669), desenhadas com clips e alfinetes.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Cristais”, estão a fotos da série “Crianças de açúcar” (1996), imagens cobertas de açúcar, série “Ulteriores” (1998) cobertas de lixo, série “Quadros de Poeira” (2000) cobertas de poeira. A satisfação de pintar, é um capítulo que está a série “Quadros de chocolate” (1997-2003), onde ele pinga chocolate líquido em várias fotos famosas, como a de Jackson Pollock (1912-1956) pintando, feita pelo grande fotógrafo  Hans Namuth (1915-1990).</p>
<p style="text-align: justify;">Há momentos em que Muniz usa a obra de um artista que já se apropriou da obra de outro, caso de Warholl (1928-1987) com a “Monalisa”,  de Da Vinci (cerca de 1452-1519). Nesta série , em vez de chocolate, lixo ou pó, o artista as desenha com pasta de amendoim e geléia (1999).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/foto1_3691.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7979" title="foto1_369" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/foto1_3691.jpg" alt="foto1_369" width="400" height="500" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">De Warholl a Roy Lichtenstein(1923-1997) e Sigmar Polke, surgem as retículas da série “Quadros de Tinta” (2000). Da metade em diante, surgem coberturas de caviar (da série Quadros de Caviar, 2004), coberturas de diamantes (da série “Quadros de Diamante”, 2004) coberturas de soldadinhos de brinquedo (da série “Mônadas”, 2003), as tramas da série “Quadro de Cores” (2001), os confetes feitos a partir de revistas perfuradas (da série “quadro de Revistas”, 2003), os desenhos de nuvens, nas fotografias da série “Quadros de Nuvens”, de 2001, as radiografias da série “Shadowgrams” (1993-1994) e os grandes desenhos na areia, da série “Earthworks” (2002), entre outras.</p>
<p style="text-align: justify;">Após longas reflexões e muitos reflexos, interiores e exteriores, Muniz deixa seus pensamentos para que o leitor julgue por si mesmo a importância de sua obra, coisa rara entre os ditos contemporâneos, e por certo um curador não faria melhor, nem seria mais didático.</p>
<p style="text-align: justify;">Preferir caviar ao lixo, diamantes à poeira, geléia a alfinetes, é uma questão de foro íntimo, assim como todo mundo é livre para apreciar obras originais ou seus diferentes remakes. E, se vivemos num mundo onde se paga alguns milhões de dólares por uma fotografia de prateleiras de supermercado, porque não admirar um trabalho sério, bem feito e provocante? No mínimo a arte é discutida por alguns e descoberta por outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a curadora Susan Rosemberg, do Seattle Asian Art Museum, onde a exposição Reflex, ficou até janeiro de 2007, o trabalho de Muniz homenageia artistas como Gerhard Richter, Mark Tansey e Chuck Close &#8211; a série “Quadro de revistas” é muito próxima, até mesmo no conceito, do trabalho deste último. Inclusive há um retrato de Close nela.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Rosemberg,  o artista questiona e subverte as tradições da arte representativa, quando suas imagens ficam na linha entre realidade e ilusão, representação e abstração, idéia e imagem. Quando o artista altera a escala do ponto de vista, ele convida a reflexão à natureza da percepção, investigando como a informação visual é construída, apresentada e recebida pelo público. A mostra teve uma seqüência em Miami, San Diego, Montreal e São Paulo.</p>
<p style="text-align: justify;">No momento confessionário, guardado para o último capítulo “O demônio e o grafoscópio” Vik Muniz se encontra escrevendo as últimas linhas (pós-escrito) num banco de Madri, diante da escultura “Angel Caido” de Ricardo Bellver (1845-1924) . Segundo o artista, este é o único monumento dedicado ao demônio (SIC). A queda de Lucifer, pelo orgulho! “Os orgulhosos espanhóis simpatizam com seu destino. Posso compreender isso porque sou igualmente orgulhoso (…)”.</p>
<p style="text-align: justify;">REFLEX Vik Muniz de A a Z<br />
Imagens e textos de Vik Muniz<br />
Editora COSAC NAIFY<br />
ISBN-978-85-7503-641-9<br />
<a href="www.cosacnaify.com.br" target="_blank">www.cosacnaify.com.br</a></p>
<p style="text-align: justify;">*O texto foi originalmente escrito e publicado no Fotosite em 2007, sendo agora atualizado para o blog do Paraty em Foco.</p>
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		<title>A melhor foto&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 12:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>f508</dc:creator>
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		<description><![CDATA[... segundo seus autores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Há um ano, o f/508 lançou em seu blog a coluna &#8220;<a href="http://www.fotoclubef508.com/blog/?cat=3357" target="_blank">A melhor foto</a>&#8220;, inspirada no jornal inglês The Guardian. Desde então, foram publicadas, sempre às segundas-feiras, dezenas de imagens de fotógrafos brasileiros convidados. A escolha da “melhor foto” (se é que ela existe) é sempre um desafio, dada a subjetividade que a permeia. Completado um ano deste mapeamento, compartilhamos abaixo algumas imagens publicadas ao longo desse período.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/orlando-azevedo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7918" title="orlando azevedo" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/orlando-azevedo.jpg" alt="orlando azevedo" width="500" height="500" /></a><br />
Foto:  Orlando Azevedo</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Gaiola da liberdade</em></p>
<p style="text-align: justify;">Realizei esta foto em Paranaguá no ano de 1993, em minhas muitas e muitas andanças pelo país, no qual já rodei mais de 90.000km em jeep sempre documentando seu patrimônio humano e natural. A grande magia e alquimia da fotografia é que ela surge para o fotógrafo e para a janela de sua emoção e construção.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ver esta surreal cena voei para sua pátina<br />
Se abria uma página<br />
Era uma árvore em sua metáfora e nela havia uma gaiola com um canário de terra em sua cela<br />
Selava-se assim a contradição da observação<br />
Voar é com os pássaros<br />
Voar é com a criação<br />
Pulsa, pulsa meu coração<br />
A fotografia é sempre a ressureição da extinção e do movimento e momento que não mais se repetirá</p>
<p style="text-align: justify;">A foto foi realizada com filme 120 TRI-X e executada em pb e cromo. É uma imagem que me divide entre as duas possibilidades, cor ou pb. Gosto de ambas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/orlando2.jpg"><img class="size-full wp-image-7919 aligncenter" title="orlando2" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/orlando2.jpg" alt="orlando2" width="500" height="500" /></a><br />
Foto:  Orlando Azevedo</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje esta imagem integra o acervo do MAM de São Paulo e integra a mostra <a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/?s=Bressonianas&amp;x=0&amp;y=0" target="_blank"><em>Bressonianas</em></a>, além de vários acervos particulares.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/julio-bittencourt.jpg"><img class="size-full wp-image-7924 aligncenter" title="julio bittencourt" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/julio-bittencourt.jpg" alt="julio bittencourt" width="500" height="604" /></a><br />
Foto: Julio Bittencourt</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Há 5 anos venho acompanhando o MSTC (Movimento dos sem-teto do centro) em dois diferentes projetos.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro, que resultou em meu primeiro livro chamado <em>Numa janela do Edifício Prestes Maia 911</em>, foi produzido entre 2006 e 2008, onde retratei  os moradores do conhecido edifício em suas janelas.  Durante a ocupação, que durou de 2002 a 2007, havia um grande número de pessoas – fotógrafos, documentaristas e cineastas – produzindo diversos trabalhos dentro do mesmo espaço e por esse motivo procurei uma outra maneira de retratar aquele simbólico lugar e a especial ligação que tive com aquelas pessoas que resulta em constantes trocas até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">A intenção e resultado final do projeto foi assumidamente construída:  retratar  janela por janela para depois ‘reconstruir’ o edifício de forma arbitrária. Foi de certa forma ‘um jogo’ que propusemos a nós mesmos – fotógrafo e fotografados.  Olhar para janelas, a partir de janelas.</p>
<p style="text-align: justify;">Algo que penso traduzir bem nossa experiência fragmentária com a cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde de 2008 venho produzindo um outro trabalho chamado <em>Cidadão X</em> (vencedor do Conrado Wessel / projeto inédito deste ano) com o próprio MSTC e outros movimentos oriundos dele em diferentes regiões e ocupações pela cidade, cujo resultado deve ser lançado em outro livro ainda ano que vem.</p>
<p style="text-align: justify;">Escolhi essa imagem pois além de viajar o mundo sozinha desde então, não deixou ‘nosso pequeno jogo proposto’ para trás e continua a nos levar com ela – fotógrafo e fotografados.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/anteparo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7930" title="anteparo" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/anteparo.jpg" alt="anteparo" width="500" height="335" /></a><br />
Foto: João Castilho</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Escolhi essa fotografia. Chamo-a de <em>Anteparo</em>. Gosto dela primeiro pela composição. Geométrica, abstrata. Depois o ser humano. Sem rosto, sem identidade. Portanto sem história. Será? De alguma forma, universal. Gosto dela também porque é uma fotografia que não encontrou lugar em nenhum dos meus ensaios. É uma foto sozinha. Destino ingrato nas mãos de um fotógrafo que pensa por ensaios. Tentei colocá-la no Redemunho mas ela não quis entrar. Finalmente acabou encontrando lugar no <a href="http://www.mam.org.br/2008/portugues/clubeFotografia.aspx" target="_blank">Clube da Fotografia do MAM</a>,  pelas mãos do Eder Chiodetto. Talvez até encontre companhia lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi feita em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais. O garoto estava passando com esse objeto vermelho. Pedi para que parasse e para que posasse. Dirigi o uso do objeto e de certa forma o transgredi. Gosto de fazer isso com objetos, inventar novos usos. É o que as crianças fazem. Para elas, por exemplo, ele servia para pegar peixes no rio, para mim se transformou no Anteparo.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/claudio-edinger.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7935" title="claudio edinger" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/claudio-edinger.jpg" alt="claudio edinger" width="400" height="500" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Foto:  Claudio Edinger</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A melhor foto aqui depende muito do dia, hora, humor, etc… no momento é esta.</p>
<p style="text-align: justify;">Comecei este ano a fotografar o lugar que é a síntese praticamente de tudo o que eu já fiz. Downtown  – LA. O  centro da cidade de Los Angeles tem de tudo um pouco: asilo de doentes mentais, arquitetura de sampa, o Chelsea Hotel, Cuba, China, Japão, e por aí vai.</p>
<p style="text-align: justify;">As fotos que funcionam no meu caso (cada caso é um caso) tem que ter enquadramento, drama e luz funcionando em sintonia fina, como num concerto sinfônico. O violino tem que ajudar o piano, que ajuda os tambores, e assim por diante. O que me interessou em Downtown foi  essa mistura extraordinária da arquitetura mais moderna do planeta com, por exemplo, cenas da América Latina. Em LA, 50% da poulação é latina e 70% dessa população tem problemas emigracionais, por assim dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu parei pra pedir informações, a figura da foto foi de uma simpatia  desmedida. Apelidado de Jorge (Ror-rre) “the lion king” (com certeza pela barba abundante) ele me deixou paralisado.</p>
<p style="text-align: justify;">“Posso te fotografar?” perguntei em espanhol.<br />
“Claro” respondeu com um sorriso.</p>
<p style="text-align: justify;">Fui buscar a 4×5 no carro  – o cara nasceu pra ser fotografado com o foco seletivo — e lá mesmo com a luz do depósito de frutas onde ele trabalha, deu-se o ato.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/scavone.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7939" title="scavone" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/scavone.jpg" alt="scavone" width="500" height="505" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Foto: Marcio Scavone</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Publicar a melhor fotografia, é uma decisão, no mínimo fadada ao erro ou arrependimento. Resolvi, entre a minha prole, escolher o primogênito.  Afinal é aquele que você amou por mais tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta imagem feita em Londres em 1975 quando eu era um estudante de fotografia e morava no prosaico bairro de Ealing entre polacos e paquistaneses acena com a descoberta do glamour por traz das coisas.  Acho também que ela marca a formação do meu olhar. Eu tinha o hábito de flanar (este verbo tão cultuado pelos fotógrafos, mistura de vagar e observar) pelas ruas de Londres, Hasselblad nas mãos, a registrar mais as coisas do que as pessoas. Eu era muito jovem e tímido para me aproximar muito de modelos vivos. A turista sofisticada e atemporal surgiu no meu visor aprisionada pelas nuvens e o reflexo de uma cidade na marcha para a modernidade. Aprendi com esta fotografia que a figura humana é a referência, o ponteiro das horas do mundo, se você ousa tentar interpretá-lo.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/c_cravo8.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7943" title="c_cravo8" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/c_cravo8.jpg" alt="c_cravo8" width="335" height="500" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Foto:  Christian Cravo</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Como fotógrafo busco entender o homem através de imagens que se revelam no decorrer do meu caminho. Faço da minha visão um instrumento para contar uma história que é acima de tudo “humana”.  A partir de temas definidos procuro representar o homem numa estrutura iconográfica.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste sentido, vejo o Haiti como a expressão máxima da essência humana. Estamos falando de uma sociedade com características muito particulares, intensamente espiritualizada, repleta de simbologias, onde a falta de pudor do povo se apresenta por meio de elementos de grande pureza.</p>
<p style="text-align: justify;">E é a pureza nas relações do homem na manifestação do seu credo que desperta meu olhar. A amplitude filosófica que podemos traçar a partir da existência humana no Haiti é algo perturbador e incrível.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Jardins do Éden</em> é, no meu entender, o título que melhor representa a singularidade do povo haitiano. Esta idéia nos remete aos primórdios, ao momento em que o homem estava intrinsecamente ligado à natureza e se descobria através dela. Momento este, em que não existia o pecado e os corpos nus habitavam todo e qualquer espaço, pois pertenciam a todos eles. Momentos de prazer profundo do homem em fusão com a natureza e seus elementos. O animismo elevado à máxima potência, realizando desejos, buscando novas esperanças para um povo oriundo da África, que possui em suas raízes relações mágicas com o divino.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/juan-esteves.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7946" title="juan esteves" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/juan-esteves.jpg" alt="juan esteves" width="475" height="320" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Foto:  Juan Esteves</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Henri Cartier-Bresson disse certa vez, comentando sua famosa – e linda – imagem do menino sorrindo que carrega abraçada uma garrafa de vinho, que Robert Doisneau tinha feito outras, semelhantes, muito melhores do que a dele. Também, noutra entrevista, pouco antes de morrer, disse que avaliava ter umas 30 imagens das quais ele se sentia realmente orgulhoso. Considerando que ele  fotografou por mais de 60 anos, temos ai uma média de uma imagem boa a cada 2 anos em seu julgamento. O que nos faz pensar, e muito, na nossa autocrítica, na capacidade que temos de avaliar nossa própria produção.</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes penso que muitas de minhas imagens tiveram soluções melhores através de outros fotógrafos. Também, tenho uma tendência a gostar muito daquilo que não sou capaz de fazer. Algo que não consigo adequar à minha sintaxe sempre me é atraente. Por outro lado o clichê de que “a melhor imagem ainda está por acontecer” me assombra permanentemente, o que, apesar dos quase 25 anos de carreira, me conduz ao mais puro sofrimento quando inicio um processo de edição seja para um ensaio editorial,  para um livro, para uma exposição, ou como agora, para atender ao pedido do f/508.</p>
<p style="text-align: justify;">A melhor imagem para mim é sempre aquela momentânea. Aquela última que fiz e que me deixou, de certo modo, feliz. Pode ser um <em>snapshot </em>das minhas filhas em casa, um retrato produzido em grande formato de um artista plástico ou um escritor muito querido, ou simplesmente aquela que saiu no susto e que me surpreendeu. Esta, do cavalo correndo no final da tarde foi feita agora em julho, quando eu estava chegando com as crianças de férias no sítio.  Um dos animais do vizinho estava correndo livre pelo morro. Foi o tempo de puxar a câmera da bolsa, focar quase sem fotometrar e pegar ali, no susto, aquele movimento.  Em tempos que o tal momento decisivo vem sendo desmistificado, esta se tornou minha melhor fotografia. Outro dia, assim espero, será outra!&#8221;</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/jose_bassit_melhor_foto.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7948" title="jose_bassit_melhor_foto" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/jose_bassit_melhor_foto.jpg" alt="jose_bassit_melhor_foto" width="591" height="399" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Foto:  José Bassit</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Como outros colegas disseram, é dificil escolher a melhor foto, então decidi colocar minha mais recente melhor foto. Ela foi tirada em Dezembro passado, e faz parte de meu novo projeto que é documentar as festas de Iemanjá. Como estou fotografando o trabalho em filme, foi uma agradavel surpresa quando peguei o contato  e no meio da série veio esta pérola. Corri para ver o foco e descobri o movimeto da água batendo no corpo da menina todo coberto  e só a mão para fora com a rosa. Resolvi inclusive colocar a foto na página inicial do meu site, que ficará pronto dentro de algumas semanas*.&#8221;</p>
<p>* O site já está no ar. Acesse-o <a href="http://www.josebassit.com/portugues.html" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/boris-kossoy.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7951" title="boris kossoy" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/06/boris-kossoy.jpg" alt="boris kossoy" width="500" height="358" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Foto:  Boris Kossoy</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;É muito difícil para todo aquele que cria a incumbência de ter que escolher, dentre suas obras, a “preferida”, aquela que mais gosta. De qualquer modo, posso me referir a uma fotografia que me emociona sempre, apesar dos quarenta anos que me separam do momento em que a realizei. Trata-se de um de meus primeiros trabalhos da série do realismo fantástico, que desenvolvi a partir do final da década de 1960 em diante e que intitulei de <em>Surpresa na Estrada</em>. Creio que foi com esta foto que descobri para mim mesmo um caminho a ser trilhado nos anos que se seguiram; por essa razão tenho uma especial relação de amor com ela.</p>
<p style="text-align: justify;">O projeto do “fantástico” se refere a algumas imagens nas quais, fatos aparentemente desconexos, convivem num mesmo quadro. Uma construção que busca imprimir a atmosfera de um sonho, a partir de lugares, personagens e elementos reais. Os cenários registrados são partes fundamentais dessa idéia; servem de ambientes ou fundos para a ocorrência do fato. À primeira vista sem importância, vai se transformando num elemento intrigante, desestabilizador em relação ao seu entorno. Tornado perpétuo através da representação aquele simples fato, perdido no meio do nada, vai ganhando peso ao longo de sua própria história. Mas afinal do que se trata? De situações que não vemos, ou não percebemos, assim como uma infinidade de outras que não vimos e não veremos. Situações que, no entanto, ocorrem continuamente, ininterruptamente no nosso cotidiano, situações que configuram mundos paralelos. Devemos perceber essas realidades mágicas que ocorrem no mundo. Devemos buscar essa dimensão que nos escapa. <em>Surpresa na Estrada</em> me mostrou esse caminho.</p>
<p><em>Surpresa na Estrada</em><br />
Autor: Boris Kossoy<br />
Local: Periferia de S.Paulo<br />
Ano: 1970&#8243;</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Além dos fotógrafos acima, participaram do projeto: Patrick Grosner, Fernando de Tacca, Fernando Rabelo, Rodrigo F. Pereira, Luiz Achutti, Danilo Siqueira, Guy Veloso, Rinaldo Morelli, André Dusek, Alexandre Wittboldt, Ricardo Teles, Roosevelt Nina, Fernanda Chemale, Andrea Mendes, Thiago Barros, Marcelo Greco, Klaus Mitteldorf, Cia de Foto, Alexandre Belém, Iatã Cannabrava, João Urban, Antônio A. Nepomuceno, Usha Velasco, Clicio Barroso, Patricia Gouvêa, Ricardo Padue, Marcelo Feijó, Alexandre Sequeira, Jorge Bispo, Duda Carvalho, Kitty Paranaguá, Flávio Damm, Ricardo Labastier e Cláudia Jaguaribe.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;">
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		<title>Uma lágrima feliz para José Mindlin</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 22:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>estudiomadalena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[jose midlin]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Esteves]]></category>

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		<description><![CDATA[Juan Esteves faz homenagem ao bibliófilo, que faleceu no último dia 28.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Je ne fais rien san gayeté&#8221;<strong>*</strong><br />
</em>Montagne</p>
<p>Não li as notícias do final de semana e ontem me deparo com o programa da TV Cultura, Roda Viva, reapresentando a última entrevista com José Mindlin, por conta de sua morte no último domingo, aos 95 anos de idade!</p>
<p>Retratar pessoas de quem gostamos, tenho falado, é uma via de duas mãos. Nos envolvemos com elas, passamos a admirá-las mais (e, em certos casos, até mesmo nos decepcionamos) com sua presença próxima. Vem sendo assim desde o meu primeiro retrato publicado em jornal.</p>
<div id="attachment_6028" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/MINDLIN3-WEB.jpg"><img class="size-full wp-image-6028" title="MINDLIN3-WEB" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/MINDLIN3-WEB.jpg" alt="Foto: Juan Esteves" width="400" height="527" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Juan Esteves</p></div>
<p>Aquela sensação efêmera típica, que a imagem fotográfica carrega em seu conteúdo, bate diretamente nos retratos. E, não precisa ser um profissional como eu. Mesmo outros fotógrafos sentem isso, e até mesmo aqueles que não o são. A representação do humano,  ocupação e preocupação fotográfica desde seus primóridos possue este condão.</p>
<p>Sempre penso sobre essa fragilidade quando um retratado passa a não existir mais no mundo real, criando o paradoxo da imagem que é efêmera mas que irá resistir aos tempos como objeto físico, uma cópia fotográfica, um arquivo no HD, uma impressão em livro, na memória daqueles que o admiram. José Mindlin ficará para sempre na minha memória, aliás ele nunca saiu dela!</p>
<p>Retratei José Mindlin em três ou quatro ocasiões nos últimos 20 anos, todas elas em sua biblioteca, nos fundos de sua bela casa no Campo Belo, em São Paulo. A primeira para a Folha de S.Paulo(1990) e a última para o livro “São Paulo en mouvement” publicado na França em 2005. A frase de Montaigne (Michel de, 1533-1592) acima está reproduzida em sua entrevista feita pela diplomata francesa Anne Louyot, minha parceira na publicação.</p>
<p>Em todas as ocasiões tive a felicidade de passear pela biblioteca guiado pelo dono. Como também trabalho com livros imaginem o prazer de tal “trabalho”. Um verdadeiro aprendizado, imensurável. Na verdade, toda vez que surgia esta “pauta” não era mesmo um trabalho, era uma alegria enorme. Esperava ansioso a oportunidade de rever a biblioteca, de conversar com José Mindlin, simplesmente poder ouví-lo. O menor dos livros se tornava um objeto apaixonante em suas mãos!A frase mais simples, uma lição de vida!</p>
<p>Ele sempre buscava um livro que pudesse agradar seu visitante, como se não fosse já suficiente estar ali respirando toda aquela biblioteca,  aquelas edições raras, as matrizes de xilogravuras que ficavam expostas “displicentes” sobre as estantes baixas que corriam pelas janelas. Podia-se ver uma belíssima matriz da Renina Katz e pela janela, o lindo jardim. Certa vez me mostrou sua antiga carteirinha de identidade do jornal O Estado de S.Paulo.</p>
<div id="attachment_6027" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/JOSE-MINDLIN-WEB.jpg"><img class="size-full wp-image-6027" title="JOSE-MINDLIN-WEB" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/JOSE-MINDLIN-WEB.jpg" alt="Foto: Juan Esteves" width="400" height="530" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Juan Esteves</p></div>
<p>Em 1993 tive um surpresa quando recebi em meu estúdio uma  caixa com 6 edições  facsímile da Verde  “Revista Mensal de Arte e Cultura”, publicação de 1929, de Cataguazes, Minas Gerais (http://www.nossacasa.net/arte/texto.asp?texto=66) . No interior textos de Affonso Arinos, Mario de Andrade, Guilherme de Almeida, Ascanio Lopes.</p>
<p>Na dedicatória: “Ao caro Juan, que gosta das mesmas coisas que eu” Dai para frente, poderia ser o maior metido do mundo! Estava escrito! Ficou escrito! Escrito por José Mindlin! Mas, toda vez que isso me subia a cabeça, lembrava da modéstia incondicional do próprio e, felizmente, me recolhia a minha insignificância.</p>
<p>Nestes anos José Mindlin nunca deixou de agradecer pelos retratos, e quase sempre o fazia enviando um livro de presente,como o belo “Uma vida entre Livros, Reencontros com o tempo” (edusp-cia das letras, 1997) que traz projeto gráfico de sua filha  Diana Mindlin, fotografias de livros, feitas por sua neta, a fotógrafa Lúcia Mindlin Loeb, e fotografias de encadernações feitas por Rosely Nakagawa.</p>
<p>José Mindlin era tão modesto e educado que chegava a colocar “ esperando que goste” nas dedicatórias. Como se isso não fosse possível, vindo de um homem que foi admirável por construir algo tão valioso ( sua biblioteca que ficará na USP), que se posicionou contra a ditadura declaradamente com muita coragem ( caso Vladimir Herzog) e sempre lutou pela arte brasileira ( sua campanha com o MASP e Bolsa Vitae) e tantas outras coisas importantíssimas na nossa cultura, um legado que construiu com muita alegria! Como seu próprio moto &#8220;Je ne fais rien san gayeté”</p>
<p><em><strong>* </strong></em><em>&#8220;Não faço nada sem alegria&#8221;. </em>Tradução do amigo, fotógrafo e também bibliófilo Eduardo Muylaert.</p>
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		<title>A cor mais brasileira!, por Juan Esteves</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 12:07:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>estudiomadalena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[exposição]]></category>
		<category><![CDATA[galeria de arte do sesi]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Esteves]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[maureen bisilliat]]></category>
		<category><![CDATA[são paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Maureen Bisilliat abre nova exposição na Galeria de Arte do Sesi, em São Paulo, a partir de amanhã (02.03).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo Brasil, já passaram grandes artistas como o holandês Frans Post (1612-1680) ou o alemão Johann Rugendas  (1802-1858), apenas para citar alguns cujo deslumbramento pela nossa cor ficou registrado em pinturas, desenhos e litografias essenciais.</p>
<p>Na história contemporânea, a fotografia tomou o papel dos desenhistas com fotógrafos como os americanos George Leary Love (1937-1995) e David Drew Zingg (1923-2000). Contudo, uma inglesa chamada Maureen Bisilliat aqui desembarcou, em 1952, e mudou para sempre os conceitos da fotografia, do documentarismo, do fotojornalismo e da arte brasileira.</p>
<div id="attachment_5932" class="wp-caption alignnone" style="width: 590px"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02401IND0820.jpg"><img class="size-full wp-image-5932" title="02401IND0820" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02401IND0820.jpg" alt="Foto: Maureen Bisilliat" width="580" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Maureen Bisilliat</p></div>
<p>De origem irlandesa, Sheila Maureen nasceu no vilarejo de  Englefield Green, em Surrey, sudoeste da Inglaterra, em 1931. O sobrenome Bisilliat  adotado – já como fotógrafa – veio de seu segundo marido, o francês Jacques Bisilliat, com quem tocou a charmosa galeria de arte popular “O Bode”, na rua Bela Cintra, em São Paulo, entre 1972 e 1992.</p>
<p>Como alguns dos mais importantes fotógrafos, Maureen Bisilliat começou pela arte. Já estava morando no Brasil quando, em 1955, seguiu para Paris, para estudar com o francês André Lothe (1885-1962), expoente do Movimento Cubista e que, entre outras coisas,  foi professor de Henri Cartier-Bresson (1908-2004). Bresson reputaria ao artista tudo que sabia sobre fotografia.</p>
<div id="attachment_5933" class="wp-caption alignnone" style="width: 590px"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02401IND0904.jpg"><img class="size-full wp-image-5933" title="02401IND0904" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02401IND0904.jpg" alt="Foto: Maureen Bisilliat" width="580" height="390" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Maureen Bisilliat</p></div>
<p>Em Paris, Maureen e a amiga Henrieta Michelson se sentiram em casa. “Fomos muito bem recebidas, pois até então, o ateliê não tinha grandes expressões definidas nas artes plásticas. Chegamos sem vícios, sem imitações”, conta. Mas Lothe era muito rígido e seco, e não poupava críticas aos alunos. A necessidade de contrapor a severidade do mestre a levou aos Estados Unidos. Foi estudar com o russo Morris Kantor (1896-1974) na Art Students League of New York .</p>
<p>Com mais de cem anos, a “Art League”  abrigou artistas de renome – entre eles, Cy Twombly e Robert Rauschenberg (1925-2008). A escola, que existe até hoje, é famosa por unir amadores com artistas profissionais e continua sendo um nome importante na vida artística  da cidade.</p>
<div id="attachment_5935" class="wp-caption alignnone" style="width: 590px"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02418JAM4913-26.jpg"><img class="size-full wp-image-5935" title="02418JAM4913-26" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02418JAM4913-26.jpg" alt="Foto: Maureen Bisilliat" width="580" height="385" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Maureen Bisilliat</p></div>
<p>“Na Art League havia uma liberdade muito maior de expressão,  mas não era uma farra!  Se a Paris do tempo de Lothe era aquela de Jean Paul Sartre (1905-1980), para nós,  jovens, o mundo se abria! New York era outro mundo também! Você ia ao East Side  e encontrava com de Kooning (Willem, 1904-1997) tomando cerveja! E não era num lugar badalado! Noutro bar qualquer, Monk (Thelonious, 1917-1982) tocava! ”.</p>
<p>Para Maureen, naquela  época o jovem tinha o direito de ser um aprendiz. A fotógrafa explica melhor: “Visitei o ateliê de Lasar Segall (1891-1957). Ele colocou os meus desenhos no chão e olhou demoradamente. O Segall dava seu tempo, olhava e opinava! Hoje não existe mais isso. Hoje todo mundo já tem que saber ser produtor!”</p>
<p>No final da década de 50, foi  estudar com o italiano Karl Plattner (1918-1986) num ateliê no bairro do Sumaré, em São Paulo. O artista veio para o Brasil na esteira da Bienal de 1953 (II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo). No ateliê, foi colega de duas grandes artistas: a alemã Gisela Eichbaum (1920-1996) e a italiana Maria Bonomi, que por aqui  também se radicaram.</p>
<div id="attachment_5934" class="wp-caption alignnone" style="width: 590px"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02418GUI2013A-06.jpg"><img class="size-full wp-image-5934" title="02418GUI2013A-06" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02418GUI2013A-06.jpg" alt="Foto: Maureen Bisilliat" width="580" height="380" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Maureen Bisilliat</p></div>
<p>Se considerando “desenraizada”, acabou se naturalizando em 1963. Vestindo sempre  longas saias, sandálias e encharpes, um leve sotaque bretão a destaca como alguém de fora, embora poucas pessoas entendem de cultura brasileira como ela. Poucas têm raízes tão profundas plantadas aqui.</p>
<p>Ela justifica o abandono da pintura e o início de um trabalho fotográfico que a tornaria reconhecida no Brasil e no exterior: “Fiquei sem saber o que dizer a uma tela branca!”. Perdeu a arte, ganhou a fotografia? Difícil afirmar. Seu documentarismo tem muito de artístico e seu fotojornalismo não era apenas informativo. Suas reportagens instigavam, provocavam estese através de um viés até o momento muito pouco explorado: aquele cuja cor é uma forma e um conceito. Também o inusitado de suas pesquisas e suas explorações cromáticas ainda hoje desconcertam os menos familiarizados com seu poderoso vocabulário imagético.</p>
<p>Em 1960, ela foi a Valdívia, no sul do Chile, cobrir um terremoto para o jornal  The New York Times. Depois de muito trabalho, os  doze rolos de filmes que fez nunca chegaram ao seu editor em Santiago. “Curiosamente… vinte anos depois, reencontrei a pessoa que deveria ter recebido. Ela me contou que eles chegaram sete anos depois que enviei”. Uma das estranhezas da vida  de uma fotógrafa que se habituou entre pajés, sertanejos matutos e com o sincretismo religioso – e, mesmo assim, ela ainda levanta as sobrancelhas, ao contar estas histórias.</p>
<div id="attachment_5936" class="wp-caption alignnone" style="width: 590px"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02418PSC6211A-06.jpg"><img class="size-full wp-image-5936" title="02418PSC6211A-06" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/02418PSC6211A-06.jpg" alt="Foto: Maureen Bisilliat" width="580" height="382" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Maureen Bisilliat</p></div>
<p>De volta ao Brasil, começou fotogrando nus em casa, um hábito já dos tempos de estudante de arte, até que um amigo mineiro, José Olimpio Borges, lhe deu um exemplar de <em>Grande Sertão: Veredas</em>, de Guimarães Rosa (1908-1967). “O Olimpio me disse: não sei se você vai compreender…”, lembra a fotógrafa, rindo. De fato, Maureen não só compreendeu, mas traduziu o livro de Rosa, em imagens que viraram <em>A João Guimarães Rosa</em> (Gráficos Brunner, 1967 -Ed. Diá 1987), fruto das viagens por Minas Gerais até 1963.</p>
<p>Ao trabalhar com Marcelo Tassara, fazendo um “tabletop” (imagens para animação), em 1962,  foi levada pelo jornalista Audálio Dantas para a revista Quatro Rodas. Foram mais de dez anos – contando também o tempo da antológica  revista Realidade – viajando pelo Brasil.  Nas publicações, apareciam colegas como a suíça Claudia Andujar, o italiano Luigi Mamprin (1921-1995) e o carioca Walter FIrmo.</p>
<p>Um projeto paralelo, que ela chamou de “Equivalências Fotográficas” – que não tem nenhuma semelhança com os <em>Equivalentes </em>de Alfred Stieglitz (1864-1946) – foi posteriormente transformado em livros e envolveu a obra de escritores como Euclides da Cunha (<em>Sertões, Luz e Trevas</em>, Editora Raízes,1983), João Cabral de Melo Neto (<em>O cão sem plumas</em>, Ed.Nova Fronteira, 1984) e Jorge Amado (<em>Bahia Amada Amado</em>, Empresa das Artes, 1996), entre outros.</p>
<p>Uma necessidade de experimentação sempre marcou os trabalhos de Maureen Bisilliat. Disto, surgiram filmes como <em>A João Guimarães Rosa</em>, de 1969, em co-autoria com Marcelo Tassara; <em>Yaô/Iniciação de Filho de Santo</em>, de 1976, exibido na Bienal de Arte de São Paulo; <em>Xingu-Terra</em>, de 1979, longa-metragem rodado na aldeia Mehinaku e <em>Turista Aprendiz</em>, de 1985, baseado no livro de Mário de Andrade.</p>
<p>Distante do fotojornalismo, mas não do documental, em 1972 Maureen Bisilliat inicia uma relação de alguns anos  com os irmãos Villas Bôas, visitando a região do Xingu com frequência, até 1977. Além do filme, a instalação na XIII Bienal de São Paulo, em 1975, também  publicou a obra-prima <em>Xingu-Terra</em> (Ed.Cultura,1979), editado posteriormente em outros cinco países.</p>
<p>Marco da bibliografia fotográfica, <em>Xingu-Terra</em> conseguiu um feito histórico, de trazer a poesia visual ao documentarismo. É um livro extremamente bonito, bem editado e, ao mesmo tempo, repleto de informações. Maureen lida com a cor como poucos fotógrafos são capazes, motivo pelo qual, passados quase trinta anos de sua publicação, ainda não conseguiu ser superado em seu gênero.</p>
<p>Com o livro <em>Sertões Luz e Treva</em>s, a fotógrafa também marcaria sua obra no experimentalismo. Ousando mais que no anterior, criou também uma linguagem difícil de ser superada. Maureen revela que “As “distorções” das imagens foram feitas em uma noite. “Depois, eu pegava as ampliações em preto e branco e as refotografava – com a lente macro – na luz do dia, usando filmes para luz de tungstênio e vice-versa. Aí, colocava as imagens na água e fotografava novamente…”. Um exemplo, para quem teima em cultuar o tal do Photoshop.</p>
<p>No ensaio dos <em>Sertões&#8230;</em> estão imagens clássicas dos vaqueiros, copiadas <em>ad nauseum</em>, até hoje, que fazem contraponto com suas experiências. Para a fotógrafa, “as melhores coisas que criamos são as mais explosivas”. Contudo, ela não deixa de lado o criticismo que, na verdade, vale com uma boa lição para todos: “Às vezes, fazemos uma descoberta! E, enquanto é isso, tudo é válido! Mas, quando você quer imitar a descoberta, fica o vazio!”. Por isso, ela deixou de lado o resultado destes experimentos. Como ela diz: “Antes era uma descoberta, se eu continuasse seria apenas mais um efeito”.</p>
<p>As milhares de suas imagens, na maioria cromos, pertencem hoje ao acervo do Instituto  Moreira Salles, IMS  e estão envolvendo vários de seus pesquisadores na sua  digitalização, identificação e catalogação. O livro <em>Maureen Bisilliat Fotografias</em> é uma tentativa de resumir seu vasto trabalho, que não se resume em experimentalismos ou no uso extraordinário da cor, apenas para citar dois aspectos.</p>
<p>Hoje, um pouco distante da imagem fixa e mais próxima de seus vídeos, Maureen não deixa de estar antenada na imagem contemporânea e ainda encontra tempo para participar de projetos como “De olho nos mananciais” de 2008, organizado pelo Estúdio Madalena. No projeto, Maureen coordenou um grupo na aldeia Guarani Krukutu, em São Paulo.</p>
<p>Sobre o futuro da fotografia: “Adorei as imagens de uma menina de treze anos feita com uma digital.  Acho estas novas maquininhas interessantes”, diz ela que, logo depois nos brindar com mais um conselho: “A fotografia passa por transformações, mas… não se deve misturar às intenções, mas sim conviver com elas”.</p>
<p>*<em>Texto publicado originalmente na revista Fotografe Melhor de setembro de 2008 e adaptado em 2010.</em></p>
<p><strong>Serviço</strong><br />
Exposição<br />
<em>Maureen Bisilliat Fotografias</em> – 200 imagens, edição da fotógrafa com colaboração dos curadores do Instituto Moreira Salles<br />
De 02.03 a 04.07<br />
<a href="http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo.asp" target="_blank">Galeria de Arte do SESI-SP</a> – Av. Paulista,  1313, São Paulo<br />
Tel.: +55 11 3146-7405<br />
Obs.: a mostra traz trabalhos inéditos, que não estiveram na exposição do IMS do Rio de Janeiro. Durante toda a mostra, haverá a projeção de <em>Xingu-Terra</em>.</p>
<p>Livro<br />
<em>Maureen Bisilliat – Fotografias </em>– Edição do Instituto Moreira Salles ISBN: 978-85-86707-45-2. R$ 140,00</p>
<p><em><strong>Juan Esteves, fotógrafo, vem escrevendo seus artigos desde 1988 na Folha de S. Paulo. Foi colunista da Revista Iris Foto e editor e colunista do Fotosite. É articulista da revista Fotografe Melhor e colaborador de textos e imagens para revistas como Mitsubishi, Living Alone, Viaje Mais e editora Cosac Naify. Agora, no blog do Paraty em Foco, Juan posta, todas as sextas-feiras, textos inéditos ou publicados – os últimos, com reedição e atualização feitas especialmente para este blog. Esta semana, excepcionalmente, mandou sua coluna antecipadamente, para divulgar o lançamento da expos de Maureen.</strong></em></p>
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		<title>Metrópole, por Juan Esteves</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 16:53:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>estudiomadalena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[hildegard rosenthal]]></category>
		<category><![CDATA[IMS]]></category>
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		<description><![CDATA[Juan fala sobre o novo livro de Hildegard Rosenthal, que será lançado amanhã (20.02), no Museu Lasar Segall, em São Paulo. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com imagens de Hildegard Rosenthal (1913-1990), será lançado amanhã (20.02),  em São Paulo, o livro <em>Metrópole Hildegard Rosenthal</em>. Uma publicação do Instituto Moreira Salles, o livro dá continuidade à coleção iniciada por <em>Paranóia</em>, de Wesley Duke Lee e Roberto Piva, <em>Sequências</em>, de Otto Stupakoff e <em>Norte</em>, Marcel Gautherot – todos brochuras publicadas em tamanho médio, com excelente impressão e acabamento. Na mesma data, tem a abertura da mostra <em>Profissão Fotógrafo – Hildegard Rosenthal e Horacio Coppola</em>.</p>
<div id="attachment_5846" class="wp-caption alignnone" style="width: 360px"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/02/hildegard2.jpg"><img class="size-full wp-image-5846" title="hildegard2" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/02/hildegard2.jpg" alt="Capa do livro &lt;em&gt;Metrópole&lt;/em&gt;, editado pelo IMS" width="350" height="468" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do livro Metrópole, editado pelo IMS</p></div>
<p>O livro contém mais de 100 imagens (extraídas de 3 mil negativos do IMS)  e é dividido em cinco capítulos: &#8220;Cenas Urbanas&#8221;, &#8220;Edifícios e Grafismos&#8221;, &#8220;Interior&#8221;, &#8220;Noite/Chuva&#8221; e &#8220;Retratos&#8221; que traçam um breve panorama do vasto acervo da fotógrafa pertencente ao instituto. A organização e texto de introdução são da historiadora Maria Luiza Ferreira de Oliveira. No livro, também há um conto de Beatriz Bracher, inspirado na obra da fotógrafa. Esta ligação da ficção com a “realidade” da fotografia já vem sendo praticada na revista Serrote, publicada também pelo IMS.</p>
<p>Rosenthal fez um registro bastante instigante da São Paulo da metade do século 20. Para a historiadora, ela registra o tecido urbano em plena transformação. Entretanto, vistas hoje,  se tornaram uma memória fundamental na história da construção da cidade, cujo caos permeiou seu crescimento mais formal e, ainda assim,  com imagens extremamente românticas.</p>
<p>O lado mais artístico desta documentação, que aparece em &#8220;Edifícios e Grafismos&#8221;, mostra que Rosenthal não se limitava ao formalismo documental. As abstrações surgem em diferentes ângulos, não muito usuais para a sua época. Ela também foi buscar em cidadezinhas, como Pirapora do Bom Jesus, pequenos circos, espetáculos populares, crianças  locais e outros motivos encontrados em  Interior. O único porém é a ausência das colagens como <em>O menino jornaleiro</em>, publicada pelo IMS no catálogo da mostra <em>Cenas Urbanas</em>, de 1999.</p>
<div id="attachment_5845" class="wp-caption alignnone" style="width: 590px"><a href="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/02/hildegard.jpg"><img class="size-full wp-image-5845" title="hildegard" src="http://www.paratyemfoco.com/blog/wp-content/uploads/2010/02/hildegard.jpg" alt="Foto: Hildegard Rosenthal" width="580" height="379" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Hildegard Rosenthal</p></div>
<p>Como o registrado na obra do grande Brassaï (1889-1984), a noite da metrópole também interessou a fotógrafa, especialmente os reflexos formados pelas poças de chuva. Diferentemente da São Paulo diurna, nota a historiadora Maria Luiza, Hildegard procurou um novo ritmo para seu registro cotidiano.</p>
<p>Outro lado especial do livro são os retratos. Na verdade, também, porque seus retratados são mais que especiais: entre eles, artistas plásticos como o  lituano Lasar Segall (1891-1957), o italiano Alfredo Volpi (1896-1988), a húngara Yolanda Mohalyi (1909-1978); o escritor e crítico de teatro alemão Anatol Rosenfeld (1912-1963) e o escritor baiano Jorge Amado (1912-2001). Há uma pequena série de autoretratos no mínimo curiosa, onde ela aparece na cozinha, ao telefone e escrevendo, sempre com um cigarro na boca. Noutro, oposto a estes,  a pose é de <em>femme fatale</em> com luvas e rede no rosto.</p>
<p>Hildegard Rosenthal  nasceu e viveu até a adolescência em Frankfurt, Alemanha. Lá estudou pedagogia de 1929 a 1933. No ano seguinte  mudou-se para Paris, passaou dois anos e voltou a Frankfurt, onde estudou fotografia com Paul Wolf (1887-1951). Veio para São Paulo em 1937, evitando o crescimento nazista e, logo depois, sendo uma das mulheres pioneiras,  começa a trabalhar como fotojornalista para periódicos nacionais e internacionais.</p>
<p><strong>Serviço</strong><br />
Lançamento do livro <em>Metrópole Hildegard Rosenthal</em> e da exposição <em>Profissão Fotógrafo</em>, de Hildegard Rosenthal e Horacio Copolla, 20 de fevereiro, às 17h<br />
<a href="http://www.museusegall.org.br/" target="_blank">Museu Lasar Segall</a> – Rua Berta, 111, Vila Mariana, São Paulo<br />
Tel.: +55 11 5574-7322</p>
<p><em><strong>Juan Esteves, fotógrafo, vem escrevendo seus artigos desde 1988 na Folha de S. Paulo. Foi colunista da Revista Iris Foto e editor e colunista do Fotosite. É articulista da revista Fotografe Melhor e colaborador de textos e imagens para revistas como Mitsubishi, Living Alone, Viaje Mais e editora Cosac Naify. Agora, no blog do Paraty em Foco, Juan posta, todas as sextas-feiras, textos inéditos ou publicados – os últimos, com reedição e atualização feitas especialmente para este blog.</strong></em></p>
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